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Andreza Matais

Erika Hilton acusa PSol de quebrar acordo, mas terá R$ 2,3 milhões

Candidata à reeleição, Erika Hilton deve ser a deputada com o maior valor para a campanha dentro do PSol

24/06/2026 10:12, atualizado 24/06/2026 10:47
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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Erika Hilton na Comissão da Mulher

Nesta terça-feira (23), a deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) fez uma postagem no X (antigo Twitter) reclamando de descumprimento de acordos por parte da direção de seu partido. No entanto, segundo dirigentes da legenda ouvidos pela coluna, a deputada deve ser a candidata à Câmara com o maior valor destinado à campanha dentro do PSol: até R$ 2,3 milhões.

“O que existe é uma proposta a ser aprovada pela Executiva Nacional. E, nessa proposta, a Erika teria R$ 2,3 milhões, o maior valor entre todos os candidatos proporcionais do PSol”, diz uma dirigente da sigla à coluna, sob condição de anonimato.

O montante se aproxima do valor máximo permitido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as campanhas de deputados federais em 2022. Na ocasião, o limite de gastos foi de R$ 3,1 milhões por candidato à Câmara. O valor para as eleições deste ano deve ser divulgado pelo TSE no fim de julho.

“A argumentação da Erika Hilton de que ela estaria sendo perseguida e preterida é bem descabida. Até porque R$ 2,3 milhões é um valor altíssimo. Dizer que uma campanha que vai receber esse valor não é competitiva está fora da realidade”, afirma a dirigente.

Na postagem no X, Erika Hilton disse estar “chocada e decepcionada” com a direção do PSol. A deputada e outros integrantes de sua corrente interna, como o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República, estão de saída do partido em direção ao PT, movimento que deve ocorrer após as eleições.


“Eu e muitas lideranças decidimos ficar no PSol para ajudar o partido a superar a cláusula de barreira (…). Mas, para isso, o PSol precisa cumprir os acordos que fez conosco. E não está cumprindo. Está rasgando nossos combinados e praticamente nos inviabilizando”, escreveu a parlamentar.

“Privilégio branco” de Manuela D’Ávila

Na publicação, Hilton insinuou que outros pré-candidatos do partido, como Juliano Medeiros e Manuela D’Ávila, estariam sendo beneficiados por serem “cis” e “brancos”.

“É um absurdo que a direção partidária feche os olhos para essa realidade. Hoje, Juliano Medeiros, presidente da Federação PSol-Rede, em sua primeira candidatura, teria exatamente a mesma prioridade que eu. Manuela D’Ávila, que acabou de chegar ao partido, tem previsão de receber mais que o dobro”, afirmou.

“Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis se sobrepondo a tudo: aos acordos feitos conosco, aos cálculos eleitorais sérios…”, completou.

A alegação é rebatida por adversários internos da deputada. A disputa para o Senado é uma eleição majoritária e, tradicionalmente, demanda mais recursos, argumentam.

“Ela acusar o PSol de racismo porque a Manuela D’Ávila teria mais recursos é estapafúrdio. Manuela não é candidata a deputada, mas ao Senado, e lidera as pesquisas”, diz José Luís Fevereiro, coordenador da Dissidência da Revolução Solidária — um racha da tendência interna integrada por Erika Hilton e Guilherme Boulos.

“Inventaram o falso debate da federação com o PT, sabendo que ele não seria aprovado no PSol, para construir uma narrativa. E agora essa polêmica também serve para construir uma narrativa”, afirma José Luís.