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Andreza Matais

Eduardo Bolsonaro: PF é política e vazou diálogos para mudar assunto

Eduardo Bolsonaro disse que normalmente trata o pai Jair Bolsonaro por “senhor”, e que mensagens não refletem relação

atualizado

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Eduardo Bolsonaro (PL-SP)
1 de 1 Eduardo Bolsonaro (PL-SP) - Foto: Reprodução/X

Em entrevista ao Contexto Metrópoles na tarde desta sexta-feira (29), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) comentou os diálogos divulgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos quais aparece xingando seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo ele, seu tratamento ao pai costuma ser mais respeitoso. “Normalmente eu trato meu pai por ‘senhor’”, disse. Para Eduardo, a Polícia Federal divulgou as informações para criar uma “cortina de fumaça”.

“Eu ia deixar de lado a história do Tarcísio (de Freitas, governador de São Paulo pelo Republicanos), mas graças aos elogios que você fez a mim no Poder360, estou pensando seriamente em dar mais uma porrada nele, para ver se você aprende. VTNC, SEU INGRATO DO CARALHO! Me fudendo aqui [nos EUA]! Você ainda te ajuda e se fuder daí!”, escreveu Eduardo. A mensagem é do dia 15 de julho deste ano.

“São conversas pessoais de pai para filho, que foram vazadas pela Polícia Federal. Eu não vejo motivo nenhum para expor esse tipo de coisa. Ali tem eu conversando com o meu pai de uma maneira não muito educada. Não é o meu perfil, normalmente eu trato meu pai até por ‘senhor’”, afirmou.

“Mas, naquele momento, como dois homens que nós somos – e entre nós não tem frescura –, eu estava dando uma sacolejada nele. Utilizei algumas palavras duras. Não gostaria que isso viesse a público”, disse.

“Mas a Polícia Federal, como é um aparelho de Estado político, vazou de propósito para criar constrangimento e uma cortina de fumaça naquilo que interessa”, avaliou Eduardo.

“Os assuntos do Brasil são outros, não uma conversa de pai com filho”, acrescentou.

Segundo Eduardo, as conversas vazadas não revelam cansaço, mas “energia alta”. “Era dando uma sacolejada, uns tapas na cara do Rocky Balboa. ‘Não tem amanhã, vamos embora, isso aqui que é o certo’.”

“Os nossos adversários se aproveitam para cair em cima de nós. ‘Olha lá a família brasileira…’. Mas entre nós não tem hipocrisia, não tem frescura. É uma situação em que o estresse fica alto, e por vezes acontece esse tipo de situação”, afirmou Eduardo Bolsonaro.

Alexandre de Moraes tem vida incompatível com salário do STF, diz Eduardo Bolsonaro

Na entrevista, Eduardo afirmou que o ministro Alexandre de Moraes mantém um padrão de vida incompatível com seus ganhos no Supremo Tribunal Federal (STF). Para Eduardo, Moraes recebe auxílio financeiro de sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, e por isso ela também poderia ser alvo de sanções da Lei Magnitsky.

“Quando Alexandre de Moraes se tornou ministro da Suprema Corte, ele deixou seu escritório, o Alexandre de Moraes Advogados, e esse mesmo escritório passou a se chamar Barci de Moraes Advogados. Barci, que é o sobrenome da esposa do Alexandre”, disse.

“Então você vê que existe uma continuidade naquele empreendimento. E certamente um ministro da Suprema Corte, que tem salário de R$ 50 mil brutos, não vai conseguir usar relógio de R$ 200 mil ou R$ 300 mil apenas fruto do seu trabalho. Há uma incompatibilidade entre o que Alexandre de Moraes veste, usa, os vinhos que toma etc., e o salário dele”, declarou.

“Eu sei porque o salário de deputado federal chega perto do da Suprema Corte. Então é evidente que ele tem uma outra rede de financiamento, uma outra fonte. Isso está conectado com a esposa dele”, completou.

Eduardo Bolsonaro sugere que delegação BR fique a disposição de Trump

Para Eduardo Bolsonaro, o governo brasileiro mande uma comissão para ficar aguardando a disponibilidade de agenda da administração de Donald Trump.

“Vou dar o exemplo de um país que conseguiu resolver a questão tarifária: o Japão. O Japão montou uma comitiva, enviou para a capital americana, e ficou à espera de agenda. E não como o lula, que fica pensando ‘ah, será que o Trump vai puxar minha orelha?’”, disse.

“Isso é algo muito pequeno perto da responsabilidade daqueles que pretendem representar a população brasileira. Será que não dá pra deixar uma delegação brasileira disponível 24 horas em Washington DC?”, disse ele.

“O presidente Trump colocou na carta a Lula os pontos que fizeram com que ele colocasse a maior tarifa do mundo contra o Brasil. Nos outros países é 20, 30% (…), no Brasil foi 50%”, avaliou ele.

“Existe uma crise institucional. Uma perseguição contra Jair Bolsonaro; a regulamentação das redes sociais, e também as questões comerciais”, pontuou.

“Eu acho até que o Trump está sendo muito cordial com o Lula, porque duas semanas atrás ele disse que receberia uma ligação de Lula. Agora, o Lula tem que ter conduta de presidenciável, tem que deixar de lado um pouco a pauta ideológica”, disse.

Quem é Eduardo Bolsonaro e porque ele está nos EUA 

Residindo nos Estados Unidos desde fevereiro deste ano, Eduardo articula junto ao governo do republicano Donald Trump para que os EUA pressionem o Brasil contra o que considera abusos no processo judicial contra seu pai.

Recentemente, a Polícia Federal indiciou Eduardo e Jair Bolsonaro no inquérito que apura possíveis crimes de coação no curso do processo e obstrução de justiça. Agora, cabe à Procuradoria-Geral da República decidir se denuncia ou não Eduardo Bolsonaro nesse caso.

Para a PF, Eduardo incorreu nesses crimes ao articular sanções contra o Brasil, como a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Moraes é o relator do processo contra Jair Bolsonaro, no qual o ex-presidente é acusado de tentar um golpe de Estado entre o fim de 2022 e o começo de 2023, após perder as eleições presidenciais para o presidente Lula (PT).

Nesta quinta-feira, Eduardo Bolsonaro enviou um ofício ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), pedindo para exercer o mandato a partir dos Estados Unidos. Caso o pedido não seja aceito, Eduardo poderá perder o mandato por ausência: a Constituição prevê a perda para quem faltar a um terço ou mais das votações ao longo de um ano.

Aos 41 anos, Eduardo Bolsonaro é deputado federal desde 2015 e cumpre atualmente seu terceiro mandato. É filiado ao PL e eleito por São Paulo. Em 2018, recebeu 1,84 milhão de votos, tornando-se o candidato a deputado federal mais votado da história do país – recorde que ainda mantém, já que em 2022 a maior votação foi a de Nikolas Ferreira (1,4 milhão).

Bacharel em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Eduardo tornou-se escrivão da Polícia Federal após ser aprovado em concurso da instituição em 2010.

Durante o governo Jair Bolsonaro, o nome de Eduardo chegou a ser cogitado para a embaixada brasileira em Washington. O então presidente anunciou publicamente a escolha, aceita pelo filho, mas o governo recuou da indicação.

Eduardo Bolsonaro é o terceiro filho do primeiro casamento de Jair Bolsonaro, com Rogéria Nantes Nunes Braga. É, portanto, irmão “de pai e mãe” do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL). Mais tarde, Jair teria ainda outros dois filhos: o vereador de Balneário Camboriú Jair Renan (PL) e Laura Bolsonaro, hoje com 14 anos.

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