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Andreza Matais

Eduardo Bolsonaro: Moraes tem vida incompatível com renda do STF

Eduardo Bolsonaro disse que ganhos do ministro estão atreladas a trabalho do escritório de sua mulher, Viviane Barci

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Em entrevista ao Contexto Metrópoles na tarde desta sexta-feira (29), o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que o ministro Alexandre de Moraes mantém um padrão de vida incompatível com seus ganhos no Supremo Tribunal Federal (STF). Para Eduardo, Moraes recebe auxílio financeiro de sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, e por isso ela também poderia ser alvo de sanções da Lei Magnitsky.

“Quando Alexandre de Moraes se tornou ministro da Suprema Corte, ele deixou seu escritório, o Alexandre de Moraes Advogados, e esse mesmo escritório passou a se chamar Barci de Moraes Advogados. Barci, que é o sobrenome da esposa do Alexandre”, disse.

“Então você vê que existe uma continuidade naquele empreendimento. E certamente um ministro da Suprema Corte, que tem salário de R$ 50 mil brutos, não vai conseguir usar relógio de R$ 200 mil ou R$ 300 mil apenas fruto do seu trabalho. Há uma incompatibilidade entre o que Alexandre de Moraes veste, usa, os vinhos que toma etc., e o salário dele”, declarou.

“Eu sei porque o salário de deputado federal chega perto do da Suprema Corte. Então é evidente que ele tem uma outra rede de financiamento, uma outra fonte. Isso está conectado com a esposa dele”, completou.

Eduardo Bolsonaro sugere que delegação brasileira fique à disposição de Trump

Na entrevista, Eduardo Bolsonaro também sugeriu que o governo brasileiro envie uma comissão para aguardar disponibilidade de agenda da administração de Donald Trump.

“Vou dar o exemplo de um país que conseguiu resolver a questão tarifária: o Japão. O Japão montou uma comitiva, enviou para a capital americana e ficou à espera de agenda. E não como o Lula, que fica pensando: ‘ah, será que o Trump vai puxar minha orelha?’”, disse.

“Isso é algo muito pequeno perto da responsabilidade daqueles que pretendem representar a população brasileira. Será que não dá pra deixar uma delegação brasileira disponível 24 horas em Washington, DC?”, questionou.

“O presidente Trump colocou na carta a Lula os pontos que fizeram com que ele aplicasse a maior tarifa do mundo contra o Brasil. Nos outros países é 20%, 30% (…); no Brasil, foi 50%”, avaliou.

“Existe uma crise institucional: uma perseguição contra Jair Bolsonaro, a regulamentação das redes sociais e também questões comerciais”, pontuou.

“Eu acho até que o Trump está sendo muito cordial com o Lula, porque duas semanas atrás ele disse que receberia uma ligação de Lula. Agora, o Lula tem que ter conduta de presidenciável, tem que deixar de lado um pouco a pauta ideológica”, afirmou.

Quem é Eduardo Bolsonaro e porque ele está nos EUA

Residindo nos Estados Unidos desde fevereiro deste ano, Eduardo articula junto ao governo do republicano Donald Trump para que os EUA pressionem o Brasil contra o que considera abusos no processo judicial contra seu pai.

Recentemente, a Polícia Federal indiciou Eduardo e Jair Bolsonaro no inquérito que apura possíveis crimes de coação no curso do processo e obstrução de justiça. Agora, cabe à Procuradoria-Geral da República decidir se denuncia ou não Eduardo Bolsonaro nesse caso.

Para a PF, Eduardo incorreu nesses crimes ao articular sanções contra o Brasil, como a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Moraes é o relator do processo contra Jair Bolsonaro, no qual o ex-presidente é acusado de tentar um golpe de Estado entre o fim de 2022 e o começo de 2023, após perder as eleições presidenciais para o presidente Lula (PT).

Nesta quinta-feira, Eduardo Bolsonaro enviou um ofício ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), pedindo para exercer o mandato a partir dos Estados Unidos. Caso o pedido não seja aceito, Eduardo poderá perder o mandato por ausência: a Constituição prevê a perda para quem faltar a um terço ou mais das votações ao longo de um ano.

Aos 41 anos, Eduardo Bolsonaro é deputado federal desde 2015 e cumpre atualmente seu terceiro mandato. É filiado ao PL e eleito por São Paulo. Em 2018, recebeu 1,84 milhão de votos, tornando-se o candidato a deputado federal mais votado da história do país – recorde que ainda mantém, já que em 2022 a maior votação foi a de Nikolas Ferreira (1,4 milhão).

Bacharel em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Eduardo tornou-se escrivão da Polícia Federal após ser aprovado em concurso da instituição em 2010.

Durante o governo Jair Bolsonaro, o nome de Eduardo chegou a ser cogitado para a embaixada brasileira em Washington. O então presidente anunciou publicamente a escolha, aceita pelo filho, mas o governo recuou da indicação.

Eduardo Bolsonaro é o terceiro filho do primeiro casamento de Jair Bolsonaro, com Rogéria Nantes Nunes Braga. É, portanto, irmão “de pai e mãe” do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL). Mais tarde, Jair teria ainda outros dois filhos: o vereador de Balneário Camboriú Jair Renan (PL) e Laura Bolsonaro, hoje com 14 anos.

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