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Eleições 2026Andreza Matais

Comissão de Ética quer fechar brecha para uso de voo da FAB em campanha

Comissão de Ética Pública atualizou normas para impedir "esticadas" para comícios após eventos oficiais do governo usando voos da FAB

22/07/2026 14:47, atualizado 22/07/2026 14:53
Agência Brasil/06.fev.2026
Lula inaugura ala do Hospital Federal de Bonsucesso, no Rio de Janeiro

Mudanças recentes em normativos da Advocacia Geral da União (AGU) e da Comissão de Ética Pública (CEP) da Presidência da República indicam que a CEP vai jogar pesado contra políticos, autoridades e servidores que aproveitarem eventos oficiais, bancados com dinheiro público e envolvendo voos da Força Aérea Brasileira (FAB), para darem uma “esticadinha” em comícios e outros atos eleitorais este ano.

A cartilha “Condutas Vedadas” possui “orientações” baseadas em regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que funcionam, na prática, como normas que serão cobradas sem julgamentos posteriores na Comissão.

A comissão mudou recentemente a Resolução 7 de 2002, mas manteve a ordem segundo a qual “a autoridade deverá abster-se” de “se valer de viagens de trabalho para participar de eventos político-eleitorais”.

Para deixar isso ainda mais claro, a regra de agora não tem mais uma possível permissão, que se mostrava contraditória, para que o servidor registrasse na agenda “eventos político-eleitorais de que participe, informando as condições de logística e financeiras da sua participação”.

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O Metrópoles apurou que, se é proibido até ir a esses eventos com dinheiro público, não tem sentido cometer uma ilegalidade e depois, tentar justificar a atitude, dizendo: “Mas eu anotei na agenda”.

A cartilha da AGU, editada em abril, reforça essa regra. “Importante evitar a confusão entre viagem oficial e evento político”, diz o texto.

O documento afirma que o autoridade não pode: “exercer atividade incompatível com atribuições funcionais”. Caso queira viajar e participar de comícios de campanha, a solução proposta é simples: “(…) se licencie do cargo, sem vencimentos”.

Exemplo: um ministro mora em São Paulo e pega, em Brasília, um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para um lançamento de campanha de vacinação no Rio de Janeiro num sábado à tarde. À noite, ele vai a um comício do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No domingo, ele volta para Brasília. Essa conduta será tratada com rigor pela Comissão de Ética Pública (CEP), apurou a coluna.

Administrar dinheiro é coordenar campanha

A regra anterior já proibia autoridades de coordenar campanhas eleitorais. A versão atual mantém a proibição e define o “coordenador de campanha” de acordo com a Lei das Eleições: uma pessoa que faz a “administração financeira” da campanha de um candidato. Com isso, a expectativa é ampliar a proibição de maneira objetiva, sem margem para brechas.

A mudança vai em linha com a cartilha da AGU. Em um trecho, o documento diz: “Vedado: gerenciar finanças de campanha sem licença do cargo”.

Divulgação em agenda deve seguir com oito informações

Para padronizar as exigências de divulgação de agendas, a resolução da Comissão de Ética, feita em 2002, seguirá com o decreto de 2021 que criou o sistema de E-Agendas, da Controladoria Geral da União (CGU). A norma exige que a divulgação de reuniões tenha oito informações:

– data;
– hora;
– local;
– assunto;
– lista de participantes;
– identificação do representante de interesses;
– identificação de pessoa física ou empresa representada por terceiros na reunião; e
– “descrição dos interesses representados”

Mudança gerou temor

Ainda assim, mudança feita pela Comissão de Ética Pública na regra de 2002 causou o temor entre órgãos de controle quando retirou a ordem para a autoridade registrar em agenda “eventos político-eleitorais” porque continha a determinação para que fossem informadas também “as condições de logística e financeiras da sua participação”.

A reportagem procurou a Comissão de Ética Pública. Seu presidente, Bruno Espiñera, disse que a norma foi atualizada para se adaptar à legislação em vigor.