Cedae autorizou repasse de R$ 30 milhões a instituto investigado
Estatal aprovou aporte milionário ao Instituto Rio Metrópole dois meses antes de o órgão ser alvo de investigação

Cedae autorizou, em 30 de abril deste ano, o repasse de R$ 30 milhões ao Instituto Rio Metrópole (IRM), entidade que, dois meses depois, se tornou alvo da Operação Ouroboros, deflagrada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro para investigar um esquema de corrupção. O pagamento integra um convênio de R$ 213 milhões firmado entre a estatal e o instituto em novembro de 2025.
O despacho que liberou os recursos foi assinado pelo diretor técnico e de projetos da Cedae, Humberto de Mello Filho. Pelo documento, os R$ 30 milhões seriam pagos em 2026, enquanto os R$ 183 milhões restantes ficaram previstos para 2027.
O convênio prevê o custeio de 33 pontos de medição do sistema de abastecimento de água da região metropolitana do Rio. Pela parceria, a Cedae transfere os recursos ao IRM, responsável por contratar as empresas que executam os serviços, aprovar as medições e autorizar os pagamentos. Na prática, a estatal financia as contratações, enquanto o instituto valida a execução e mantém o fluxo dos repasses.
Além de Humberto, o convênio foi assinado, pela Cedae, por Diogo Rocha (diretor presidente em exercício). Pelo IRM, assinaram Mauricio Knoploch dos Santos (diretor de planejamento e projetos) e Davi Perini Vermelho (diretor presidente). Mauricio está entre os presos na Operação Ouroboros.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesSegundo o Ministério Público, a investigação apura um esquema que teria movimentado R$ 86,28 milhões. Onze pessoas foram denunciadas por crimes como organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. As contratações do IRM estão entre as frentes investigadas.
A ligação entre a Cedae e a operação também passa por uma empresa citada pelo Ministério Público. A Engeconsult Consultores Técnicos mantém contrato com a estatal para o gerenciamento e a supervisão das obras do Programa Novo Guandu.
O Contrato Cedae nº 113/2021 foi firmado em setembro de 2021, com valor inicial de R$ 22,3 milhões. Dez termos aditivos elevaram o montante para R$ 29,6 milhões e prorrogaram sua vigência até março de 2026. O contrato também está vinculado à Diretoria Técnica e de Projetos da Cedae.
De acordo com o Ministério Público, a Engeconsult está entre as empresas contratadas pelo IRM em contratos que teriam sido utilizados para desviar recursos públicos. Apenas em 2023, a empresa teria recebido um acréscimo de R$ 58 milhões em contratos com o instituto.
A Operação Ouroboros reforça a relevância da auditoria colaborativa aberta pelo governo do Rio na Cedae para analisar contratos, convênios e repasses da estatal. Entre os atos que podem ser alcançados pelo pente-fino estão o convênio de R$ 213 milhões com o IRM, a autorização do repasse de R$ 30 milhões e o contrato da Engeconsult com seus aditivos.





