Andreza Matais

Brasília fala em axé e as empresas em IA; o que vi na “XPpalooza”

Discurso político está descasado da agenda dos CEOs: Lula é decepcionante

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1 de 1 Imagem dos governadores Ronaldo Caiado (Goiás), Tarcísio de Freitas (São Paulo) e Ratinho Junior (Paraná) - Metrópoles - Foto: Paulo Bareta/Divulgação/XP

Passei os últimos dois dias no evento promovido pela XP (Expert XP) para empresários, investidores e executivos que movimentam bilhões de reais, geram empregos, inovam e não se pautam por Brasília (vai ter que ler até o fim para entender).

Um indicativo de que o governo Lula já é página virada é que nenhum ministro petista esteve presente – considerando que o partido controla os principais ministérios das áreas política e econômica, isso é sintomático. E não foi por falta de convite.

No discurso populista de Lula, uma pessoa só pode ser rica porque roubou. O público presente no evento representa o “eles” do discurso eleitoreiro/desesperado do PT, que tenta reagir com mais do mesmo ao crescimento da centro-direita. Ricos e pobres, nós contra eles — essa divisão fecha qualquer fresta para o diálogo.

O que assisti nas inúmeras palestras, com temas urgentes, foram histórias comuns de gente que perdeu o emprego e viu isso como uma oportunidade para começar a empreender. Que perdeu tudo o que tinha por apostar em um negócio. Que caiu, levantou e hoje comanda impérios. Gente que herdou e ampliou o negócio da família.

E, em comum, pessoas que sonharam, ousaram, ouviram muitos “nãos”, portas na cara. Mas persistiram. E que estão exaustas da polarização dos extremos.

A atração principal do evento foi o ator Arnold Schwarzenegger. Sua história de perseverança dialoga com a de tantos ali. E seu conselho é a cartilha que muitos seguiram: quem não tem meta, objetivo, não chega a lugar nenhum. E, segundo ele, é preciso fechar os ouvidos para quem tenta te impedir.

“Se você trabalhar só para ganhar dinheiro”, disse ele, “que vida você está levando?” Era quase unânime ali que o dinheiro é consequência — e não a razão — para um negócio bem-sucedido.

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Rafael Furlanetti, diretor de Relações Institucionais e sócio da XP, perguntou ao presidente da Cimed, João Adbe, e ao CEO e fundador da Petz, Sérgio Zimerman, por que continuavam trabalhando, mesmo já tendo atingido a casa dos bilhões. “Porque temos muito a crescer”, respondeu Adbe. O dono da Petz brincou: “Porque o Cade ainda não aprovou a fusão com a Cobasi”.

O criador da XP, Guilherme Benchimol, contou que empreendeu após ser demitido e muito desacreditado. Até hoje, a emoção de ver de onde saiu para onde chegou é visível.

Você tem duas opções quando a vida te chacoalha: se achar um coitado ou fazer como Benchimol que vendeu o carro para iniciar o negócio do zero.

Onze vezes campeão mundial de surfe, Kelly Slater também esteve no evento. Acrescentou ao discurso sobre sonhos e metas obsessivas o propósito. Disse que só trabalha com empresas que pagam bem aos seus funcionários. Está aí algo que fez muita gente fazer cara de paisagem na plateia — ou entender que pessoas são o maior patrimônio de uma empresa.

De camiseta, calça de sarja e tênis — o uniforme dos bem-sucedidos, no máximo um blazer para amenizar o frio de SP — o empresariado parou para discutir o país, algo que não vejo mais nos engravatados de Brasília. A cidade ainda impõe regras de vestimenta: ninguém entra nos salões do Congresso durante votações sem gravata. Até pouco tempo atrás, mulheres não podiam entrar no STF de calça e, ainda hoje, somos obrigadas a usar blazer. Quando você vai a um gabinete de ministro, o segurança consulta uma lista com as exigências de vestuário que o ministro determina para te receber.

Acompanho a política há 25 anos. Nunca o discurso esteve tão desconectado do mundo real, do setor produtivo.

Quem move a economia diz que, se for trabalhar com um olho em Brasília, vai perder tempo. E esse entendimento não é exclusivo dos CEOs brasileiros.

“Como assim? O que é decidido em Brasília mexe com a economia, consequentemente com os negócios”, perguntei. A resposta foi direta: é preciso estar pronto para tudo, sem esperar o que virá. Justo eu, que tenho a frase de Shakespeare na parede de casa, me esqueci que “estar pronto é tudo”.

Na prática, ninguém ali vai esperar sentado o Geraldo Alckmin resolver o “tarifaço”. Já está todo mundo pronto para isso. Se não vier, próximo assunto. Se vier, as consequências já estão precificadas. Até porque todo mundo sabe que ninguém para a China. Pode Trump escrever em caixa alta.

Pessoalmente, todo mundo tem opinião sobre a política. E a opinião majoritária é que o governo Lula 3 é decepcionante. Esperava-se mais de um presidente que teve a oportunidade de voltar ao poder. E é de oportunidade que o investidor vive. Javier Milei, da Argentina, é enaltecido pela coragem de implementar medidas impopulares na economia.

Enquanto em Brasília se discute a criação do dia do axé, a anistia para Bolsonaro, os cargos de Alcolumbre ou o que se pode ou não postar nas redes sociais (ignorando o real debate sobre os algoritmos), quem move a economia está preocupado com infraestrutura, os avanços da inteligência artificial, investimentos em criptomoedas…

Quem entender esse discurso leva 2026. Mesmo que todos estejam preparados para que a lógica não se cumpra.

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