Andreza Matais

Agro aceita tarifaço para garantir anistia a Bolsonaro, diz deputado

Ao Contexto Metrópoles, deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) disse que produtores aceitam tarifaço para defender anistia e liberdade

atualizado

metropoles.com

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Vinicius Loures/ Câmara dos Deputados
rodolfo nogueira
1 de 1 rodolfo nogueira - Foto: Vinicius Loures/ Câmara dos Deputados

Apesar da taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos do agronegócio brasileiro, o setor mantém firme seu apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Produtor rural, presidente da Comissão de Agricultura e Pecuária da Câmara, o deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) afirmou ao Contexto Metrópoles que o agro está “cada vez mais unido em torno do nosso presidente Bolsonaro” e que mesmo com eventuais prejuízos, a liberdade é mais importante que o lucro.

A taxação de 50% dos EUA atinge 82% dos produtos agrícolas exportados para lá, enquanto outros setores conseguiram escapar do percentual. O agro não soube negociar?

Eu não vejo que as exportações sejam o grande problema do agronegócio hoje. O setor vive uma crise interna desde que o Lula assumiu. Alguns setores do governo se colocaram como inimigos do homem do campo e contra o setor que produz o alimento do Brasil. Não adianta o Brasil produzir, não adianta o agro exportar se o país e o produtor rural não têm segurança jurídica e paz para produzir no campo. Isso sem falar do endividamento.

O senhor está dizendo que o tarifaço é um problema menor?

Se tivermos algumas perdas, se a gente sofrer na própria carne, vamos sofrer, mas estamos dispostos a isso. Do que adianta a gente exportar, ganhar dinheiro e perder a liberdade, que é o mais importante hoje para o povo brasileiro? Então, realmente, o agro está unido em cima dessa causa junto com o presidente Bolsonaro.

Tudo bem o agro ser prejudicado para salvar Bolsonaro da condenação?

O Trump está vendo essa perseguição implacável ao ex-presidente Jair Bolsonaro, e a tarifação realmente é um ponto de negociação para que o Supremo e o Congresso recuem das condenações. O Brasil ainda tem a chance de reverter a “tarifa Moraes”. O Trump adiou por mais seis dias o início da taxação, e eu creio que esse é um prazo que ele está dando para o Brasil apresentar uma proposta de negociação quanto a isso.

O Supremo não vai recuar nas condenações…

O Congresso pode assumir uma posição estratégica nessa negociação. Alcolumbre e Hugo Motta têm a chance de sair como heróis não só do agronegócio, mas também de toda a economia do Brasil, votando o projeto da anistia. Não é possível o Brasil querer brigar com os Estados Unidos quando as maiores potências do mundo, como China, Índia e a própria Rússia, hoje sentam à mesa para esse diálogo.

O senhor direciona suas críticas ao Lula, mas foi a família Bolsonaro quem incitou o tarifaço…

Eu discordo totalmente de você. O Lula chamou Donald Trump de nazista, abriu os portos para navios iranianos, falou em substituir o dólar, se alinhou a todos os países inimigos, ficou contra Israel… Então, o presidente vem numa briga com os Estados Unidos há muito tempo. Estamos colhendo o que esse anão diplomático (Lula) plantou.

O Supremo diz que Eduardo Bolsonaro age contra a soberania nacional. Discorda?

Hoje, colocar a culpa no Eduardo Bolsonaro não é correto. O Eduardo está defendendo seu pai, sua família e aquilo que a gente acredita que é a liberdade. Ele está indo realmente contra essa perseguição implacável à direita no Brasil e aos conservadores. Imputar a ele a culpa do tarifaço, eu acho que é uma insanidade.

O agro segue apoiando Bolsonaro mesmo após a taxação?

A direita não vai perder o apoio do agro nas eleições de 2026 por conta do tarifaço. Eu sou produtor rural, presidente da Comissão da Agricultura e Pecuária da Câmara, diretor da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), converso com produtores do Brasil inteiro e quero te dizer que, realmente, o agro está cada vez mais unido em torno do nosso presidente Bolsonaro e dessa pauta da anistia.

Dias atrás, vários produtores rurais do Brasil inteiro fizeram um vídeo — que foi divulgado nas redes sociais — declarando apoio ao presidente Bolsonaro. E, cada vez mais, a cada dia que passa, os comentários e informações que nos chegam de produtores, presidentes de sindicatos e instituições mostram um apoio declarado ao presidente.

O senhor é pecuarista, e a carne foi taxada em 50%. De quanto será seu prejuízo?

Eu estou tendo prejuízo desde quando o Lula assumiu esse governo. O agro, além de parecer que Deus fechou as comportas do céu quanto às chuvas no Brasil, está tendo prejuízo ano após ano com os preços das commodities e, principalmente, com o enfraquecimento das relações internacionais do Brasil com outros países.

Como o senhor avalia a posição do Supremo?

Ficou muito claro o racha que já está acontecendo neste momento no Supremo. No jantar oferecido por Lula aos ministros, apenas seis compareceram, e muitos não quiseram assinar a tal da carta em apoio ao Alexandre de Moraes. Existe uma rixa pessoal do ministro com o presidente Bolsonaro e sua família. Mas eu acho que agora é momento de pacificar o Supremo, pacificar o Congresso, pacificar o país e, principalmente, pacificar as relações do Brasil com os Estados Unidos.

A gente está vendo que Donald Trump não está brincando com essas sanções e que a Magnitsky Act pode atingir outros ministros. O Alexandre de Moraes está claramente irritado — basta ver o episódio do dedo no estádio.

O ministro da Agricultura estava onde nas negociações com Trump?

Há uma inércia do Ministério da Agricultura nessa briga diplomática. Realmente, o ministro Carlos Fávaro está devendo uma postura em defesa do nosso setor e, principalmente, em defesa do setor que alimenta a mesa do povo brasileiro.

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