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Alfredo Henrique

"Tomou para aprender": festa provoca tiroteio e morte entre vizinhos

Autor e vítima eram CACs e usaram pistolas legalizadas em discussão provocada por causa de barulho de festa em Diadema, na Grande SP

03/08/2026 15:50
Arquivo Pessoal
Homem branco, cabelo curto, barba e terno azul - Metrópoles

Um desentendimento entre vizinhos, por conta do barulho de uma festa, culminou em uma troca de tiros e na morte de um deles, no início da manhã desse domingo (2/8), em Diadema, região metropolitana de São Paulo. Ambos contavam com registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC).

O educador Danilo de Almeida, de 39 anos, estava na festa promovida pelo amigo Willian de Assis Costa, 35 (imagem em destaque). Em depoimento à Polícia Civil, obtido pela coluna, afirmou que o amigo “sempre andava armado para onde quer que fosse”. No decorrer da festa, a testemunha foi se deitar, por conta de um compromisso que teria cedo no domingo.

“Tomou para aprender”: festa provoca tiroteio e morte entre vizinhos - destaque galeria
4 imagens
Vítima morreu no local
Festa teria sido estopim d tiroteio
Willian morreu antes da chegada do socorro
Portão foi cravejado por tiros
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Portão foi cravejado por tiros

Reprodução/TV SBC
Vítima morreu no local
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Vítima morreu no local

Reprodução/TV SBC
Festa teria sido estopim d tiroteio
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Festa teria sido estopim d tiroteio

Reprodução/TV SBC
Willian morreu antes da chegada do socorro
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Willian morreu antes da chegada do socorro

Arquivo Pessoal

Despertar e tiroteio

O descanso dele foi interrompido por volta das 5h, quando participantes da festa pediram para ele acompanhar Willian, que havia saído na rua para discutir com o vizinho, o comerciante Luciano Smanioto Matos, 46.

Ele desceu imediatamente e, assim que saiu na Rua Equador, no centro de Diadema, viu o amigo em frente à casa de Luciano que, segundo o educador, estava com uma arma de fogo em punho. O irmão do comerciante, Leandro Smanioto, estava ao lado do parente, mas desarmado.

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Danilo afirmou que o amigo questionava se Luciano o havia filmado. Isso porque, durante a madrugada, Willian teria dado tiros ao alto com sua pistola calibre 9 milímetros. Nesse ínterim, segue o relato da testemunha, Willian estava calmo, “tentando conversar”.

Quando se afastava dos dois CACs, escutou um disparo.

Troca de tiros e morte

Ao direcionar o olhar aos dois vizinhos, o educador viu Willian baleado e cambaleando. Foi nesse momento, acrescentou, que o amigo sacou sua arma da cintura e também atirou. Luciano foi atingido em uma das pernas.

Também ferido, Willian  sentou-se no chão e pediu para a polícia ser acionada. Ele a todo momento mantinha a arma em uma das mãos.

Com Willian sangrando na rua, Luciano teria afirmado “tomou para aprender, tomara que morra” e, em seguida, entrou em casa e fechou o portão.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência foi acionado, constatando a morte da vítima ainda no local.

“Aparentemente alcoolizado”

A versão do motorista de app Leandro Smanioto, irmão do CAC ferido na perna, difere em parte da do educador que estava na festa de Willian.

Ele afirmou ter ouvido sons de tiros, durante a madrugada — reforçando os disparos dados ao alto atribuídos a Willian.

Por volta das 5h, acompanhou o irmão até o portão de acesso à residência, na qual também mora, deparando-se com o vizinho “ofegante e aparentemente alcoolizado”. Acrescentou que o irmão orientou Willian para que parasse de dar tiros para o alto, por que “iria se prejudicar”.

“Afirma [Leandro] que pediu para Willian se acalmar, momento em que viu Willian sacar uma arma de fogo, dizendo ‘sou CAC’ e, nesse momento, o depoente fechou o portão imediatamente, ouvindo disparos, sem saber quem atirou em quem, ou mesmo se foi seu irmão Luciano ou seu vizinho Willian quem disparou primeiro”, diz trecho do relato dele à Polícia Civil.

Após isso, viu o irmão ferido em uma das pernas. Estilhaços também feriram as costas da mãe deles, uma aposentada de 64 anos, que foi socorrida e liberada ainda no domingo. Luciano também foi levado para o hospital, onde seria submetido a uma cirurgia. Ele foi indiciado e teve a prisão em flagrante por homicídio decretada.

Ele seguia internado até a publicação desta reportagem.

As armas dos dois CACs, ambas pistolas calibre 9 milímetros, foram apreendidas e serão submetidas à perícia.