Sequestrado por policial estaria em favela e pode ser morto pelo PCC
Daniel dos Santos, de 34 anos, tem identidade revelada pela primeira vez; presença policial por causa dele interfere em rotina das biqueiras

A Polícia Civil já identificou a possível vítima sequestrada pelo policial civil Rafael Juergen Shult, com o uso de uma falsa viatura, no último dia 12 na zona leste paulistana.
O agente de 2ª classe teve a prisão decretada pela Justiça, assim como um comparsa que o auxiliou, no dia seguinte ao rapto, que foi flagrado por uma câmera de monitoramento. Ele seguia foragido até a publicação desta reportagem.
A coluna obteve informações exclusivas, com moradores de uma comunidade, em Osasco, na qual Daniel dos Santos, de 34 anos (imagem em destaque), está escondido desde que foi libertado pelos sequestradores, na madrugada de 13/8. Ele conta com passagens criminais, entre elas pelo roubo de uma carga de bacalhau, em 2018 — crime pelo qual foi condenado.
Procurado pela polícia e PCC
A presença dele na favela atraiu a presença de policiais, desde a segunda-feira (17/8), que procuram Daniel para prestar depoimento sobre o sequestro. Isso, como relataram testemunhas, estaria atrapalhando o tráfico de drogas, controlado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Aqui tá cheio de polícia. E polícia na favela não é bom. O Daniel tá aqui, escondido. Ele é conhecido como bandido, maloqueiro. Mas como tá com polícia, tá atrapalhando as biqueiras e podem [PCC] matar ele. É que tá sendo falado”.
A testemunha acrescentou que “não é muita coisa que se ouve”. Mas, o que chegou até ela é que, Diante do risco de morrer, Daniel pode se apresentar à polícia.
Golpes em playboys
Daniel costuma aplicar golpes em “playboys”, como relatou outra testemunham em condição de anonimato. Para isso, oferece um cardápio de drogas, nas redes sociais, com a promessa de entregá-las no sistema delivery. O golpe é de conhecimento entre moradores da favela, onde impera a lei do silêncio.
“Aí ele leva uma sacola, com qualquer coisa dentro e, quando pega o dinheiro dos playboys, entrega a sacola. Também rouba o que os boys tiverem”, explicou a testemunha.
Uma das linhas de investigação do caso é a da que o policial Rafael Shult, atualmente lotado no 78º DP (Jardins), teria se passado por uma vítima de Daniel, acreditando que iria extorquir um traficante. Ambos então marcaram um encontro em Artur Alvim, na zona leste.
A coluna apurou que, quando Daniel entrega a sacola ao policial e seus comparsas, acreditava que faria uma nova vítima — da mesma forma que o agente, acreditando que iria extorquir um traficante.
No vídeo, comparsas de Daniel conseguem fugir, mas ele é imobilizado, algemado e colocado dentro de um Chevrolet Trailblazer, caracterizado como uma viatura de serviço velado da Polícia Civil. O carro já foi apreendido pela Corregedoria da instituição e está registrado no nome do policial.
Espancamento e libertação
Uma das testemunha ouvidas pela coluna relatou que Daniel foi espancado pelo policial civil e seus comparsas, antes de ser liberado. “Ele tomou um pau”.
Daniel chegou a ser visto caminhando nas vielas da comunidade, mas sumiu após a chegada da polícia, no início desta semana. O nome dele consta no processo, como afirmou à coluna a defesa de Rafael Juergen Shult.
Defesa tenta derrubar prisão
A defesa de Rafael Juergen Shult ingressou com habeas corpus contra a ordem de prisão decretada pela Justiça. O policial civil, lotado no 78º DP (Jardins), permanecia foragido até a publicação desta reportagem.
Segundo a defesa, o nome de Daniel dos Santos consta no pedido de HC, ressaltou.

















