Falsa viatura usada por policial civil em sequestro é apreendida
Carro adaptado com luzes internas e sinais sonoros pertende ao policial civil Rafael Juergen Shult; ele tevea prisão decretada pela Justiça

O carro com características de uma viatura, usado no sequestro de um suposto traficante de drogas, quarta-feira (12/8), na zona leste paulistana, foi apreendido na manhã desta sexta-feira (14/8) pela Corregedoria Geral da Polícia Civil.
O Chevrolet Trailblazer preto, que aparece em registros de uma câmera de monitoramento (assista abaixo), pertence ao policial civil Rafael Juergen Shult, de 35 anos. Como revelou a coluna, ele teve a prisão decretada pela Justiça paulista no fim da tarde dessa quinta-feira (13/8). Ele seguia foragido até a publicação desta reportagem.
A coluna apurou que o carro foi adaptado com luzes de alerta internas e sinais sonoros, com o intuito de parecer com um veículo descaracterizado da Polícia Civil — ou seja, com carros usados em operações sigilosas e que não podem ostentar os símbolos da instituição.
Foi na carroceria desse veículo que Rafael e outros suspeitos, dos quais quatro já foram identificados pela investigação, colocam o suposto traficante — após retirarem uma sacola plástica das mãos dele, o espancarem com socos e algemá-lo. A suspeita é a de que no saco haveria amostras de drogas ou dinheiro. O homem raptado ainda não foi localizado.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Ganso” com prisão decretada
Além de Rafael, a Justiça também decretou nessa quinta a prisão de Renan dos Santos, apontado como um “ganso” que participou da ação. Esse é o termo usado por policiais civis corruptos para nomear parceiros envolvidos em atividades ilegais. Nessas ações suspeitas, os gansos se identificam como agentes da lei, ostentando distintivos e também armas.
Isso também aparece nas imagens captadas pela câmera de monitoramento na zona leste. Além de Rafael, seus comparsas também estavam armados.
Entre eles, como apurou a coluna, também há um segundo policial civil, lotado no 65º DP (Artur Alvim), o qual foi à Corregedoria da instituição, para prestar depoimento como testemunha, na tarde dessa quinta. Ele trabalha na delegacia responsável pela região na qual houve o rapto.
A apreensão da Trailblaer pode ajudar a Corregedoria a relacionar o veículo em eventuais casos semelhantes ao ocorrido em Artur Alvim.
Defesa do policial foragido
Procurada pela coluna, a defesa de Rafael afirmou, via mensagem, que não havia tido acesso à decretação da prisão de seu cliente. “Iremos aguardar para entendermos os fundamentos da suposta prisão”.
O espaço segue aberto para futuras manifestações.




