Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Alfredo Henrique

Policial foragido teria sequestrado comerciante, mulher e crianças.

O policial civil Rafael Schult é apontado como possível líder de grupo armado; vítima diz ter sido obrigada a levantar R$ 100 mil sob ameaça

18/08/2026 04:30
Policial foragido teria sequestrado comerciante, mulher e crianças
Homem armado - Metrópoles

Homens armados, um deles de touca ninja, cercam um comerciante na zona leste de São Paulo. A vítima é imobilizada e colocada dentro de um Audi preto. Com ela estão a esposa, o filho recém-nascido e o enteado, de 8 anos.

A cena, registrada por uma testemunha e obtida pela coluna (assista abaixo), ocorreu em 2 de julho e é investigada como mais uma ação atribuída ao policial civil Rafael Juergen Schult, atualmente foragido após ter a prisão decretada por suspeita de participação no sequestro de um suposto traficante, na semana passada, também na zona leste paulistana.

Segundo fontes que acompanham as investigações, Schult é apontado como possível líder de um grupo armado com características de milícia. A Corregedoria Geral da Polícia Civil apura a atuação do agente e de pessoas ligadas a ele.

Um detalhe aproxima os dois episódios. Diante do Audi usado para levar o comerciante aparece o mesmo veículo que, segundo a investigação, seria uma viatura falsa utilizada depois no rapto do suposto traficante.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Mulher e crianças abandonadas

A coluna apurou que o comerciante teria sido confundido pelo grupo com um criminoso. A mulher e as duas crianças foram libertadas cerca de uma hora e meia depois, na região de Suzano. O comerciante permaneceu em poder do grupo e só foi solto após assumir o compromisso de entregar R$ 100 mil.

A cobrança continuou por WhatsApp. A coluna teve acesso a prints que a vítima atribui a Schult (veja galeria abaixo). Nas mensagens, o comerciante relata tentar vender o carro, a moto e até um par de óculos para levantar o valor exigido.  Ao dizer que conseguira apenas R$ 1 mil, recebe a resposta: “Sério isso. Se tá metendo o louco né?”.

Policial foragido teria sequestrado comerciante, mulher e crianças - destaque galeria
10 imagens
Policial foragido teria sequestrado comerciante, mulher e crianças - imagem 2
Policial foragido teria sequestrado comerciante, mulher e crianças - imagem 3
Policial foragido teria sequestrado comerciante, mulher e crianças - imagem 4
Policial foragido teria sequestrado comerciante, mulher e crianças - imagem 5
Policial foragido teria sequestrado comerciante, mulher e crianças - imagem 6
Policial foragido teria sequestrado comerciante, mulher e crianças - imagem 1
1 de 10

Reprodução/Arquivo Pessoal
Policial foragido teria sequestrado comerciante, mulher e crianças - imagem 2
2 de 10

Reprodução/Arquivo Pessoal
Policial foragido teria sequestrado comerciante, mulher e crianças - imagem 3
3 de 10

Reprodução/Arquivo Pessoal
Policial foragido teria sequestrado comerciante, mulher e crianças - imagem 4
4 de 10

Reprodução/Arquivo Pessoal
Policial foragido teria sequestrado comerciante, mulher e crianças - imagem 5
5 de 10

Reprodução/Arquivo Pessoal
Policial foragido teria sequestrado comerciante, mulher e crianças - imagem 6
6 de 10

Reprodução/Arquivo Pessoal
Policial foragido teria sequestrado comerciante, mulher e crianças - imagem 7
7 de 10

Reprodução/Arquivo Pessoal
Policial foragido teria sequestrado comerciante, mulher e crianças - imagem 8
8 de 10

Reprodução/Arquivo Pessoal
Policial foragido teria sequestrado comerciante, mulher e crianças - imagem 9
9 de 10

Reprodução/Arquivo Pessoal
Policial foragido teria sequestrado comerciante, mulher e crianças - imagem 10
10 de 10

Reprodução/Arquivo Pessoal

Dinheiro ou os veículos

As mensagens mostram que o interlocutor dá prazo para o pagamento e, diante da dificuldade da vítima, sugere dividir a quantia em duas parcelas de R$ 50 mil.

Depois, a cobrança muda. O comerciante poderia entregar o carro e a motocicleta. “Você deixa o carro, a moto, documento todo ok, certo. Dá transferência”, diz uma das mensagens.

O tom também se torna mais ameaçador. “Só que a gente te acha, disso eu tenho certeza”, afirma o interlocutor. Em outro trecho, há referência direta ao uso de uma ocorrência policial contra a vítima. “Quer que busque você agora, te mando pra cadeia num B.O. pior que esse”.

“Questão de honra”

No início da noite, o comerciante informa ter encontrado comprador para o carro por R$ 85 mil, mas diz que a venda só ocorreria depois. A resposta é agressiva. “Vou te mostrar como é que se resolve a coisa”.

O interlocutor afirma ainda que encontraria a vítima mesmo se ela fugisse e diz que a cobrança havia se tornado uma “questão de honra”.

Nos dias seguintes, as ameaças continuam. Em 6 de julho, uma das mensagens diz: “Vai dar dó de você quando a gente pôr a mão em você de novo”. Segundo a vítima, familiares também passaram a ser mencionados nas intimidações.

Outros casos

As conversas passaram a integrar um conjunto maior de suspeitas sobre Schult. Além desse episódio, ele é investigado pelo provável sequestro de um suposto traficante, rendido por homens armados e levado em uma Trailblazer.

Como revelou a coluna, a Corregedoria também já investigava Schult em outro procedimento, relacionado a uma operação do Departamento de Combate aos Narcóticos (Denarc) de 2023 na qual aparece uma mala com dinheiro.

Separadamente, os episódios seguem sob investigação. Em conjunto, porém, são analisados por investigadores como possíveis sinais de atuação reiterada de um grupo armado que, segundo fontes ouvidas pela coluna, teria Schult entre seus principais integrantes.