Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Alfredo Henrique

Réu por matar esposa pede sigilo após exposição “vexatória” na TV Globo

Advogado alega que a TV Globo divulgou imagens do coronel contra sua vontade e pede à Justiça que restrinja o acesso ao processo

14/10/2026 12:26
Reprodução/PMSP
Homem choroso - Metrópoles

A defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto pediu à Justiça paulista que decrete o sigilo do processo no qual o oficial é réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro.

Na solicitação feita pelo advogado Eugênio Malavasi, protocolada na noite de terça-feira (13/10), consta que o pedido do oficial para não ter sua imagem divulgada durante o interrogatório, ocorrido no último dia 5, foi desrespeitado com a veiculação de trechos pela imprensa.

Réu por matar esposa pede sigilo após exposição “vexatória” na TV Globo - destaque galeria
13 imagens
Réu por matar esposa pede sigilo após exposição “vexatória” na TV Globo - imagem 2
Réu por matar esposa pede sigilo após exposição “vexatória” na TV Globo - imagem 3
Réu por matar esposa pede sigilo após exposição “vexatória” na TV Globo - imagem 4
Tenente-coronel teve prisão decretada por morte da esposa, a PM Gisele
A soldado Gisele deixou uma filha de 7 anos, fruto de outro relacionamento
Soldado era casada com tenente-coronel, que estava no apartamento no momento do tiro
1 de 13

Soldado era casada com tenente-coronel, que estava no apartamento no momento do tiro

Arquivo Pessoal
Réu por matar esposa pede sigilo após exposição “vexatória” na TV Globo - imagem 2
2 de 13

Reprodução/Redes Sociais/TJSP
Réu por matar esposa pede sigilo após exposição “vexatória” na TV Globo - imagem 3
3 de 13

Arte/Alfredo Henrique/Metrópoles
Réu por matar esposa pede sigilo após exposição “vexatória” na TV Globo - imagem 4
4 de 13

Reprodução
Tenente-coronel teve prisão decretada por morte da esposa, a PM Gisele
5 de 13

Tenente-coronel teve prisão decretada por morte da esposa, a PM Gisele

Arquivo pessoal
A soldado Gisele deixou uma filha de 7 anos, fruto de outro relacionamento
6 de 13

A soldado Gisele deixou uma filha de 7 anos, fruto de outro relacionamento

Arquivo Pessoal
Soldado foi ferida com a arma do marido
7 de 13

Soldado foi ferida com a arma do marido

Arquivo Pessoal
Gisele foi socorrida e morreu no Hospital das Clínicas
8 de 13

Gisele foi socorrida e morreu no Hospital das Clínicas

Arquivo Pessoal
PM Gisele: novos depoimentos podem levar à expulsão de tenente-coronel
9 de 13

PM Gisele: novos depoimentos podem levar à expulsão de tenente-coronel

Arquivo Pessoal
Gisele foi encontrada morta em fevereiro
10 de 13

Gisele foi encontrada morta em fevereiro

Redes Sociais/Reprodução
Réu por matar esposa pede sigilo após exposição “vexatória” na TV Globo - imagem 11
11 de 13

Arte/Metrópoles
Gisele Alves Santana
12 de 13

Gisele Alves Santana

Reprodução/Redes Sociais
Réu por matar esposa pede sigilo após exposição “vexatória” na TV Globo - imagem 13
13 de 13

Reprodução/Polícia Civil

O documento, ao qual a coluna teve acesso, cita especificamente o programa Fantástico, da TV Globo, exibido no domingo (11/10). Segundo a defesa, a reportagem mostrou imagens do tenente-coronel mesmo depois de ele ter manifestado à Justiça que não autorizava a exposição.

Família e Gisele questiona pedido

O advogado Miguel Silva afirmou à coluna, no início da tarde desta quarta-feira (14/10), que a família da soldado Gisele se “opõe firmemente” ao pedido de sigilo feito pelo coronel.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

“O desconforto do acusado com a repercussão do caso não pode justificar a restrição ao direito da sociedade à informação. A proteção da imagem não deve servir de pretexto para impedir o escrutínio público. Seguiremos cobrando transparência, verdade e justiça por Gisele”, afirmou.

Imagens do coronel

Na petição, Malavasi sustenta que a imagem de Geraldo Neto, preso e usando uniforme carcerário, foi explorada de maneira vexatória.

A defesa também questiona o fato de o programa ter ocultado os rostos de policiais militares, bombeiros e outros servidores públicos, mas mantido visível o do acusado.

“A imagem do acusado foi espetacularizada”, afirma o advogado, que também menciona a divulgação de gravações de câmeras corporais, trechos de laudos periciais e do áudio da ligação feita pelo coronel ao Copom no dia da morte da esposa.

Diante da exposição, a defesa solicitou que a Justiça restrinja o acesso aos autos para preservar o direito de imagem do oficial, com fundamento na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Até a publicação desta reportagem, o pedido de sigilo ainda não havia sido deferido pela Justiça.

Novas provas

Além do sigilo, Malavasi apresentou sete pedidos à Justiça, entre eles o acesso integral aos dados extraídos dos celulares apreendidos. O advogado questiona a suposta supressão de contexto de mensagens de WhatsApp incluídas em um laudo pericial.

A defesa também quer informações sobre a experiência de uma testemunha de acusação em ocorrências de suicídio, estatísticas de mortes de policiais militares por disparos na cabeça e a confirmação de supostas dívidas bancárias de Gisele, mencionadas pelo réu durante o interrogatório.

Outro pedido busca esclarecer a altura oficial da soldado, que, segundo o coronel, seria diferente daquela registrada no laudo pericial.

Coronel segue preso

O pedido de sigilo ocorre após a Justiça negar a liberdade de Geraldo Neto, preso preventivamente desde 18 de março.

Conforme mostrou a coluna, a juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro, da 5ª Vara do Júri da Capital, considerou que ainda existe risco de interferência nos depoimentos de testemunhas.

Na decisão, a magistrada destacou que o próprio coronel admitiu ter tentado contato com uma policial militar amiga de Gisele para apresentar sua versão dos acontecimentos.

Para a Justiça, mesmo com o encerramento dos depoimentos da fase de instrução, as testemunhas poderão ser ouvidas novamente caso o oficial seja levado a júri popular.

Com a liberdade negada, Geraldo Neto permanece preso enquanto o processo avança para as manifestações finais das partes.