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Alfredo Henrique

"Não aguento mais ficar preso", diz coronel réu pelo feminicídio da esposa.

Oficial da Polícia Militar prestou último depoimento à Justiça comum, antes da viabilização de seu julgamento pela morta da soldado Gisele

13/10/2026 12:42
Reprodução/TJP
Homem com semblante choroso e camiseta amarela - Metrópoles

“Para mim todo dia parece um pesadelo em que eu vou acordar e isso não tá acontecendo, não aguento mais ficar preso”. Com essa frase o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto concluiu seu interrogatório, que durou cerca de oito horas, no último dia 6 (assista abaixo). Na ocasião,  ele estava há 202 dias atrás da grades, no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte paulistana.

Nitidamente mais magro, após perder 16 quilos, como ele mesmo afirmou, o oficial manteve a versão de que a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, teria se matado, com um tiro na cabeça, em 18 de fevereiro na sala do apartamento onde o casal morada, no centro da capital paulistana. Geraldo Neto foi preso um mês depois. Ele é réu pelo feminicídio da companheira e, também, por fraude processual.

“Eu tô preso há 202 dias. Sem ter cometido crime nenhum, doutora. E assim…eu sempre trabalhei honestamente, desde que eu sou criança. Comecei a trabalhar com 10 anos de idade e nunca cometi um crime”, afirmou o tenente-coronel à Justiça comum.

No depoimento, assim como em outras ocasiões com a Jsutiça, o oficial questionou as provas coletadas durante a investigação. Ele chegou a sugerir que marcas no pescoço de Gisele teriam sido feitas pelo advogado da família da soldado, Miguel Silva, no necrotério, com o intuito de incriminar o oficial.

Versão de suicídio colocada em dúvida

As suspeitas de que a soldado não teria se matado surgiram desde o momento em que a primeira equipe de socorristas chegou ao local onde ela estava mortalmente ferida, o bairro do Brás.

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O bombeiro Rodrigo Almeida Rodrigues decidiu adiar o atendimento emergencial por alguns instante, pedindo para a equipe de socorristas aguardar, enquanto ele fotografava a cena com o celular.

A decisão, tomada em segundos, nasceu da desconfiança. Com 15 anos de atuação no Corpo de Bombeiros, habituado a lidar com homicídios, acidentes e suicídios, Rodrigues disse em depoimento à Polícia Civil que a cena que encontrou não se parecia com nenhuma que já havia atendido.

O registro fotográfico acabou preservando detalhes que ajudam a colocar em dúvida a versão de suicídio apresentada pelo tenente-coronel da PM Geraldo Neto, marido da soldado que jazia no chão.

Laudos periciais reforçaram a desconfiança do socorrista, indicando, segundo a dinâmica da cena, ser inviável que Gisele tivesse atirado contra a própria cabeça. Ela foi levada de helicóptero ao Hospital das Clínicas, onde morreu cerca de quatro horas e meia após o tiro.

A versão do coronel

Deste então o oficial da PM sustenta que Gisele teria encontrado a arma dele dentro do apartamento e efetuado o disparo contra a própria cabeça.

De acordo com essa versão, a arma estaria guardada sobre o guarda-roupa  e a soldado teria conseguido pegá-la porque o quarto estava destrancado naquele dia.

A motivação para o tiro, defendida até o momento pelo coronel, seria o fato de Gisele não ter aceitado o fim do relacionamento, supostamente proposto por Geraldo Neto.

Mensagens trocadas entre o casal, porém, deslegitimam as afirmações do tenente-coronel. As conversas constam no processo conduzido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.