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Alfredo Henrique

Coronel réu por feminicídio de soldado Gisele acumula 9 transgressões na PM

Registros vão de 2000 a 2024 e incluem deixar área de serviço e faltar com a verdade em apuração interna; oficial diz que esposa se matou

14/09/2026 13:04
Reprodução/TJM
Homem branco cabelo curto, trajando camiseta amarela com ambas as mãos para o alto. Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto - Metrópoles

Preso e réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto acumula nove transgressões disciplinares registradas pela Polícia Militar ao longo de 24 anos. São duas classificadas como graves e sete como médias, segundo documento da Corregedoria, anexado nesta segunda-feira (14/9) ao processo criminal que apura a morte da policial.

O Registro de Informações de Punições de Oficiais, consultado pela coluna, reúne ocorrências entre 2000 e 2024. A ficha foi encaminhada pela Divisão de Controle Funcional da Corregedoria da PM à 5ª Vara do Júri, responsável pela ação penal contra Geraldo.

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Publicação no Diário Oficial garante salário integral ao coronel, que somou mais de R$ 28 mil, enquanto a PM Gisele recebia R$ 7 mil
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Publicação no Diário Oficial garante salário integral ao coronel, que somou mais de R$ 28 mil, enquanto a PM Gisele recebia R$ 7 mil

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Falta grave e mentira em 2024

A anotação mais recente é de novembro de 2024. À época major, Geraldo exercia temporariamente a função de coordenador operacional do 48º Batalhão da Polícia Militar Metropolitano (48º BPM/M) e, segundo a ficha, afastou-se da área em que deveria permanecer durante a escala.

O documento aponta ainda que ele “faltou com a verdade” durante uma sindicância ao afirmar que estava autorizado a se deslocar para a área do 39º BPM/M nos períodos investigados.

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As duas condutas foram enquadradas, respectivamente, como uma transgressão grave e outra média. A punição aplicada foi de um dia de permanência disciplinar. Ou seja, sanção que obriga o militar a permanecer na unidade da PM, sem afastá-lo das atividades de serviço.

Punições desde 2000

O primeiro registro da ficha é de outubro de 2000, quando Geraldo recebeu um dia de detenção por uma transgressão considerada grave. Segundo a PM, ele teria se portado “de modo inconveniente” diante de um superior hierárquico ao alegar que só compareceria à Corregedoria mediante ordem judicial.

Em 2005, há três transgressões médias. Entre elas, consta que Geraldo deixou de cumprir determinação contida em despacho oficial, deixou de elaborar documento sobre alteração de escala de serviço e, em outro episódio, teria deixado de transmitir ao sucessor novidades do serviço.

A ficha registra ainda transgressões médias em 2009, 2013 e 2014. Em uma delas, de 2013, ele foi punido após desacreditar policiais de outra unidade durante revista de tropa ao afirmar que preferia trabalhar com conhecidos, alegando que os militares à disposição seriam “policiais mal preparados”.

Preso e réu por feminicídio

Geraldo está preso desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista. Ele responde na Justiça comum pelo feminicídio de Gisele, morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal morava, no centro paulistano.

O tenente-coronel sustenta que a esposa se matou após uma discussão do casal, após ele supostamente terminar o relacionamento com ela. A Polícia Militar, porém, afirmou em representação encaminhada à Secretaria da Segurança Pública haver “fortes indícios” de que Geraldo teria sido o responsável pelo disparo.

Possível demissão e perda de patente

Além da ação criminal, incluindo fraude processual, o oficial responde a um Conselho de Justificação, instaurado em 31 de março pelo secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves. O procedimento avalia se Geraldo reúne condições para permanecer como oficial da PM e pode, em etapas posteriores, levar à perda do posto e da patente.

Em depoimento à Corregedoria, Geraldo também negou acusações relacionadas ao relacionamento com Gisele. Disse que um vídeo no qual aparece apontando uma arma para a própria cabeça poderia ter sido produzido por inteligência artificial e chegou a sugerir que marcas encontradas no pescoço da esposa teriam sido produzidas no necrotério para incriminá-lo.