Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Alfredo Henrique

Coronel diz que marcas em PM Gisele foram feitas por advogado no necrotério.

Tenente-coronel está preso suspeito de matar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, com um tiro na cabeça em fevereiro deste ano

11/09/2026 19:18
Arte/Metrópoles
Arte gráica em que foto de casal está rasgada ao meio - Metrópoles

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa — a soldado Gisele Alves Santana — sugeriu que o advogado da família da vítima teria ido ao necrotério, onde estava o corpo da policial militar, para marcar o pescoço do cadáver e produzir uma prova contra o oficial.

A afirmação foi feita no Presídio Militar Romão Gomes, onde Geraldo está preso e prestou depoimento à Corregedoria da Corporação, por meio de um chamada de vídeo obtida pela coluna (assista abaixo).

“A maldade daquele advogado da família [da Gisele], que não sei se chegou ao ponto de irem lá no necrotério e fazer alguma lesão no corpo. Eu não fui no necrotério. Eu penso nisso, deles terem ido lá e propositalmente […] vejam as imagens do necrotério para ver se eles não foram lá e, intencionalmente, não apertaram o pescoço para fazer prova contra mim”.

Além do tiro na cabeça, o pescoço de Gisele estava com marcas, compatíveis com as feitas por meio de esganadura. A perícia técnica sugere que ela foi segurada pelo pescoço, quando foi mortalmente ferida. No momento do crime — ocorrido em 18 de fevereiro — estavam no apartamento, localizado no centro paulistano, somente Geraldo e a esposa.

Coronel sugere perseguição

Durante todo o depoimento à Justiça Militar, que durou cerca de duas horas, Geraldo Neto afirma que Gisele se matou e sugere que, além do advogado da família dela, até mesmo peritos teriam formatado seu celular para incriminá-lo.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Ele segue preso no Presídio Militar Romão Gomes, réu pelo feminicídio de Gisele e por fraude processual. Seu depoimento oficial à Justiça comum, que julga a morte da soldado, foi adiado três vezes e reagendado para o próximo dia 5.

O que diz advogado da família de Gisele

O advogado Miguel Silva afirmou à coluna, nesta sexta-feira (11/9), que a fala do coronel “é descabida” e “um absurdo”.

“Ele está querendo me misturar com ele. Sou advogado, não assassino, nem bandido”.

Miguel Silva acrescentou que, no dia em que Gisele foi assassinada, estava fora de São Paulo, acompanhado da esposa, aproveitando o feriado. Ele foi contatado pela família da vítima somente no dia seguinte ao feminicídio, quando foi ao velório da soldado, no período noturno.

“A acusação dele é descabida. Mostra o desespero para justificar o injustificado. Para ele, todo mundo mente, só ele fala a verdade”, disse o advogado, acrescentando que, para Geraldo Neto, a Polícia Civil, o primeiro bombeiro que socorreu Gisele e a perita do caso seriam “tendenciosos”.

As provas técnicas, levantadas durante a investigação do caso — incluindo imagens de câmeras corporais de PMs —  enfraquecem o relato do tenente coronel. Ele foi preso, um mês após a morte da esposa, em cumprimento a um mandado de prisão.

Coronel diz que marcas em PM Gisele foram feitas por advogado no necrotério