PM Gisele: processo aberto por delegado Nico avança contra coronel preso
Secretário Nico instaurou Conselho de Justificação contra Geraldo Leite Rosa Neto, preso e réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele

O Conselho de Justificação que pode levar à perda do posto e da patente do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, avançou no último 3 de setembro. O presidente do colegiado pediu à Justiça acesso às provas do processo criminal contra o oficial para utilizá-las também no julgamento administrativo — que será retomado no próximo dia 14, às 9h, por videoconferência.
O procedimento foi instaurado em 31 de março pelo secretário da Segurança Pública de São Paulo, o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, que determinou “submeter” Geraldo ao Conselho e nomeou três coronéis para compor o grupo. A documentação passou a constar nos autos do processo criminal no fim da tarde de quarta-feira (9/9).
Geraldo está preso desde 18 de março, quando foi detido pela Corregedoria da PM em São José dos Campos, no interior paulista, e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital. A própria representação do comando da PM afirma que os elementos reunidos indicam “fortes indícios” de que ele teria sido o responsável pelo disparo que matou Gisele.
Provas emprestadas
No ofício de 3 de setembro, obtido pela coluna, o presidente do Conselho, coronel Carlos Alexandre Marques, solicita à 5ª Vara do Júri acesso ao processo criminal na forma de “prova emprestada”. Ou seja, o Conselho quer usar no processo disciplinar provas já reunidas e discutidas na ação penal contra Geraldo.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO Conselho de Justificação funciona como uma espécie de julgamento administrativo sobre a permanência de um oficial na corporação. Geraldo terá direito à defesa e à produção de provas. Uma eventual conclusão desfavorável não retira automaticamente sua patente, mas pode levar, em etapas posteriores, à perda dela e do posto.
Depoimento adiado três vezes
Na Justiça comum, Geraldo responde pelo feminicídio de Gisele. Seu interrogatório foi adiado pela terceira vez após a defesa pedir novas diligências e complementação da perícia. O depoimento, antes previsto para 8 de setembro, foi remarcado para 5 de outubro.
Gisele foi encontrada caída no chão da sala do apartamento onde vivia com Geraldo, no centro da capital, com uma pistola junto à mão direita e grande quantidade de sangue ao redor da cabeça. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu.
Versão sob suspeita
Geraldo afirmou que, após uma discussão com a esposa, entrou no banho, ouviu um barulho e encontrou Gisele caída ao sair do banheiro. Para a PM, porém, a versão não se sustenta diante das provas reunidas.
O disparo teria ocorrido por volta das 7h28, enquanto os primeiros contatos com os serviços de emergência ocorreram cerca de 29 minutos depois. Nesse intervalo, segundo a representação, o coronel tentou falar com terceiros, entre eles um oficial superior e um desembargador.
A corporação cita ainda imagens do condomínio nas quais Geraldo aparece primeiro ao telefone e depois com os cabelos molhados, além de registros de câmeras corporais mostrando que ele manifestou intenção de tomar banho e trocar de roupa durante o atendimento.
Policiais o advertiram a não fazer isso para preservar possíveis provas. As orientações, porém, não foram ouvidas, como consta ainda nos registros das câmeras corporais.





















