Novo laudo reforça que PM Gisele foi morta: “evento suicida” é descartado
Perícia feita após novos questionamentos da defesa de oficial da PM diz que vestígios sustentam intervenção de uma segunda pessoa

Um novo laudo da Polícia Científica de São Paulo reforçou que a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana não tirou a própria vida. O documento, juntado ao processo nessa terça-feira (1º/9), afirma que os vestígios encontrados no apartamento onde ela foi baleada contradizem a hipótese de suicídio e permanecem compatíveis com a intervenção de uma segunda pessoa.
O exame é uma novidade no processo contra o tenente-coronel da reserva Geraldo Leite Rosa Neto (imagem em destaque), marido de Gisele e réu pela morte da policial. Ele segue preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte paulistana.
Na segunda-feira (31/8), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou um pedido de liberdade apresentado pela defesa e manteve a custódia por considerar existente risco concreto de interferência na produção das provas.
Questionamentos da defesa
O novo documento, obtido pela coluna, foi produzido justamente depois de questionamentos apresentados pela defesa de Geraldo.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEm 2 de julho, o advogado do tenente-coronel pediu que a perita Amanda Rodrigues Marinone respondesse a novos quesitos formulados pelo assistente técnico defensivo.
A própria manifestação da defesa afirma que os questionamentos anteriores já haviam sido respondidos, mas que as respostas trouxeram novos detalhes sobre métodos, critérios de interpretação e fundamentos técnicos da reprodução simulada. O resultado, anexado nessa terça no processo, porém, não mudou a principal conclusão da perícia.
Segundo Marinone, a hipótese de suicídio foi submetida ao confronto com os vestígios e “falsificada por incompatibilidades materiais”. Já a possibilidade de participação de uma segunda pessoa resistiu ao mesmo teste, sem que fosse encontrado elemento material capaz de contradizê-la.
Sangue, fotos e apartamento em 3D
A perita também reforçou que a conclusão não depende apenas das manchas de sangue. Foram considerados, em conjunto, os diferentes vestígios e exames produzidos no caso.
Para reconstruir o apartamento, a Polícia Científica utilizou um scanner tridimensional e comparou as configurações da cena apresentadas por Geraldo Neto, a descrita pelos primeiros socorristas e a indicada pelas fotografias feitas após o disparo. O modelo foi construído a partir de 26 pontos de escaneamento, com erro médio global de apenas 0,7 milímetro.
Ao responder diretamente à defesa, Marinone foi taxativa ao afirmar que o conjunto formado pelos padrões de sangue e pelos demais elementos objetivos “contradizem a hipótese de evento suicida”.
Geraldo foi preso em março, um mês após a esposa ser encontrada mortalmente ferida, na sala do apartamento onde morava com o oficial.
Ao manter a prisão, no início dessa semana, o STJ citou a posição elevada ocupada pelo tenente-coronel na hierarquia da PM e a suspeita de condutas destinadas à eliminação de vestígios e alteração da cena.
O interrogatório de Geraldo Neto está marcado para o próximo terça-feira (8/9), após dois adiamentos. Ele mantém, assim como sua defesa, a versão de que Gisele se matou por não aceitar o fim do relacionamento com o oficial.




























