Justiça concede liminar que impede governo de demitir Delegado Da Cunha
Demissão do Carlos Alberto da Cunha, o Delegado da Cunha, foi publicada pelo governador Tarcísio de Freitas no Diário Oficial do Estado

O deputado federal Carlos Alberto da Cunha (União-SP), conhecido como Delegado Da Cunha, obteve uma decisão liminar favorável que determina que o governo de São Paulo o mantenha no quadro da Polícia Civil. A demissão do delegado havia sido publicada nesta quinta-feira (3/9), no Diário Oficial do Estado, após o governo considerar procedentes as acusações feitas contra o parlamentar em processo administrativo.
Ao conceder a liminar, o juiz Álvaro Torres Júnior, relator do recurso, sustenta que o processo administrativo que baseou a demissão utilizou novas provas sem ouvir a defesa do acusado. “A medida ora adotada tem caráter estritamente conservativo, pois não antecipa o exame definitivo da controvérsia nem impede o regular prosseguimento do feito administrativo, mas apenas evita a consumação do ato cuja legalidade constitui objeto da impetração”, escreveu o magistrado.
Da Cunha recebeu a pena de demissão a bem do serviço público, uma das punições previstas no Estatuto da Polícia Civil paulista. Na prática, o governo considerou que ele cometeu irregularidade grave, além de enquadrar sua conduta em dispositivos que tratam da revelação intencional de informações sigilosas conhecidas por causa do cargo, com prejuízo ao Estado ou a particulares, e da prática de ato definido em lei como improbidade.
Procurado pela coluna, o parlamentar afirmou, em mensagem, que a demissão resultou de “perseguição política”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA publicação menciona ainda um parecer e um despacho da Assessoria Jurídica do Governo, de 1º de setembro, como parte da documentação que embasou a decisão.
Da Cunha estava licenciado da instituição e ganhou projeção nacional ao publicar vídeos de operações policiais nas redes sociais, antes de ser eleito deputado federal, em 2022.
Vídeos, Corregedoria e encenação
A exposição nas redes também colocou o delegado no centro de uma série de investigações.
Em 2020, Da Cunha foi acusado de obrigar a vítima de um sequestro e um criminoso a retornarem a um cativeiro já desativado para que a ação policial fosse reencenada e gravada. Ele admitiu ter feito uma reprodução da ocorrência. O processo judicial relacionado ao episódio acabou arquivado em 2024.
Em 2021, foi afastado das ruas e teve arma e distintivo recolhidos. À época, respondia a procedimentos na Corregedoria por suspeitas relacionadas ao uso da estrutura da Polícia Civil em gravações para suas redes. Naquele ano, pediu licença não remunerada.
Réu por violência doméstica
Já deputado federal, Da Cunha tornou-se réu por violência doméstica contra a ex-companheira Betina Grusiecki. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) o denunciou por lesão corporal, ameaça e dano qualificado. Ele nega as acusações.
Em fevereiro de 2026, sua participação na reinauguração de uma Delegacia de Defesa da Mulher, em São Paulo, provocou críticas de entidades ligadas ao combate à violência contra mulheres.






















