Delegado da Cunha afirma que "perseguição política" provocou sua demissão
Parlamentar foi desligado da Polícia Civil a bem do serviço público, segundo publicação do Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (3/9)

Demitido da Polícia Civil de São Paulo, conforme publicado na edição desta quinta-feira (3/9) do Diário Oficial do Estado, o deputado federal Carlos Alberto da Cunha (União-SP) afirmou que “perseguição política” teria embasado a decisão, assinada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicados).
O agora ex-policial é conhecido no mundo político como Delegado da Cunha e ficou famoso nas redes sociais ao compartilhar sua rotina como então membro da instituição.
Procurado pela coluna, na tarde desta quinta-feira (3/9), o parlamentar afirmou que iria encaminhar uma nota oficial, se posicionando sobre a decisão do governo estadual. Antes disso, resumiu o episódio como “perseguição política”.
A nota não havia sido encaminhada até a publicação deste texto, que será atualizado assim que o posicionamento oficial for encaminhado.
“A bem do serviço público”
Como revelou a coluna, Da Cunha recebeu a pena de demissão a bem do serviço público, uma das punições previstas no Estatuto da Polícia Civil paulista.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNa prática, o governo considerou que ele cometeu irregularidade grave, além de enquadrar sua conduta em dispositivos que tratam da revelação intencional de informações sigilosas conhecidas por causa do cargo, com prejuízo ao Estado ou a particulares, e da prática de ato definido em lei como improbidade.
A publicação menciona ainda um parecer e um despacho da Assessoria Jurídica do Governo, de 1º de setembro, como parte da documentação que embasou a decisão.
Vídeos, Corregedoria e encenação
A exposição nas redes também colocou o delegado no centro de uma série de investigações.
Em 2020, Da Cunha foi acusado de obrigar a vítima de um sequestro e um criminoso a retornarem a um cativeiro já desativado para que a ação policial fosse reencenada e gravada. Ele admitiu ter feito uma reprodução da ocorrência. O processo judicial relacionado ao episódio acabou arquivado em 2024.
Em 2021, foi afastado das ruas e teve arma e distintivo recolhidos. À época, respondia a procedimentos na Corregedoria por suspeitas relacionadas ao uso da estrutura da Polícia Civil em gravações para suas redes. Naquele ano, pediu licença não remunerada.
Réu por violência doméstica
Já deputado federal, Da Cunha tornou-se réu por violência doméstica contra a ex-companheira Betina Grusiecki. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) o denunciou por lesão corporal, ameaça e dano qualificado. Ele nega as acusações.
Em fevereiro de 2026, sua participação na reinauguração de uma Delegacia de Defesa da Mulher, em São Paulo, provocou críticas de entidades ligadas ao combate à violência contra mulheres.





















