Grávida, PM que matou Thawanna segue desarmada e recolhida em casa
Defesa confirma gestação de Yasmin Cursino e diz que condição “não muda nada” no processo pela morte da ajudante-geral

Suspensa da Polícia Militar após matar a ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, a soldado Yasmin Cursino Ferreira, 21, está grávida de cerca de quatro meses. Ela acompanha os desdobramentos do caso recolhida em casa e proibida de portar arma de fogo, por determinação judicial.
À coluna, o advogado Luiz Nakaharada afirmou que a gestação “não muda nada” no andamento do caso.
“Isso não alivia a denúncia ou a defesa. Tomamos os cuidados de praxe, porque é uma pessoa que está grávida, que requer cuidado. De resto, vida normal”, disse.
“Pronto e acabou”
Yasmin matou Thawanna durante uma abordagem, em 3 de abril, em Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo. A soldado sustentou ter agido em legítima defesa após ser agredida pela ajudante-geral.
Imagens registradas pela câmera corporal do parceiro de Yasmin, o soldado Weden Silva Soares, porém, mostram uma dinâmica que destoa dos relatos dos PMs.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesPor volta das 3h, o retrovisor do carro ocupado pelos PMs atinge o marido de Thawanna. Weden para a viatura, retorna e inicia uma discussão com ele. Yasmin desembarca e, durante a confusão, atira contra a ajudante-geral. Logo após o disparo, Weden questiona a colega: “Você atirou nela? Por quê?”
Nesta segunda-feira (10/8), Nakaharada voltou a sustentar que Yasmin agiu de forma legítima. “Não teve acidente, não teve nada disso, a vítima veio arrebatar a arma e ela [soldado Yasmin] agiu em estrito cumprimento do dever legal, pronto e acabou”, afirmou.
Perícia travada
A gravação que registra a ocorrência também está no centro de outro impasse revelado pela coluna.
Há mais de dois meses, o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) tenta obter da Polícia Militar o arquivo da câmera de Weden em formato adequado para perícia. A Justiça determinou em 26 de maio que a corporação entregasse somente o trecho compreendido entre dez minutos antes e uma hora depois do disparo.
O Ministério Público de Sâo Paulo (MPSP) afirmou que a PM havia enviado um volume “descomunal” de arquivos, inviabilizando o trabalho pericial, e demonstrou “indignação” porque as imagens circularam na televisão enquanto os investigadores enfrentavam dificuldades para acessá-las.
A diligência foi apontada pela própria Justiça como a única pendência para o interrogatório de Yasmin e a conclusão do inquérito. Após o descumprimento da primeira determinação, um novo prazo de 15 dias foi concedido para a entrega do material.


















