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Alfredo Henrique

“É desumano”: mãe reage a novo arquivamento sobre morte de jovem em quartel

Mãe de soldado morto em quartel acusa tentativa de encobrimento; Promotoria afirma não haver provas novas para reabrir investigação

05/11/2026 14:17
Arquivo Pessoal
Mulher loira, com os cabelos presos e usando óculos escuros, sorri ao lado de jovem com farda do Exército brasileiro - Metrópoles

“É revoltante, é desumano.” A frase é de Juliana Korosi Paiva, mãe do soldado Christian de Paiva Korosi, morto aos 19 anos dentro de um quartel do Exército, em São Paulo. Há dois anos e quatro meses, ela tenta provar que o filho não cometeu suicídio, como concluiu a investigação militar.

A indignação ganhou força após o Ministério Público Militar (MPM) rejeitar mais um pedido para reabrir o caso. A decisão, assinada nessa quarta-feira (4/11), considera que um novo parecer técnico apresentado pela família não trouxe provas inéditas capazes de justificar outra investigação.

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Mãe e filho em um fim de semana em casa
Juliana, Christian e a irmã mais nova, Izadora
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“Eu tô muito nervosa … porque tiraram a vida do meu filho lá e estão fazendo de tudo para esconder isso”, desabafou Juliana à coluna, na manhã desta quinta-feira (5/11).

Christian morreu em 27 de julho de 2024, atingido por um tiro de fuzil na cabeça, enquanto trabalhava como sentinela no 2º Batalhão de Suprimento, na zona oeste paulistana.

O que diz o Ministério Público

O promotor Renato Brasileiro de Lima sustenta que o novo documento apresentado pela família apenas questiona conclusões periciais já analisadas anteriormente.

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Segundo ele, a elaboração de outro parecer por uma entidade privada não representa, por si só, uma prova nova. A Promotoria afirma que os laudos oficiais e os depoimentos colhidos apontam para suicídio, sem evidências de participação de terceiros.

A decisão determina o arquivamento do novo atendimento e estabelece prazo de dez dias para eventual recurso.

Carta anônima

Juliana questiona a falta de acolhimento e também mencionou ter recebido uma carta anônima na qual o autor, que se diz soldado, afirma que estava no quartel no dia da morte.

Segundo a mãe, o documento relata supostas perseguições e humilhações praticadas por dois tenentes contra Christian, além de mencionar câmeras de segurança que estariam funcionando e o possível apagamento de evidências.

“Todo mundo sabe o que aconteceu e tem medo de falar”, afirmou Juliana, ao reproduzir o conteúdo atribuído ao militar.

Ela questiona quais provas ainda seriam necessárias para convencer as autoridades a investigar novamente a morte.

Nova frente de luta

Paralelamente, Juliana procurou a Defensoria Pública da União (DPU), denunciando supostas irregularidades na investigação.

Em relatório de setembro, a DPU registrou questionamentos sobre a apuração e relatos de possíveis perseguições ao soldado. O órgão, porém, considerou insuficientes os documentos disponíveis para concluir pela existência de violações de direitos humanos e solicitou novos elementos à família.

Juliana pretende encaminhar também a recente negativa do MPM à Defensoria, enquanto aguarda resposta sobre sua denúncia.

“Dois anos e quatro meses que eu não tenho meu filho, dois anos e quatro meses que eu luto”, lamentou.

Contradições apontadas no laudo

Como já revelou o Metrópoles, a perícia particular contratada pela família do soldado identificou inconsistências na investigação do Exército, incluindo sinais de tiro encostado e de disparo à curta distância descritos no laudo oficial, divergências sobre a trajetória do projétil e falhas na preservação da cena.

O parecer também questionou a demora de 58 dias para o envio do fuzil à perícia e a entrega do celular de Christian à família somente sete meses após a morte, sem que o aparelho tivesse sido periciado.

Esses apontamentos, porém, já foram analisados pelo Ministério Público Militar, que considera não haver elementos novos suficientes para justificar a reabertura do caso.