Promotoria mantém arquivado caso sobre morte de soldado em quartel

Jovem foi encontrado morto, com um tiro na cabeça, em guarita na qual trabalhava em São Paulo; família questiona versão oficial de suicídio

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1 de 1 Arte gráfica de mulher loira beijando jovem fardado com roupa do exército - Metrópoles - Foto: Arte Gabriel Lucas/Metrópoles

O Ministério Público Militar (MPM) negou o pedido de reabertura do inquérito que apura a morte do soldado do Exército Christian de Paiva Korosi, ocorrida em 27 de julho de 2024, dentro de uma guarita do 2º Batalhão de Suprimento, em São Paulo. A decisão contraria a família, que há quase dois anos tenta afastar a versão oficial de suicídio, atribuída pelo Exército ao jovem.

No parecer mais recente, o órgão sustenta que não surgiram “provas novas” capazes de justificar a reabertura do caso, requisito indispensável após o arquivamento já homologado pela Justiça Militar. Segundo o MPM, os questionamentos apresentados pela família — ainda que numerosos — se limitam, em essência, a interpretações divergentes sobre provas já existentes.

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A tentativa de reabrir a investigação foi reforçada por um parecer técnico particular, contratado pelos familiares, além de ofícios encaminhados à Procuradoria Militar com apoio de parlamentares. Nos relatórios, a família aponta uma série de supostas falhas graves na apuração conduzida pelo Exército e pede novas diligências, como reconstrução da cena e perícias independentes.

Lacunas e dúvidas

Entre os principais pontos levantados pela perícia privada, estão: lacunas na análise do local, dúvidas sobre a trajetória do disparo e questionamentos sobre a cadeia de custódia de evidências.

A família também afirma que não houve envio adequado de peças para exame balístico — como projéteis ou fragmentos — o que, segundo eles, comprometeria a reconstituição técnica da dinâmica da morte.

Outras inconsistências citadas incluem ausência de reconstrução da cena, posição considerada incompatível da cápsula deflagrada, dúvidas sobre o posicionamento da arma, divergências sobre a altura do soldado e até o desaparecimento temporário do celular da vítima por cinco dias. Também foram apontadas, pela família, possíveis contradições em exames toxicológicos e ausência de teste de DNA na arma.

Apesar disso, o MPM rebateu ponto a ponto as alegações. Para o órgão, não há qualquer evidência concreta de participação de terceiros, nem elementos que indiquem homicídio ou induzimento ao suicídio.

A investigação oficial concluiu que Christian estava sozinho na guarita e que o conjunto probatório — incluindo laudos periciais, posição do corpo, presença de resíduos de disparo e funcionamento regular da arma — é compatível com a hipótese de autoeliminação.

Um dos argumentos centrais da família, a possibilidade de mais de um disparo, também foi descartado. De acordo com manifestação complementar do Ministério Público, apenas um estojo deflagrado foi encontrado na cena, o que reforça a conclusão de que houve um único tiro.

Um ano e 8 meses sem respostas

Ainda assim, a dor da família permanece no centro da disputa. A mãe do soldado trava uma batalha para que a morte do filho não seja registrada como suicídio — uma marca que, para ela, além de injusta, desconsidera dúvidas que seguem sem resposta na visão dos familiares.

“Meu filho não está mais aqui pra contar o que realmente aconteceu naquele dia, mas eu estou. O que aconteceu com meu filho precisa ser esclarecido. Estou há um ano e oito meses sem respostas. Não peço nada além do que é justo. Só quero respostas e a reabertura do caso, com uma investigação séria e transparente. Isso é um dever do estado. Luto todos os dias, porque a verdade precisa aparecer. Nenhuma mãe deveria implorar por respostas e investigar sozinha sobre a morte do filho, como faço há um ano e oito meses”, afirmou Juliana Korosi.

Mesmo diante da pressão e dos pedidos reiterados, o MPM afirmou que, sem a apresentação de fatos novos ou provas inéditas, o caso deve permanecer arquivado.

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