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Em 1º de dezembro, comemorou-se o Dia Mundial de Luta contra a Aids e, neste ano, a data veio acompanhada de excelente notícia. Houve redução de 16% no número de detecções nos últimos 6 anos, segundo o Ministério da Saúde. Porém, na contramão da boa notícia, ainda é necessário trabalharmos contra o preconceito.

Entenda melhor os dados: em 2012, a taxa de detecção era de 21,7 casos por cada 100 mil habitantes, já em 2017, foram 18,3, redução de 15,7%. E nos últimos quatro anos, também houve queda de 16,5% na taxa de mortalidade causada pela síndrome, passando de 5,7 mortes por 100 mil habitantes em 2014 para 4,8 óbitos, em 2017.

O Brasil é referência mundial tanto para o tratamento de pessoas infectadas como na prevenção. Seus programas não são perfeitos, mas com certeza é algo digno de orgulho e que precisa ser mantido. Declarações do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), sobre a diminuição de investimentos no combate da doença no Sistema Único de Saúde (SUS) preocupam, dado que a pauta sobre Aids interessa a toda a população, não apenas aos LGBTs, como ainda o preconceito de alguns insiste em afirmar.

É importante sempre lembrar que o SUS dá suporte total às pessoas infectadas: exame para detecção, remédios grátis e apoio psicológico. Agora temos acesso à PrEP – Profilaxia Pré Exposição e também sabemos que, quando a pessoa infectada está com a carga viral indetectável, a doença deixa de ser transmissível.

Apesar de todos esses dados positivos, a vida do HIV positivo ainda é rodeada pela ignorância e o preconceito. Eu já amparei duas pessoas que me procuraram ao receber o diagnóstico. Depois de explicar a elas os procedimentos para buscar ajuda, elas seguiam desejando a morte por medo de encarar as outras pessoas. Porém, ao terem acesso às informações, percebiam ter toda a condição de uma vida plena.

Como disse, duas eu consegui amparar, mas quatro não tiveram essa mesma força e sucumbiram ao preconceito. Preferiram não procurar ajuda. Por fim, apenas lamentamos quando já era tarde demais e perguntamos o que a gente poderia ter feito para mudar aquilo.

No último sábado (1º/12), vi a entrevista de Graça Cordeiro, mulher que há 30 anos acolhe portadores do vírus HIV em Teresina, no Piauí. Ela falou de todas as dificuldades enfrentadas nessa trajetória. No final, perguntam sobre as principais necessidades da casa. Ela simplesmente pediu visitas. Porque têm doadores fiéis que nunca pisaram lá.

Começamos dezembro, um mês que sempre nos faz pensar diferente na vida. Este período nos diz: você pode ter tudo o que seu corpo precisa, mas se não te dão afeto, carinho, atenção, apenas o material não é o suficiente.



 


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