Um roteiro por Miami regado a margaritas, mojitos, rum e vinhos

Se estiver de passagem pela cidade, invista em bons drinques gelados e em uma noite cubana na Little Havana

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atualizado 08/11/2019 21:11

Último dia de viagem. Partimos do México com destino a Miami e agora embarcamos para a nossa Brasília.

Minhas dicas sobre a cidade americana são poucas e simples, assim como passear pela Lincoln Road, em Miami Beach, e comprar um livro na loja da Taschen, editora alemã que publica, principalmente, compilados sobre arte. Escolhi uma publicação sobre os jantares que o pintor surrealista Salvador Dali e a esposa Gala ofereciam em sua residência. Meu objetivo é realizar uma experiência similar em minha casa.

Andando mais um pouco, sugiro admirar os prédios art déco. Não deixe de visitar a loja da National Geographic, com uma exposição de fotografias de animais na natureza. Lindas, mas com preços fora da minha realidade.

Se estiver com vontade de tomar um café, em Miami, não faltam opções de casas americanas, cubanas ou italianas. Minha dica é: esqueça a sua vontade e beba outra coisa. Para um país que bebe tanto café, é impressionante como eles oferecem produtos tão ruins.

Depois de tantos tacos, guacamoles e outras comidas mexicanas, queríamos descobrir o melhor hambúrguer da América e fomos parar em uma birosca, em Wynwood, chamada Kush, especializada em cervejas na pressão e sanduíches. Seu slogan é: BOA CERVEJA NÃO É BARATA, CERVEJA BARATA NÃO É BOA! Não sei se é o melhor hambúrguer da América, mas foi um dos melhores que já comi até hoje.

Miami é quente e pede uma bebida gelada. Ainda mais se for em um bar na avenida Ocean Drive. Minha esposa adora beber margaritas, mas não na opção frozen. Bom marido que sou, também bebo margaritas, mas só para a acompanhar.

A receita do drinque é simples, mas se for bem preparada e com bons ingredientes, uma margarita é o mais próximo que você poderá atingir da perfeição na vida.

Misture, em uma coqueteleira, 60 ml de tequila branca, 30 ml de sumo de limão e 30 ml de Cointreau; uma colherinha de açúcar é opcional. Acrescente gelo picado e agite até o copo da coqueteleira ficar gelado. Umedeça a borda da taça com limão e passe no sal, que deverá estar em um pires. Atenção: o sal, aqui, não é meramente decorativo, ele é parte importante do drinque. Sirva este tradicional coquetel na taça, que deverá estar com gelo picado. Aí está um vislumbre da perfeição.

Depois do Museu Pérez e de admirar as obras de Wynwood Walls, fui visitar a importadora de vinhos Del Wine, braço americano da brasiliense Del Maipo, dos nossos amigos Júnior e Gilberto.

Conversei longamente com Eduardo Zili, sócio do empreendimento, sobre as características do mercado americano de vinhos. Ele observou que o “faro” de wine hunter (caçador de vinhos) do Júnior é muito apurado e que o rápido sucesso da Del Wine se deve à relação qualidade X preço do seu portfólio.

Tanto no Brasil como nos Estados Unidos são muitos impostos e taxas que formam o preço final do vinho para o consumidor. E ainda tem o alto custo americano com a logística de distribuição. Resultado da minha pesquisa (fajuta) comparativa: o champanhe Veuve Clicquot em Brasília é só R$ 16 mais caro que em Miami.

Sobre novas tendências do mercado, Zili destacou o wine on tap (vinhos em torneiras). É um método de distribuição em embalagens lacradas que traz grandes vantagens operacionais, dispensando o armazenamento e descarte de garrafas.

Também permite que o serviço do vinho seja mais rápido, uma vez que não é necessário ir buscar a garrafa na adega e não se tem rolhas para serem abertas. O wine on tap permite vender vinhos de qualidade por preços mais baixos, com um resultado financeiro melhor. A experiência diz que há um aumento do volume de vinho vendido após a adoção do sistema. Ainda é importante destacar que a pegada de carbono diminui drasticamente.

Para encerrar nossa estada em Miami, nada melhor que uma noite cubana na Little Havana. Escolhemos o tradicional Ball & Chain, inaugurado em 1935, onde já tocaram expressões da música como Chet Baker, Louis Armstrong, Billie Holiday e Count Basie. Nós nos divertimos com uma banda de salsa sucedida por um trio de jazz, enquanto no pátio dos fundos rolava a noite do karaokê das mulheres.

Seguindo uma sugestão que vimos no programa Pedro pelo Mundo, da GNT, pedimos o sanduíche de carne de porco Média Noche com mojitos para acompanhar. Nosso companheiro de mesa, Mister O, nos brindou com copinhos de shot personalizados. Vou comprar um rum anejo (envelhecido) para estrear o meu copo.

SOBRE O AUTOR
Sérgio Pires

Iniciou sua trajetória como enófilo na década de 1970. No final dos anos 1980, passou a estudar sistematicamente o tema e a realizar viagens a vinícolas. Após encerrar a carreira bancária, formou-se sommelier profissional pela Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-DF/UPIS). Profissionalmente atua como consultor, palestrante, articulista e jurado em eventos de vinho. É diretor da ABS-DF e professor em todos os seus cursos.

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