Grupo de estudo: todo concurseiro deveria ter o seu

A união de pessoas em prol de um objetivo comum potencializa a aprendizagem e a memorização. Saiba como criar um

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atualizado 14/09/2019 17:47

Os concurseiros são conhecidos como seres solitários, até mesmo quando estão em uma sala de aula cheia em um curso preparatório. Raros são aqueles que se juntam para somar forças e estudar e mais raros ainda aqueles que conseguem tirar vantagens do poder do grupo. Falta clareza sobre as vantagens em agregar essa opção no cardápio de opções da preparação.

O jeito isolado de estudar é hipervalorizado entre especialistas e candidatos, sob o argumento de que há menos distrações potenciais e mais liberdade de ação. Essas percepções ocorrem porque, para se ter um grupo eficiente, é preciso aumentar a capacidade de organização, criar regras explícitas e ter um alto comprometimento, questões consideradas trabalhosas demais para merecer o empenho.

Há também a crença negativa com relação à concorrência e à competitividade. O entendimento equivocado é de que todos os demais concurseiros são concorrentes e se unir a eles seria “ajudar o inimigo”. Nem de longe isso é verdade.

Trabalho e aprendizado em equipe

Trabalhar em equipe é um desafio para muitos profissionais, por que não seria para os concurseiros? A habilidade é exigida – não mais só deseja – em qualquer organização, inclusive no setor público. A somatória das competências pessoais potencializa os resultados tendo em vista que, por princípio, os seres humanos são colaborativos.

No campo específico do aprendizado, óticas e explanações diversificadas ampliam o entendimento e a memorização do que é estudado. A maior vantagem não é de quem recebe a explicação, mas de quem a organiza e a passa adiante.

O psiquiatra norte-americano William Glasser comprovou em suas pesquisas que 95% do conhecimento é aprendido quando se tem que ensinar alguém, explicando, resumindo, definindo e estruturando algum assunto. Além disso, quando há debate, conversa ou discussão sobre um determinado tema, a retenção é de 70%. A conclusão é de que quanto mais há relacionamento ativo com o conhecimento, maior será o volume de informações assimiladas.

A partir dessas constatações, ele criou o que ficou sendo conhecido como a Pirâmide de Aprendizagem. Esses percentuais são bem superiores quando comparados às práticas mais recorrentes dos concurseiros. Uma leitura por si só garante apenas 10% de memorização e ela chega a 30% quando se assiste ou observa algo, como uma videoaula.

Vendendo a resistência

No formato em que as aulas presenciais dos cursos preparatórios são elaboradas há pouco ou nenhum espaço para debates e elaboração de conceitos. A dinâmica é baseada em uma tempestade de informações transmitidas unilateralmente pelo professor aos alunos no menor tempo possível. Em suas cadeiras, os concurseiros anotam o que está nas apresentações e complementam com as falas do professor e tiram dúvidas pontuais, quando há tempo disponível.

Ao contrário do que ocorre em um curso, um grupo de estudos será prejudicado se seus integrantes tiverem uma distância muito grande de bagagem. Para minimizar esse problema, o recomendado é fazer um simulado que avalie o nível de cada um. Também não será eficiente se forem perfis parecidos demais a ponto de não favorecer a complementariedade de informações entre si.

Escolha e organização

Para escolher com quem dividir momentos de estudo, o ideal é procurar pessoas que estejam igualmente empenhadas, sejam capazes de se comprometer com a proposta e estejam preparados para estabelecer regras em benefício comum. O tamanho ideal é de três a cinco pessoas com conhecimentos diversificados.

A organização da agenda de encontros e suas durações são parte do acordo, bem como a lista dos assuntos que serão abordados em cada reunião. Isso quer dizer que para começar todos devem participar da criação dos termos que vão direcionar o estudo em grupo, com a identificação das deficiências e das competências para colaboração mútua equilibrada e um planejamento de execução do plano de aprendizado e de ensinamento.

O local também é determinante. Preparar um ambiente agradável, confortável e livre de distrações auxilia na manutenção da harmonia do grupo. Para quem mora próximo, as reuniões podem ser presenciais, entretanto, não se pode descartar que as regras também valem para encontros virtuais, por videoconferência.

Os benefícios práticos serão sentidos desde o momento da preparação para o encontro com os demais participantes. Não só é importante um estudo prévio dos conteúdos para entender a explicação do outro, como também elaborar explicações para serem apresentadas, garantindo a participação de todos. Ou seja, é essencial que exista um momento individual para colaborar e ser ajudado pelo grupo.

A troca vai além dos tópicos que serão cobrados em provas: estar em grupo permite que sejam compartilhadas experiências tanto de técnicas de estudo como de vivências pessoais que servem de inspiração e aumentam a autoestima e a motivação para a jornada. Sem contar que, com encontros marcados, a procrastinação deixa de existir.

 

SOBRE O AUTOR
Letícia Nobre

Jornalista especializada em concursos há mais de 10 anos. Desde 2012, ajuda candidatos de todo o país a lidar não só com suas emoções, mas também com o processo de organização, produtividade e aprendizagem usando técnicas de coaching.

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