Cheiro de tutti-frutti? Entenda o que está por trás da fixação com a pepeca

Ginecologistas explicam os riscos do uso de perfumes e desodorantes íntimos para a saúde íntima e para o reforço dos padrões estéticos

atualizado 15/11/2020 14:15

Perfume de pepeca Foto: Dainis Graveris/Unsplash

No último domingo (8/11), Anitta revelou durante um vídeo que faz uso de perfume na região íntima. Segundo a cantora, o nome do produto é Essencial Pepela, perfume feito exclusivamente para a vulva.

“É a minha amiga que faz um perfume exclusivo para a pepeca. Pode passar atrás. Pode ser na pepeca e na porta dos fundos (…) Uma vez que você usa esse babado, é muito incrível o cheiro – e ele fica pra sempre”, disse.

A internet logo reagiu à informação compartilhada pela artista. O perfume de Anitta é produzido por uma amiga pessoal da cantora, mas o mercado já conta com diversas opções de desodorantes íntimos femininos.

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Contudo, fica o questionamento: a vulva precisa de perfume? De acordo com a ginecologista Erika Kawano, a resposta é não. Inclusive, o uso desses produtos pode mascarar o odor de uma possível infecção vulvovaginal e atrasar seu tratamento.

“Existe uma questão cultural que faz com que muitas mulheres acreditem que o cheiro vaginal é sinônimo de algo ruim e que deve ser disfarçado, o que não é verdade. É algo fisiológico”, explica.

Riscos

Dentro dos riscos que o uso de perfumes e desodorantes íntimos pode trazer, estão a alteração do pH vaginal, reações alérgicas, alteração na produção hormonal da mulher, aumento de predisposição a corrimentos, vulvovaginites, entre outros problemas.

Para Erica Mantelli, ginecologista e especialista em sexualidade humana, não é recomendado nem mesmo o uso de produtos feitos para a região íntima, uma vez que a vagina tem poder autolimpante e seu cheiro natural não deveria ser uma questão.

“Vagina tem cheiro de vagina. Não é para ser um cheiro ruim, muito menos de tutti-frutti ou de morango”, diz.

A médica explica que quando a vagina tem mau odor, ele é proveniente de alguma infecção, que pode ter sido causada até mesmo por excesso de limpeza ou uso de produtos que alteram o pH natural.

“Com hábitos como uso de desodorantes íntimos, absorventes diários, entre outros, algumas mulheres agridem as floras vaginais. A vagina, como defesa, muda o pH, entra em desequilíbrio e começa a aumentar fungos, bactérias. Mas saiba que uma vagina saudável não tem cheiro ruim”, afirma Erica.

Uma dica que a ginecologista dá às mulheres que querem manter a vulva hidratada é o óleo de coco. “Por ser 100% natural, ele não vai causar problemas à saúde (sem contar que ele também pode ser usado como lubrificante)”, diz.

Padrão estético para a pepeca

Sabe-se que o padrão estético inalcançável imposto às mulheres foi estendido até mesmo às suas vulvas. E para Erica, este tipo de produto o reforça cada vez mais, trazendo insegurança, baixa autoestima e atrapalhando a vida sexual feminina.

“As mulheres precisam entender que a vagina é um órgão úmido, que produz secreções para nossa proteção. Quando ela entende isso e as fases do seu corpo, o ciclo menstrual, que em cada fase essa secreção vai ser diferente, ela se aceita mais e entende que isso faz parte de ser mulher”, diz.

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