Exclusivo! Arthur Aguiar abre o coração em entrevista: “Não namoraria comigo mesmo”

Confira tudo o que Arthur Aguiar disse depois do furacão que passou pela vida dele após se separar de Mayra Cardi

atualizado 10/07/2020 9:27

Arthur Aguiar Reprodução

A coluna conseguiu, depois de muita conversa, gravar a primeira entrevista com Arthur Aguiar após o furacão passou na vida dele nos últimos dias. O ator viu sua vida pessoal virar o assunto do Brasil, tornando-se tema de muitos memes e brincadeiras na internet, depois que sua ex-esposa Mayra Cardi revelou, em entrevista para este colunista, que Arthur teve 16 amantes em pouco mais de dois anos de casamento.

Bastante sincero, Arthur contou que fez um vídeo para a filha Sophia, para que ela assista quando crescer, reconheceu seus erros, pediu desculpas, disse que está fazendo terapia, que não consegue sair de casa, pois está profundamente abalado, e também não namoraria com ele mesmo.

Arthur Aguiar falou ainda que, aos poucos, quer reconquistar o respeito de Mayra Cardi como mãe de sua filha. Confira a entrevista completa:

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Leo Dias: Esta entrevista de hoje não será para lavagem de roupa suja, para barraco, para choradeira, para relembrar fatos ocorridos no passado. Ninguém vai falar de ex aqui. Vamos tratar desse Arthur Aguiar que está surgindo a partir de agora.

Arthur Aguiar: Eu estava muito nervoso para dar essa entrevista pelo fato de que, como tudo aconteceu, eu não me sinto tendo credibilidade para falar. Meu sentimento é de que, não importa o que eu fale, não vai ser verdade, as pessoas não vão ver isso como uma verdade. E isso é uma coisa que me magoa muito, me deixa muito mexido. Porque, sim, eu errei muito. O que eu fiz não tem justificativa, não tem defesa, não tem o que falar. Está errado. Mas, a partir do momento em que você comete vários erros, tenho a sensação de que as pessoas já invalidam tudo.

Essa sua mea culpa é muito importante, entenda isso.

Por isso que, quando eu falei: “Leo, esse ponto aqui não é verdade”. Depois, pensei: não adianta eu falar que não é verdade. Era tudo dentro de um bolo só. Eu acho, já falando um pouco, que no primeiro momento, houve muito um questionamento meu de “por que isso tudo está acontecendo comigo?”. Acho que, todo mundo, quando acontece algum problema, alguma tragédia, uma desgraça, um negócio muito gigante, a primeira coisa é: por que isso está acontecendo comigo. Então, durante dias eu fiquei nisso: por que? Por que? Por que? E foi bom eu ter tido esse tempo para vir falar com você porque hoje estou em um lugar do tipo: como eu vou fazer para que isso nunca mais aconteça na minha vida. Essa é a chave. Tenho quase certeza que, se não tivesse sido dessa forma, que está doendo para caralho, eu, de fato, não mudaria. Não pararia. Não gostaria de ser uma pessoa diferente.

Essa é a lição que você tira desse furacão?

A maior lição, em primeiro lugar, é nunca mais me trair. Porque acho que, quando eu traio uma outra pessoa, eu já me traí. Qual foi meu propósito? Qual foi minha vontade de estar ali com aquela pessoa? Você está com alguém por algum motivo, porque você quer estar com alguém. Ninguém te obrigou a estar com aquela pessoa. A partir do momento em que eu traio outra pessoa, a primeira pessoa que eu traí fui eu. Então, acho que a primeira lição é não me trair. Depois, não trair o outro. Porque eu acho que, se eu não me trair, não vou trair o outro. Nunca mais fazer uma pessoa sofrer por minha causa. Acho que, de fato, ninguém merece ser traído. Inclusive, eu já gravei um vídeo para minha filha [para ela ver daqui uns anos]. Porque, querendo ou não, o que eu fiz mudou o curso da história dela. É só pra ela ver. Eu me senti nessa vontade. Nessa obrigação de fazer isso com ela.

Você procurou ajuda profissional?

Sim. Quando a gente se separou, eu já tinha procurado uma ajuda profissional, psicológica, uma terapeuta para me acompanhar. Pra que eu pudesse me conhecer mais e poder fazer essa transição. Depois que isso tudo aconteceu, nem preciso dizer que isso virou quase um intensivo. Falo com ela quase todo dia. Às vezes, a gente faz sessão e, às vezes, a gente só se fala. Pra tentar me tirar desse lugar. E não só o fato dessa ajuda psicológica, que é muito importante, também houve uma busca por ajuda de propósitos. Não vou entrar em religião, porque não vou me colocar nesse lugar porque nem vai ser válido. Mas buscas de propósitos. De assistir coisas, de ler coisas, de ouvir, me apegar a situações.

Você amadureceu muito nesses dias, né?

Eu acho que estou amadurecendo, que é um processo. O Arthur que está falando com você, definitivamente, não é o Arthur que falaria com você há 10 dias. Se você tivesse me ligado no dia em que subiu o vídeo da Mayra, era outro Arthur. E um Arthur que não tinha capacidade de enxergar várias coisas que, hoje, esse Arthur enxerga. O que eu preciso que você entenda é: o Arthur está pronto? Está maduro? Não, está longe pra caramba. Estou no início de um processo. E que vai ser um processo longo. Não me considero uma pessoa amadurecida. Me considero uma pessoa em processo [de amadurecimento], com muita vontade de fazer diferente por mim.Eu não quero mais isso na minha vida, eu não quero mais essa energia. É uma energia horrível. Não sei se você já teve relacionamentos em que você traiu, mas é um sentimento que, primeiro, você não sabe nem como começa. Depois, você vai entrando em um círculo vicioso de desequilíbrio total. E aí você já não sabe mais: como é que você para? Você começa a entrar em um ciclo muito louco e, a qualquer momento, sua casa pode cair. Você tem que ficar segurando uma história, um sentimento, um negócio… É horrível. Eu não quero mais isso pra mim.

Vira um hábito.

Vira um hábito. E eu não quero, nunca mais, ter esse sentimento comigo. Nunca mais quero fazer isso com ninguém. Isso é bem decidido na minha vida. Se você me perguntar: “Cara, você está arrependido?”. É até redundante: é óbvio que estou arrependido. Muito, muito arrependido. Mas existem outros sentimentos juntos com o arrependimento. Não é só eu estar arrependido. Eu me sinto totalmente envergonhado pela minha atitude, mas muito envergonhado. Eu não tinha noção do panorama inteiro. De tudo que tinha sido feito. Não contabilizei. Não fiquei botando isso numa balança pra ver.

Você não tinha noção?

Não, não tinha noção. Não tinha noção do tamanho do problema. É como se eu estivesse vendo o problema assim [tapa os olhos com as mãos]. E aí, quando ele foi exposto, e tudo foi sendo colocado, eu comecei a ver o problema e falei: “Caraca, o que eu fiz na minha vida? O que eu fiz comigo? Por que me coloquei nesse lugar? Por que fiz isso com uma pessoa maravilhosa e que se dedicou a mim e que me deu oportunidade de realizar o maior sonho da minha vida que é ser pai?” Essa é a parada. Me sinto totalmente envergonhado. Muito, muito envergonhado. Eu não tenho vontade de sair na rua. É real isso. Por que? As pessoas que me conhecem ou estão me conhecendo através disso, o olhar é diferente. Eu nunca experimentei esse olhar. Nunca estive envolvido em uma polêmica.

Você foi muito reservado na sua vida inteira, né? Te acompanho há muitos anos, você sempre foi o mais discreto de todos.

Exatamente. Eu não estou acostumado com esse tipo de olhar. E eu vejo que a pessoa está me olhando, me julgando. Eu me sinto derrotado. Não é que estou em um jogo e eu perdi. Derrotado no sentido de que eu falhei comigo, com o meu propósito. Qual foi o meu propósito? Em algum momento dessa história, eu quis ter uma esposa, eu quis ter uma filha e eu quis ter uma família. Em algum momento, isso aconteceu. Então, houve uma falha minha, gigantesca, onde eu perdi. E uma outra coisa que acho que foi muito importante que é o fato de eu ter me cercado de pessoas que não pensam como eu penso ou como eu pensava. Que não passaram a mão na minha cabeça mas que me estenderam a mão.

Imagina a dificuldade de pensar em um novo relacionamento. Você deve pensar: “Como as mulheres vão me ver a partir de agora?”. Você pensa em casar de novo?

Eu acho que, primeiro, eu preciso casar comigo. Preciso me conhecer. Porque eu achei que eu me conhecesse. Eu achei que era maduro. E descobri que sou muito imaturo em vários pontos. Preciso me conhecer mesmo de verdade.

Você acha que agia como um adolescente?

Como adolescente, acho que não. Mas acho que agi sem pensar em alguns momentos. Fui fazendo. [Uma coisa] instintiva. E eu não quero mais agir dessa forma. De jeito nenhum. Isso é muito claro pra mim. Um propósito real. Mas aí, você fala, você vai se envolver com uma pessoa. Sentiu vontade de ficar com uma outra estando com ela, o que você vai fazer? Eu tenho duas opções. A primeira é eu tentar resolver isso comigo. Levar pra minha terapia, tentar resolver comigo. Talvez eu não seja capaz. Mas uma coisa, eu sou capaz de fazer hoje: é chegar pra pessoa e falar: “Aconteceu isso aqui”. Isso é um ponto que a Mayra levantou pra mim, na época que a gente era casado. Ela falou: “Se um dia você sentir vontade de ficar com alguém, fala pra mim”. Mas antes de eu me relacionar com alguém, eu preciso, primeiro, ter um relacionamento comigo. Entender o que eu gosto, o que eu tenho vontade,o que eu quero pra minha vida, quais foram os meus erros. Absorver os meus erros, aprender de fato, internalizar eles. E isso, eu acho, vai ser no dia a dia. Não te jeito.

Você acha que sua história com a Mayra Cardi está encerrada? Acha que existe alguma chance de reconquista?

Uma coisa que é muito certa na minha cabeça: eu tenho muita vontade de reconquistar a Mayra, a mãe da minha filha. Porque hoje a gente não tem nenhum tipo de relação. E isso é o tipo de relação que eu não quero pra minha filha. Porque eu já tive isso dentro da minha vida. Eu tenho vontade sim, de reconquistar a Mayra como mãe da minha filha. Ter um relacionamento com ela de respeito, onde a gente realmente possa conversar. De admiração, em algum momento, que isso vai demorar muito pra acontecer. E de convívio. Minha filha não tem que conviver uma parte com a mãe, uma parte com o pai, como se eles fossem duas pessoas totalmente distantes. Tem que ter um momento ali dos dois juntos. Programas juntos. E eu sei e posso falar isso porque eu vivi isso na minha vida. Graças a Deus, apesar de eu não ter tido um pai biológico presente, eu tive uma pessoa, que é pai do meu irmão, que eu considero meu pai. Ai de você falar pra ele que ele não é meu pai. Tive muita sorte de ter essa pessoa comigo desde muito pequeno. Mas eu sei que não tive um pai biológico. Pode ser que a Mayra conheça outra pessoa que cuide muito bem da minha filha. Eu sei que, no fundo, ela gostaria de ter pelo menos uma relação com o pai biológico. Mesmo que não fosse chamar de pai, mas conhecer, coisa que não tive a oportunidade. Com três anos, meu pai biológico sumiu e eu fiquei 18 anos sem encontrar ele. Com 21 anos, encontrei ele, convivi com ele, sem ninguém saber porque eu não queria ser influenciado pelo que minha mãe ia falar dele. Porque passei a vida inteira ouvindo o que minha mãe tinha para falar sobre ele. Mas o que ele tinha pra falar sobre ele pra mim? Então, durante dois anos e meio, convivi com ele sem ninguém saber e, depois de dois anos e meio, ele faleceu.

Olhando sua história, vejo vários sinais de Deus. De tudo que aconteceu nesses últimos dias. Você tem que entender esses sinais e tomar isso tudo como uma lição.

Mas você entende que são só 10 dias? 10 dias pra uma vida.

Mas entenda tudo isso como algo necessário. Era necessário você passar por isso.

Por isso que pontuei logo no início. No início, foi negação.

Você falou assim: “Vamos entender essa cruz, isso tudo que foi passado, esse furacão que me meti”…

Volto a dizer, queria que fosse dessa forma? Óbvio que não queria. Mas, hoje, já consigo enxergar que, talvez, não posso dizer que é a única forma, no entanto, talvez, é a única forma para eu, de fato, me transformar.

Qual lição você quer deixar para a Sofia?

Algumas lições. A primeira é que não interessa se eu não fui um cara tão bom para mãe dela, não interessa se errei muito ou um pouco, mas eu serei um puta pai para ela. Eu tenho que ter essa conexão com ela e ela tem que saber que eu sou a pessoa que vai querer ligar a qualquer momento. Não é que ela pode ligar, ela quer ligar, quer falar comigo, quer estar comigo. Isso é um ponto muito importante e eu falo isso no vídeo para ela. Um outro ponto é que ela vai errar. Eu espero que erre muito menos do que eu. Ela vai errar em vários momentos da vida dela. Vou estar do lado dela, não para passar a mão na cabeça dela, mas para dar oportunidade de fazer diferente. Eu quero que ela saiba que pode errar e que vão julgar ela, tudo bem. Eu não estou aqui para julgá-la. Estou aqui para estender a mão para que ela possa fazer diferente.

Você sabe que a Mayra me falou — e ela sempre ressalta isso sobre você — o quão bom profissional da música, que pouca gente tem conhecimento, você é. Você pretende fazer do limão uma limonada? Quais são seus planos profissionais a partir de agora?

É muito louco, porque como eu estou em processo de transformação, de entendimento de mim mesmo, tem muita coisa que eu fiz, que estava quase pronta e que não cabe mais na minha boca.

Ah! Músicas?

Músicas… Coisas que não cabem mais. Sim, eu vou focar na música. Não só na parte de cantar, mas de compor. Eu já vinha compondo bastante. Tenho dois parceiros de composição que são muito fechados comigo. A gente compõe muito, compõe para outros artistas. Inclusive, tem músicas nossas que outros artistas vão gravar agora. Eu componho muito com o Gab também. Então, eu vou investir muito nisso. Durante um tempo do relacionamento, eu parei de fazer tudo o que eu estava fazendo. Isso muita as pessoas não sabem. Eu parei para investir e cuidar das empresas que eram só da Mayra e das empresas que tínhamos em sociedade. Então, isso muitas pessoas não sabem. Teve um momento que Mayra virou para mim e falou: “Vou fechar o Seca. Não aguento mais. Não quero, não estou com cabeça”. Eu falei que não fazia o menor sentido fazer isso.

Fechar o projeto dela?

Sim. Teve um determinado momento que ela queria desistir do negócio, não queria mais fazer, não estava fazendo mais sentido. Queria fazer outra coisa. E eu falei: “Cara, não faz sentido você fazer isso”.

Ela é muito bem-sucedida nesse programa, né?

Exatamente. Foi por isso que eu convenci ela a não fazer. E, por isso, eu assumi. Ela falou: “Ou você faz ou fecha. Não quero mais fazer”. Daí, eu assumi o Seca e, depois, vieram as outras empresas, o Free, o Cura, o qual a gente era sócio. Eu deixei de fazer muita coisa da minha carreira, ali em determinado momento do casamento, para fazer essa parte empresarial. Eu gosto de fazer, mas não é o que me faz mais feliz. Quando a gente se separou, eu falei para ela: “Cara, agora eu vou investir totalmente em mim, na minha carreira, em tudo”. Então, já estava rolando esse processo de transição. Não é que eu saí das empresas só porque a gente se separou e aconteceu tudo isso. Já era algo que ia acontecer, só foi acelerado. Vou dedicar meu tempo à arte. Vou montar minha equipe, tenho sócios dentro desses dois negócios, que são muito legais, e eles vão tocar esses negócios. Eu vou pontuar.

Acho que você pode compor muita coisa. Tirar dessa lição muita música.

Vários artistas já fizeram isso. Mas acho que é o momento, Leo. Na hora que acontece, você não consegue escrever, você vai viver aquilo ali, você está na merda, fodeu, acabou. O pensamento é: “Cara, acabou minha vida, desmoronou, já era”. E aí você vai começar a se levantar, tomou um nocaute, está no chão.

E até essas piadinhas doem menos com o tempo, você não acha?

Acho. É um processo, é um tempo.

Você já conseguiu rir de alguma dessas piadinhas da internet? Ou não riu de nada?

Cara, eu cheguei a rir ontem. Foi a primeira vez que eu ri. Uma amiga me mandou um negócio que eu dei uma risada.

Você pode falar do que foi?

Foi um meme lá de um negócio da praia, do De Férias com o Ex. Eu ri, mas não me orgulho disso. Ri da criatividade das pessoas. Acho ridículo isso, na real. Não queria estar nessa situação, não me orgulho. Muitas pessoas falam que “ah, agora, você está como pegador”. Isso é uma merda. Eu não quero isso para minha filha. Não quero que ela ache que é maneirão ser pegador.

E não é só para sua filha não. Até para conseguir um novo relacionamento, é ruim ter essa fama.

É horrível, cara. Ninguém vai acreditar em você. Eu não me relacionaria comigo. Eu não confiaria em mim. Se fosse o contrário. Tipo assim: “Cara, vou me relacionar com o Arthur”. Puta… Eu até iria se estivesse apaixonado.

Arthur, é muito forte o que você falou. Você não se relacionaria com você mesmo.

Não me relacionaria porque eu ia viver o inferno. Por mais que eu me apaixonasse por mim mesmo, porque a paixão você não controla, eu ia ficar o tempo inteiro desconfiado. Olha que loucura: “O que ele tá falando? Ele vai viajar. Onde que ele tá?”. Ia ser uma parada enlouquecedora. Então por isso que eu acho que não dá. Vai ter um momento que vou escrever sobre toda essa situação.

Qual a mensagem você daria aos homens, às mulheres ou às pessoas que tiveram um comportamento igual ao seu?

Não vale a pena. Em nenhum sentido. Primeiro para você. O sentimento que você carrega. É um peso. Você vai carregar até o final do seu relacionamento. Pode ser que ela nunca descubra e pode ser que ela descubra. É horrível. É uma parada muito ruim mesmo. Então assim, primeira coisa, não faça. De fato, não vale a pena. Acho que tem um ponto positivo nessa exposição toda da Mayra é que, com certeza, tem muita gente cagada. Muita gente com medo dos seus parceiros fazerem a mesma coisa que ela fez. Mas, agora, eu preciso me desculpar com todas as mulheres. Não é opcional. Quando eu falo isso é no sentido de que o meu primeiro vídeo foi um equívoco. Eu fui no impulso. Se o Leo tivesse me falado naquele primeiro dia, era aquele Arthur que ele ia conhecer.

Foi um erro, então, né? Aquele vídeo foi uma cagada.

Foi uma cagada muito grande e vou te explicar. Quando uma pessoa diz que você é um abusador, é uma palavra muito forte. É quase um estuprador. Você fala: “Cara, eu não sou um abusador”. A negação é a primeira reação. Quando você vai no significado, tanto judicialmente quanto no dicionário, a traição não está incluída no abuso. Então, quando você levanta toda essa questão, você fala: “Eu não sou abusador”.

Mas ela explicou em vídeo que não é só a traição.

Sim. Estou dizendo quando você recebe a palavra abusador. Eu tive a sorte de ter essas pessoas que eu te falei, que me mostraram coisas. Eu fui muito massacrado, estou sendo muito massacrado. E comecei a entender o porquê as pessoas estavam me massacrando. Em vez de eu falar: “Cara, por que está todo mundo está fazendo isso?”. No sentido de: “Cara, pelo amor de Deus, para”, como eu fiz. E eu fui entender isso. A traição é um abuso. Um abuso da confiança que a pessoa tem com você. Já começa por aí. Estou abusando da confiança dela. Se eu digo: “Estou no quarto do meu hotel”, mas não estou, significa que estou abusando.

E agora você quer pedir desculpas às mulheres.

Eu queria me retratar pela forma equivocada como eu gravei o vídeo. Me desculpar pela falta de conhecimento do que é abuso. Volto a dizer, se a gente for para Justiça, não vai ser caracterizado abuso.

Não vai. Mas é uma questão pessoal. A gente não está falando de Justiça.

Isso. Você sabe, eu sou um cara muito preto no branco, metódico. Quando você vai no significado da palavra, não tá lá. Mas quando vai para parte humana, você fala: “Que merda! Que merda!”. Então é isso, eu gostaria de me desculpar sinceramente com todo mundo, não só com as mulheres, com todo mundo que se sentiu ofendido com meu vídeo, de verdade. Foi um erro gigantesco. Que bom que tenho a oportunidade de me retratar, de me reconstruir, desconstruir para que eu possa me reconstruir. Mas eu queria deixar meu pedido de desculpas a todo mundo que assistiu o vídeo e se sentiu ofendido. Peço desculpas por isso, com certeza.

Gente, então é isso. Arthur Aguiar, eu não tenho como agradecer. Eu vejo uma verdade real em você. Acredito nas suas palavras. Desejo sorte, conte comigo. Desculpe mais uma vez. E que bom que você tenha entendido essa situação como algo que você está tirando algo de positivo. Desejo muita sorte para você, sucesso e eu acredito na mudança das pessoas…

Só uma coisa, Leo. Antes de terminar. Eu tenho muita vontade de ter algum momento para pedir perdão de verdade para a Mayra. Mas não é esse o momento. Agora, nesse turbilhão…

Você não quer pedir perdão? Por que, Arthur?

Não, não. Não é isso. É por que eu acho que não vai ter validade para ela. Não é que eu não quero. Se eu pudesse, eu pediria agora. Ia lá agora.

Você acha que está sem credibilidade?

Total. Eu preciso de um tempo. Ela precisa de um tempo. Tenho vontade de fazer isso agora, mas vão ser só palavras. Eu vou falar, mas ela não vai acreditar. Poderia fazer um puta discurso de perdão aqui, mas vai ser só um discurso. Quero que quando tiver essa oportunidade de estar na frente dela — eu sei que ela falou que não quer me ver na frente dela, eu acho que isso vai mudar, a gente tem uma filha, é necessário, dois seres humanos —, ela vai estar aberta a me escutar de verdade. Eu vou estar aberto e desarmado para falar tudo que eu tenho vontade de falar para ela para de fato eu pedir perdão mesmo e ela aceitar o meu perdão. Só mais uma coisa, eu estou em um processo de me perdoar.

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