Pacote econômico da Venezuela resulta em aberrações que PT elogia

Novo mínimo do país foi anunciado com aumento de 66%. No entanto, o acréscimo foi calculado sobre uma base miserável

Marcello Casal Jr/Agência BrasilMarcello Casal Jr/Agência Brasil

atualizado 13/01/2020 14:52

Saiu o novo salário mínimo na Venezuela, pouco depois do anúncio do mínimo brasileiro para 2020. O comandante Nicolás Maduro ordenou dar aumento de 66,66% no mínimo venezuelano, o que parece realmente um colosso — imaginem só, mais de 66% de uma vez só.

Mas, salvo para os economistas de esquerda do Brasil, porcentagens só valem se for feita a pergunta: “Tantos por cento de quanto?” Daí, quando vamos ver o que significam mesmo esses números, descobrimos o seguinte: o aumento do governo revolucionário bolivariano foi calculado sobre uma base tão miserável, mas tão miserável, que os grandiosos 66,66% resultaram, na prática, num salário mínimo de US$ 3,70 por mês.

O leitor dirá: é óbvio que existe algum erro aí. Não pode haver um salário mínimo tão desgraçado como esse, em lugar nenhum do mundo — afinal, US$ 3,70 são menos de R$ 15 por mês, nem o mendigo brasileiro mais infeliz tira tão pouco assim.

Mas não há erro nenhum. O mínimo da Venezuela é exatamente esse aí: abaixo de R$ 15, ou quase 70 vezes menos do que o mínimo de R$ 1.040 em vigor no Brasil. Um pouco de aritmética elementar, de vez em quando, pode ajudar muito no entendimento das coisas. Esse aí é um bom exemplo.

O “programa econômico socialista” da Venezuela, na prática, resulta em aberrações como essa. Como um país pode viver assim? Fácil: os venezuelanos que estão no governo, os militares, as milícias armadas, os altos magistrados etc. ganham milhares de vezes mais do que o pobre diabo que está fora da sua panela, por meio de truques como “câmbio especial”, que faz deles milionários em dólares, “cupons patrióticos de compras” e outras belezas inventadas por seus economistas.

É esse o tipo de regime e de sociedade que o ex-presidente Lula, o PT e seus partidos auxiliares elogiam a cada vez que abrem a boca para dizer “Venezuela”. É isso o que estão querendo todos os dias para o Brasil.

SOBRE O AUTOR
J.R Guzzo

É jornalista e colunista do Metrópoles. Na década de 1960, foi subsecretário da edição paulista do jornal Última Hora. Entrou na Editora Abril em 1968 e dirigiu o mais importante título do grupo, a Veja, entre os anos 1976 e 1991, tendo ainda atuado no Conselho Editorial da Abril. Escreveu uma coluna na revista até 2019.

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