Guedes tem que mandar consertar as suas “luzes de alerta”

Todos querem, com alguma frequência, falar tudo aquilo que pensam. Mas não o fazem. A vida seria insuportável

Andre Borges/Esp. para o MetrópolesAndre Borges/Esp. para o Metrópoles

atualizado 13/02/2020 15:20

Sabe aquela luzinha vermelha ou amarela que acende no painel do carro para avisar que a gasolina está acabando, ou que a temperatura está alta demais, ou que há alguma coisa errada com o nível do óleo? Pois é: o ministro Paulo Guedes precisa mandar consertar, urgente, a sua.

Por falta de um alerta automático que diz “não utilize essa palavra”, “não fale isso agora”, etc., o carro ainda vai acabar deixando o ministro na mão, travado à beira da estrada.

Todo mundo – todo mundo mesmo – gostaria de dizer “na lata” uma porção de coisas. Só que não diz, porque se você for dizer a verdade sempre, sobre tudo, e na frente de todos, a sua vida ficará insuportável. Em política, então, é pior ainda.

A última, depois do “parasitas” para os funcionários públicos, é a das “domésticas” que estão indo para a Disney, uma prova de que o dólar anda baixo demais. Nove em 10 brasileiros acham a mesma coisa, ou fingem que não acham porque têm vergonha de dizer. Só que fica todo mundo quieto, mantendo suas opiniões para si próprio ou para o seu círculo mais estreito de relações. Se não for assim, dá problema.

Para um ministro de Estado, então, dá problema de tamanho federal. É uma festa para os inimigos – principalmente para aqueles que mal se lembram da cara dos seus empregados domésticos, mas se cobrem de indignação com mais essa prova da alma “antipovo” de Guedes.

O mundo é hipócrita. O mundo político é três vezes hipócrita. É um perigo andar por aí sem as luzinhas de advertência no painel.

* Este texto representa as opiniões e ideias do autor.

SOBRE O AUTOR
J.R Guzzo

É jornalista e colunista do Metrópoles. Na década de 1960, foi subsecretário da edição paulista do jornal Última Hora. Entrou na Editora Abril em 1968 e dirigiu o mais importante título do grupo, a Veja, entre os anos 1976 e 1991, tendo ainda atuado no Conselho Editorial da Abril. Escreveu uma coluna na revista até 2019.

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