É histórico: brasileiros foram às ruas contra um ministro do STF

Autoridades, porém, não divulgaram quantas pessoas foram às ruas. Parece um movimento de proteção

DANIEL TEIXEIRA/AEDANIEL TEIXEIRA/AE

atualizado 18/11/2019 16:18

Quanta gente, afinal, foi às ruas das cidades brasileiras este domingo (17/11/2019) para pedir que Gilmar Mendes seja expulso do STF e renovar o seu apoio à luta contra a corrupção? É mais um mistério da tumba do faraó, desses que jamais serão relevados para os mortais comuns. É assim, no Brasil de hoje.

O número de pessoas presentes à manifestações classificadas como “contrárias às instituições”, ou coisa que o valha, subiram à categoria de “informação sensível” – e não convém, assim, que o público fique sabendo de nada a respeito.

Esse tipo de notícia, como se sabe, é perigoso para “a democracia”, etc. etc. e, portanto, deve ser tratado como segredo de estado pelos comunicadores responsáveis.

Além do mais, manifestações que tenham gente vestida de verde e amarelo, ou mostrem bandeiras do Brasil, não podem ser consideradas “populares”.

É tudo apenas uma bobagem a mais. Havia nos protestos de rua, neste domingo (17/11/2019), exatamente o número de pessoas que foram à rua protestar contra a corrupção. Essa realidade não depende do que se divulgou a seu respeito para existir ou não – mesmo porque há fotos e vídeos suficientes, feitos por gente anônima, para mostrar o que houve.

A verdade é que existe aí um fenômeno possivelmente único no mundo – cidadãos vão às ruas para protestar contra um magistrado que virou o símbolo nacional da ladroagem pública e da proteção ao crime.

Ele, e a mídia aflita com os riscos para a democracia brasileira, acham que não houve nada: foi tudo o trabalho de robôs. Ilusão de ótica, apenas isso. Nossas instituições podem continuar dormindo em paz.

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Metrópoles

SOBRE O AUTOR
J.R Guzzo

É jornalista e colunista do Metrópoles. Na década de 1960, foi subsecretário da edição paulista do jornal Última Hora. Entrou na Editora Abril em 1968 e dirigiu o mais importante título do grupo, a Veja, entre os anos 1976 e 1991, tendo ainda atuado no Conselho Editorial da Abril. Escreveu uma coluna na revista até 2019.

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