Em meio a protestos, GDF decide manter atividades no Cláudio Coutinho

Secretaria de Esporte garante que mudança prevista para Parque da Cidade está descartada. Manifestantes querem formalização da promessa

atualizado 24/10/2020 12:48

Gustavo Moreno/especial Metrópoles

A Secretaria de Esporte e Lazer anunciou que o programa Escola de Esporte continuará sendo realizado no Complexo Aquático Cláudio Coutinho. A decisão ocorre após 300 manifestantes protestarem, na manhã deste sábado (24/10), contra a transferência das atividades do antigo Departamento de Educação Física, Esportes e Recreação (Defer) para o Parque da Cidade.

O centro de treinamento está incluído dentro da área que passou a ser administrada por uma concessão pública, a mesma do Estádio Nacional Mané Garrincha. O protesto foi organizado após a Arena BSB, nova administradora do espaço, anunciar a intenção de demolir o ginásio de esportes para a construção de uma estrutura mais moderna. No local, também há previsão para se construir um boulevard, espaço comercial a céu aberto.

Contudo, na última sexta-feira (23), a secretária de Esporte e Lazer, Celina Leão, se reuniu com o presidente da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), Izidio Santos Junior, e o diretor-presidente da concessionária Arena BSB, Richard Dubois, atual administrador do local, em busca de um novo entendimento sobre a permanência das modalidades esportivas que deve ser oficializado na próxima semana.

“Chegamos a um acordo entre todas as partes e a Escola de Esporte não irá sair daquele espaço. Com a assinatura do termo de cooperação, que deverá ser  (feita) na segunda-feira (26/10), todas as nossas atividades esportivas naquele lugar estarão mantidas”, explicou a secretária.

Veja o vídeo:

Tombamento definitivo

Entre outras coisas, o termo dará segurança jurídica para que a estrutura seja utilizada legalmente, permitindo que a pasta possa realizar as devidas reformas no local. Contudo, o anúncio não convenceu os manifestantes que reivindicam não apenas a manutenção, como a reforma e também o tombamento definitivo do complexo esportivo, que está sem melhorias há anos.

“Por incrível que pareça, existe um laudo do Iphan [ Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional] falando que o complexo pode ser demolido, porque ele não representa objeto de interesse patrimonial. Isso é um absurdo. Mesmo porque está no contrato com a nova concessionária manter os projetos sociais na área do Cláudio Coutinho. Aquele espaço é histórico da cidade, não são pelos tijolos. Lá é a memória também da formação de vários atletas que representaram nosso país em várias Olimpíadas. Nós só acreditamos quando houver um documento oficial garantindo que nossa reivindicação seja atendida”, afirmou Cadu Klier, um dos organizadores do movimento.

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Professores

Também na sexta-feira, a Secretaria de Esporte e Lazer antecipou que vai editar uma portaria em conjunto com a Secretaria de Educação para renovar a parceria do programa Escola de Esporte, que estava vencida desde abril de 2020. A medida também é pauta dos manifestantes.

De acordo com a Secretaria de Esportes, Celina Leão esteve com o  subsecretário de Gestão de Pessoas, da Secretaria de Educação, Idalmo Santos, para tratar o tema. Com o vencimento do termo de cooperação, os professores que atuavam no projeto precisaram retornar à rede pública de ensino para a regularizar a situação funcional.

“O que percebemos foi uma tentativa de desmonte das atividades do Defer e do Cláudio Coutinho. Se houve a promessa da secretaria, ótimo. Mas só acreditaremos quando a portaria estiver devidamente publicada nos meios oficiais para garantir a permanência dos professores das atividades que também ajudam na formação de crianças, jovens e atletas profissionais”, emendou Klier.

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