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Termina nesta terça-feira (1º/5) o prazo estabelecido entre o presidente nacional do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Carlos Lupi, e o presidente da Câmara Legislativa (CLDF), Joe Valle, para que o distrital decida qual cargo pretende disputar nas eleições de outubro. A legenda corre contra o tempo para construir um palanque que possa abrigar o presidenciável Ciro Gomes.

Nos bastidores, o PDT tem uma carta na manga caso Joe não concorra ao Governo do Distrito Federal (GDF): o recém-filiado Hélio Doyle (foto em destaque), ex-secretário do governador Rodrigo Rollemberg (PSB).

A decisão ainda é trabalhada internamente com cautela pela legenda. A prioridade é tentar convencer Joe Valle a retomar o projeto de disputar o GDF. Até o momento, o distrital reluta e diz abertamente preferir concorrer ao Senado Federal com apoio do pré-candidato Jofran Frejat (PR), fato que contraria os interesses do partido.

Em diversas reuniões, representantes regionais da sigla e o comando nacional reforçaram que o comandante do Legislativo local é prioridade na escolha como cabeça de chapa.

Caso Joe insista em não concorrer ao Buriti, a legenda precisará de um novo nome. O jornalista Hélio Doyle surgiria como solução para o problema. Recém-filiado ao partido, ele foi articulador da campanha que elegeu o atual governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), em 2014. Chegou a chefiar a Casa Civil do socialista, mas foi afastado do cargo após divergências públicas com deputados distritais.

Na época, Doyle não aceitou lotear cargos do GDF em troca de apoio político na CLDF. Hoje, o ex-secretário é um dos principais críticos à atual gestão e, segundo pedetistas, seria uma garantia de que a sigla não se reaproximará do atual governador.

Aliança de centro-direita
Enquanto o PDT luta para ter candidatura própria, Joe Valle ainda tenta convencer o comando nacional da legenda a aceitar uma possível aliança com Jofran Frejat. Nos últimos encontros com o presidente nacional do PDT, no entanto, o distrital não conseguiu argumentos suficientes para mudar a opinião do cacique. Assim, Lupi abriu o prazo para que Joe defina seu caminho.

Caso realmente o comandante do Legislativo decline da concorrência para o Buriti e decida testar o nome em uma candidatura ao Senado Federal, ele terá a legenda garantida, mas sem aliança com o grupo de Frejat. Integrantes do partido não querem que o médico encare como pessoal a decisão de não apoiá-lo.

O presidente regional do PDT, Georges Michel, já afirmou à reportagem ter ressalvas em seguir de mãos dadas com partidos considerados de direita e centro-direita. “Gosto do Frejat, é um homem íntegro. Mas não posso permitir que o PDT, com toda a sua história, reúna-se com coligados que representam o que há de pior na política do Distrito Federal”, disse.

Carlos Lupi, por sua vez, reforça a preferência por Joe Valle. “Continuamos com o firme propósito para que Joe Valle seja o nosso candidato ao governo e tenhamos um palanque para o Ciro. A Executiva está reunida para isso. Queremos que seja ele, mas nada será decidido sem o Joe, assim como nada será feito sem o partido”, afirmou ao Metrópoles.

A sigla está convencida de que Brasília é importante no caminho de Ciro Gomes para disputar a Presidência da República. Por isso, os pedetistas não pretendem recuar de ter candidatura própria no Distrito Federal, seja Joe Valle ou Hélio Doyle.

Procurado, Hélio Doyle não quis comentar o assunto. Joe Valle não retornou as ligações da reportagem. (Colaborou Manoela Alcântara)



 


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