Nome de Occhi em placa provoca afastamento de sete servidores da Caixa em SC

Prefeitura de Nova Veneza admitiu o equívoco em inauguração de praça. Ao menos quatro funcionários já foram reconduzidos aos postos

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 20/06/2019 9:51

Impresso na placa de inauguração de uma praça no interior de Santa Catarina, o nome do presidente da Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap), Gilberto Occhi, provocou o afastamento de, pelo menos, sete integrantes do alto escalão da superintendência regional da Caixa Econômica Federal (CEF).

Na honraria, Occhi é descrito como presidente da Caixa, posto que ele de fato ocupou até março de 2018. A placa também homenageia o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

O equívoco não passou despercebido na festa realizada pela prefeitura de Nova Veneza na última sexta-feira (14/06/2019). O primeiro movimento foi o de registro da confusão. Em seguida, um “cagueta” fez chegar à Secretaria-Geral da Presidência da República notícias do ocorrido.

Na sequência, vieram as providências: demissões de sete chefes que ocupavam cargos de confiança na estrutura da Caixa Econômica em Santa Catarina.

Veja:

Reprodução
A placa da discórdia, que motivou afastamentos na CEF

 

Entre os afastados estavam Edson Negri, superintendentes regionais do banco no estado e Gilberto Antônio Fiorin, que ocupava àquela altura o cargo de gerente-geral da instituição em Nova Veneza. Além deles, outros cinco ocupantes de postos em destaque, como as gerências de Governo e de Habitação, e as representações de Habitação, Governo e Marketing.

A prefeitura de Nova Veneza assumiu o erro. Disse, em ofício enviado à Caixa, ter sido um “equívoco” e que “não houve viés ideológico”. O texto afirma ainda que a placa não foi revisada pela equipe regional de marketing do banco antes da inauguração.

“A placa foi confeccionada pela prefeitura. Informamos que foi um erro nosso e a retiramos no dia seguinte”, explicou à Grande Angular Cristiane de Oliveira Freitas, assessora de imprensa da prefeitura do município catarinense.

 

Repercussão

A punição imediata de ocupantes de altos postos gerou um grande desconforto entre alguns servidores e ex-servidores da Caixa Econômica, que começaram a compartilhar a história em grupos de WhatsApp.

O atual presidente da instituição, Pedro Guimarães, adota um discurso crítico à ingerência política no banco e a favor da meritocracia. Mas a reação truculenta do comando do banco expôs o presidente da instituição à contradição entre o que se fala e aquilo que se pratica, até porque a Superintendência de Santa Catarina sempre foi uma referência de performance, conforme atestado em pesquisas qualitativas do própria Caixa.

O caso chamou atenção da Federação Nacional das Associações de Gestores da Caixa (Fenag), que intercedeu junto à direção da Caixa. Nesta quarta-feira (19/06/2019), quatro dos sete nomes afastados foram reconduzidos aos seus postos de chefia. O gerente-geral da Caixa em Nova Veneza, Gilberto Antônio Fiorin, estaria entre eles. Mas a informação não foi confirmada pelo banco, que disse à reportagem estar apurando os fatos. 

O assunto deve ser tratado em audiência pública com o presidente (de fato) da Caixa, Pedro Guimarães, na Câmara dos Deputados. O requerimento solicitando a convocação foi apresentado pela deputada federal Erika Kokay (PT), está aprovado e inserido na pauta.

O outro lado

A Caixa Econômica Federal esclareceu à coluna que apura detalhes do ocorrido. A reportagem entrou em contato com a superintendência em Santa Catarina, mas foi informada que a responsável pelo atendimento à imprensa também havia sido afastada, no mesmo contexto dos outros seis colegas que protagonizaram o episódio da placa.

A assessoria de imprensa da Terracap informou que se trata de um “erro sobre o qual o presidente Gilberto Occhi não tem qualquer conhecimento”.

SOBRE OS AUTORES
Lilian Tahan

Dirige desde setembro de 2015 o site de notícias Metrópoles. É formada em comunicação social pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em jornalismo digital e gestão de empresa de comunicação pela ISE Business School, instituição vinculada à Universidade de Navarra, na Espanha. Antes do Metrópoles, trabalhou por 12 anos no Correio Braziliense e dois anos na revista Veja Brasília. Ao longo da carreira, conquistou prestigiados prêmios de jornalismo, como Esso, Embratel, CNT, CNI, AMB, MPT, Engenho.

Gabriella Furquim

Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), com experiência em redação, assessoria de imprensa e gestão de comunicação. Atua na área desde 2009. Integrou as equipes de reportagem e edição dos jornais Correio Braziliense e Aqui DF. Em 2014, coordenou a comunicação da Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente, Seção Defence for Children Brasil (Anced/ DCI Brasil), e do projeto internacional Red de Coaliciones Sur. De 2015 a 2017, foi assessora de imprensa do governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg.

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