Moro diz que secretários de Segurança não serão devolvidos à PF

Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou que eventuais revogações da cessão de servidores serão feitas de forma pontual

Hugo Barreto/MetrópolesHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 24/01/2020 20:29

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) disse, na noite desta sexta-feira (24/01/2020), que não há intenção de exigir o retorno dos delegados da Polícia Federal (PF) que atuam como secretários ou a volta de todos os agentes policiais cedidos.

A manifestação da pasta ocorre após o Metrópoles divulgar documento, de dezembro de 2019, no qual o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, solicita o retorno à PF dos servidores lotados em outros órgãos. Segundo o ofício, há 191 profissionais nessa situação. Desse total, quatro já teriam retornado à corporação.

Em nota, o MJSP ressaltou que eventuais revogações de cessão serão feitas de forma pontual e com base em critérios técnicos. “As solicitações de retorno de policiais serão previamente discutidas com os secretários de Segurança dos estados”, reforçou.

No ofício, Valeixo diz que o déficit de servidores é “preocupante e pode impactar nas respostas que esta instituição deve dar à sociedade”. Entre os funcionários da PF que atuam fora da corporação, está o secretário de Segurança Pública do DF, Anderson Torres.

Antes do comunicado, a assessoria do MJSP ressaltou à coluna que o ministro Sergio Moro (foto em destaque) deixou claro que todos os secretários de Segurança que são da PF continuarão no cargo e quaisquer mudanças serão discutidas com os titulares das pastas.

A divulgação do documento causou mal-estar entre autoridades do país, incluindo o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

À reportagem, o titular do Palácio do Buriti afirmou que, caso a requisição de Anderson Torres fosse efetivada, entraria na Justiça para manter o aliado no comando da Segurança Pública do DF. “Não pedirei nada a ninguém. Vou entrar na Justiça contra isso”, disparou.

Fontes do alto escalão da PF disseram à reportagem que o documento da Polícia Federal é resultado do balanço anual, no qual foi constatado aumento do número de servidores cedidos. Mas não há expectativa de retorno de profissionais que ocupam cargos considerados “chave”, como secretários.

E o documento, que é de dezembro, não teria qualquer relação com o cenário atual, no qual secretários de Segurança Pública, incluindo Anderson Torres, reivindicam a divisão do MJSP.

A Secretaria de Segurança Pública do DF divulgou nota na qual reforçou o que disse à coluna: “O documento [da PF] foi emitido há mais de um mês, sem qualquer solicitação de retorno dos servidores cedidos pela Polícia Federal à SSP até o momento”.

Colaborou Mirelle Pinheiro

SOBRE OS AUTORES
Lilian Tahan

Dirige desde setembro de 2015 o site de notícias Metrópoles. É formada em comunicação social pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em jornalismo digital e gestão de empresa de comunicação pela ISE Business School, instituição vinculada à Universidade de Navarra, na Espanha. Antes do Metrópoles, trabalhou por 12 anos no Correio Braziliense e dois anos na revista Veja Brasília. Ao longo da carreira, conquistou prestigiados prêmios de jornalismo, como Esso, Embratel, CNT, CNI, AMB, MPT, Engenho.

Isadora Teixeira

Formada pelo Centro Universitário Iesb, atua como repórter do Metrópoles desde 2017. Na editoria de Cidades, cobre assuntos políticos relacionados ao Distrito Federal

Caio Barbieri

Cursou jornalismo no Centro Universitário de Brasília (UniCeub). Passou pelas redações do Correio Braziliense, Agência Brasil, Rádio Nacional e foi editor-adjunto da Tribuna do Brasil. Ocupou a assessoria especial no Ministério da Transparência e foi secretário-adjunto de Comunicação do GDF. Chefiou o relacionamento com a imprensa na Casa Civil, Vice-Governadoria, Secretaria de Habitação e na Secretaria de Turismo do DF. Fez consultoria para vários partidos, entidades sindicais e políticos da Câmara Legislativa e do Congresso Nacional. Assina a coluna Janela Indiscreta do Metrópoles e cobre os bastidores do poder em Brasília.

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