Desembargadora concede liminar para suspender privatização da CEB poucas horas antes do leilão
Fátima Rafael entendeu que não é possível fazer a venda sem autorização da CLDF, pois a CEB Distribuição é maior do que a controladora

A desembargadora do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) Fátima Rafael concedeu liminar para suspender a privatização da CEB Distribuição sem prévia legislação que autoriza a venda.
A decisão foi assinada às 22h31 dessa quinta-feira (3/12), poucas horas antes do leilão de venda da estatal, marcado para as 8h desta sexta-feira (4/12). A sessão pública, na Bolsa de Valores de São Paulo, por enquanto está mantida.
A Companhia Energética de Brasília (CEB) vinha defendendo que não era preciso o rito Legislativo em razão de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autoriza a venda de subsidiárias de estatal sem passar pelo Legislativo. Mas Fátima entendeu que a CEB Distribuição é “maior do que a própria controladora”: “O que nos permite concluir que a venda questionada poderá ensejar sua extinção”.

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Ver todasA desembargadora atendeu a pedido de deputados distritais que questionavam a privatização sem aval da Câmara Legislativa do DF (CLDF) contra decisão da 7ª Vara da Fazenda Pública do DF, que negou suspensão da venda da estatal.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Grande Angular“É certo que a venda da empresa subsidiária a ponto de esvaziar 96% da empresa-mãe pode ensejar sua extinção, pois perderá recursos financeiros, poder operacional e recursos humanos necessários à continuidade, o que não é permitido sem autorização legislativa”, assinalou a magistrada.
Na decisão, Fátima suspendeu a decisão tomada na 103ª Assembleia Geral Extraordinária da CEB, em outubro, na qual os acionistas aprovaram a alienação de 100% das ações sem prévia legislação autorizativa.
O entendimento da desembargadora diverge de outras decisões do Judiciário e do Tribunal de Contas do DF (TCDF). Ações com pedido semelhante foram negadas duas vezes em primeira instância no TJDFT e também na Corte de Contas.
Nessa quinta-feira (3/12), o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou seguimento a uma ação de deputados distritais cujo objetivo era suspender a privatização. Nunes Marques, relator do caso na Corte, assinalou que estão ausentes os requisitos viabilizadores do regular trâmite da ação. “Pelo exposto, não conheço da presente reclamação”, afirmou, sedimentando o caminho para a venda da subsidiária nesta sexta.
Leilão
De acordo com especulação do mercado, Equatorial, CPFL e Neoenergia são as empresas que vão disputar o controle da estatal responsável por levar energia aos consumidores do Distrito Federal. O preço mínimo é R$ 1,4 bilhão, mas a estimativa do GDF é que o valor chegue a R$ 2,5 bilhões.





