Retalhinho do Bem doa máscaras próprias para deficientes auditivos

Ao todo, 50 acessórios foram entregues nesta sexta-feira (22/05) no Centro Educacional da Audição e Linguagem Ludovico Pavoni (Ceallp)

Andréa Cabrera com máscara para pessoas surdasArquivo Pessoal

atualizado 22/05/2020 15:53

Na nova produção, a Retalhinho do Bem desenvolveu máscaras de proteção com plástico transparente na região na boca. Com a medida, pessoas surdas podem fazer a leitura labial e as interpretações faciais da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Ao todo, 50 acessórios confeccionados foram entregues na manhã desta sexta-feira (22/05) no Centro Educacional da Audição e Linguagem Ludovico Pavoni (Ceallp), localizado na 909 Norte.

Mente à frente da Retalhinho do Bem, Andréa Cabrera, em parceria com Claudia Salomão, se inspirou na ideia da estudante norte-americana Asheley Lawrence. No tempo livre, a jovem pesquisa sobre a educação para deficientes auditivos e elaborou a máscara própria para surdos com a colaboração da mãe, que costurou a peça com plástico no centro.

Como as máscaras tradicionais cobrem a região da boca, as pessoas com deficiência auditiva ficam impossibilitadas de comunicar-se por meio de Libras, na qual é necessário observar o posicionamento dos lábios para compreender a mensagem falada pelo interlocutor. Com a parte em material transparente, a leitura labial ocorre sem dificuldades e com total segurança.

Andréa Cabrera, Claudia Salomão e colaboradoras do Ceallp
Andréa Cabrera, Claudia Salomão e colaboradoras do Ceallp

Em entrevista à coluna Claudia Meireles, Andréa contou sobre ter visto a reportagem de Asheley antes de iniciar com as ações da Retalhinho do Bem: “Fiquei impressionada com as máscaras para facilitar a comunicação das pessoas surdas. Quando começamos a Retalhinho, procurei instituições para isso e achei o Ceallp.”

Nos últimos 50 dias, o projeto confeccionou 8.780 máscaras, doadas para mais de 20 entidades sociais brasilienses e cariocas. Na capital, os projetos Anjos do Bem e BSB Invisível ficaram com a missão de avaliar as instituições a serem contempladas.

“Ao longo desses dois meses, tivemos experiências de entregar máscaras e, às vezes, algumas pessoas fizeram o uso indevido. Começamos a ter cuidado na hora de doar. Nossa maior preocupação é que chegue no destino certo e a quem realmente precisa”, destacou Andréa Cabrera.

Durante a entrega das máscaras no Ceallp, Claudia Salomão conheceu um pouco do trabalho do centro educacional. O que a encantou foi saber que a equipe especializada começa o trabalho de assistência ainda na infância. As crianças e adolescentes frequentes na instituição desfrutam de aulas de reforço no período contrário ao escolar. Segundo a RP, um projeto completo e essencial.

“Fiquei muito feliz e emocionada ao saber que, em Brasília, há um lugar que atende pessoas com deficiência auditiva e intelectual. O Ceallp ajudou a melhorar o desempenho de tantas pessoas e algumas conseguem voltar a escutar normalmente. É uma equipe organizada e bem estruturada. O espaço físico é agradável. Quero sempre poder ajudar essa iniciativa”, ressaltou Claudia Salomão.

Confira cliques da entrega de máscaras ocorrida no Ceallp e de outras ações da Retalhinho do Bem:

Claudia Salomão em ação de entrega de máscaras próprias ao Ceallp
Claudia Salomão em ação de entrega de máscaras próprias ao Ceallp
Máscaras com a parte da boca em material transparente
Modelo das máscaras com a parte da boca em material transparente
Colaboradores do Ceallp em treinamento
Durante a entrega, colaboradoras do Ceallp estavam em treinamento
Espaço de lazer do Ceallp
Espaço de lazer do Ceallp
Cabine para exames de audição
Cabine para exames de audição
Aviso do uso de máscara no ambiente do Ceallp
Aviso do uso de máscara no ambiente do Ceallp
Andréa Cabrera e Claudia Salomão organizam máscaras
Andréa e Claudia na organização das máscaras
Andréa Cabrera, Claudia Salomão e médicas
Andréa Cabrera e Claudia Salomão fizeram doações das peças no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib)
Ação de entrega de máscaras no SLU
Ação de entrega de máscaras no SLU
História

A trajetória do Centro Educacional da Audição e Linguagem Ludovico Pavoni se estende para além das fronteiras brasileiras. Começou na Itália, com o padre que dá nome à instituição social. À época, o país enfrentou guerras, miséria e fome. Nesse triste cenário, o sacerdote criou um orfanato para abrigar jovens e adolescentes que viviam na pobreza.

O trabalho do religioso voltado aos menos favorecidos não parou por aí. Ele criou outras escolas ao longo de sua vida. Uma delas dedicadas ao atendimento de deficientes auditivos. Fundada em 1838, a instituição é reconhecida pelo pioneirismo na educação e projetos sociais desenvolvidos aos surdos.

A missão de Ludovico Pavoni ganhou fruto na capital. À frente da instituição brasiliense está o sacerdote Giuseppe Rinaldi, mais conhecido Padre José. Também italiano, ele chegou na capital em 1980 e assumiu a direção do centro educacional, situado na 909 Norte.

Padre Ludovico Pavoni
Ilustração do padre Ludovico Pavoni ensinando crianças

A atuação de Padre José aos deficientes auditivos começou na terra natal, onde se especializou em Magistério de Educação para Crianças Surdas, em Milão. Quando passou a dirigir o Ceallp, o sacerdote quis expandir a assistência prestada aos surdos a crianças com autismo e deficiência intelectual, que ocorre desde 2014.

O Ceallp é uma instituição particular, filantrópica e sem fins lucrativos. Quem se interessar em colaborar, pode entrar em contato pelo telefone (61) 3349-9944 ou via e-mail: contato@ceallp.org.br. Mais informações neste link.

Quadro do padre Ludovico Pavoni
Quadros foram colocados no espaço para recordar a história do religioso

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