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Ciência

Tubarão bioluminescente pode usar o próprio brilho para caçar presas

Estudo indica que luz produzida pelo tubarão pode funcionar como um “farol” para localizar alimento no fundo do oceano

07/08/2026 13:31
Reprodução / iScience
Foto colorida de preto e azul de tubarão com luminescência, que brilha no escuro. -metrópoles.

Um tubarão capaz de produzir a própria luz pode usar o brilho não apenas para se esconder, mas também para encontrar alimento nas profundezas do oceano. Novas evidências indicam que o tubarão-lixa-negro (Dalatias licha), maior vertebrado bioluminescente conhecido, emite parte da luminosidade em uma direção que poderia ajudá-lo a enxergar presas ao redor.

A descoberta foi apresentada em um estudo publicado nessa quinta-feira (6/8) na revista científica iScience. Liderada por biólogos da Université Catholique de Louvain, na Bélgica, a pesquisa analisou como a luz produzida pelo animal se espalha pelo corpo.

Os resultados reforçam uma função já associada à bioluminescência: a camuflagem. Ao mesmo tempo, apontam para outra possibilidade. Parte do brilho pode funcionar como uma espécie de “farol biológico” durante a caça.

Por que o tubarão produz luz?

Nas profundezas do oceano, a luz do Sol é muito fraca. Mesmo assim, um animal visto de baixo pode aparecer como uma silhueta escura contra a pequena quantidade de claridade que ainda chega da superfície.

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Algumas espécies resolvem o problema produzindo luz na parte inferior do corpo. O brilho reduz o contraste da silhueta e ajuda o animal a se misturar ao ambiente, estratégia conhecida como contra-iluminação.

No Dalatias licha, porém, os pesquisadores perceberam que a luz não está limitada às regiões que seriam úteis para a camuflagem. A característica levantou a possibilidade de outras funções.


Entenda a descoberta

  • Espécie estudada: Dalatias licha, maior vertebrado bioluminescente conhecido.
  • Amostra: oito tubarões vivos analisados.
  • Local: região de Chatham Rise, a leste da Nova Zelândia.
  • O que foi medido: intensidade, cor e direção da luz produzida pelos animais.
  • Cor do brilho: azul-esverdeada, com pico próximo de 491 nanômetros.
  • Camuflagem: a luz da barriga ajuda a reduzir a silhueta do tubarão.
  • Possível nova função: parte da luminosidade lateral pode ajudar a localizar presas.
  • O que falta saber: o uso do brilho como “farol” durante a caça ainda precisa ser confirmado em animais observados no ambiente natural.

O que os cientistas descobriram

Para entender o fenômeno, os pesquisadores analisaram oito tubarões vivos capturados acidentalmente durante uma pesquisa científica na região de Chatham Rise, a leste da Nova Zelândia.

A equipe mediu a intensidade, a cor e a direção da luz produzida pelos animais. O brilho da região inferior do corpo apresentou tonalidade azul-esverdeada, com pico de aproximadamente 491 nanômetros.

Os dados apoiam a ideia de que a luz da barriga funciona como camuflagem. Parte da luminosidade também era direcionada para os lados, principalmente na região da frente do corpo, incluindo áreas próximas ao focinho, à mandíbula e às nadadeiras peitorais.

Como funcionaria o “farol” do tubarão

A hipótese dos pesquisadores é que a luz lateral possa iluminar pequenas áreas próximas ao animal e ajudá-lo a encontrar presas no escuro. A possibilidade chama atenção porque o Dalatias licha é um nadador bastante lento, mas consegue se alimentar de animais mais rápidos, incluindo outros tubarões e cefalópodes, grupo que reúne lulas e polvos.

Em vez de depender apenas de perseguições, a espécie pode se beneficiar de aproximações discretas.

Apesar das evidências, o estudo não mostra diretamente um tubarão usando a própria luz para caçar. Os animais foram examinados após a captura, e não observados procurando alimento livremente nas profundezas. Por isso, os pesquisadores ainda precisam acompanhar o comportamento da espécie em seu habitat natural para confirmar a função de “farol”.