Rei do mar! Saiba por que tubarões-brancos são considerados perigosos
Além de serem caçadores temidos por outras espécies, os tubarões-brancos têm um papel ecológico importante para os ambientes marinhos
atualizado
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Os tubarões-brancos (Carcharodon carcharias) são uma das criaturas marinhas mais temidas do planeta pela sua força e tamanho. A fama dos animais chegou até a inspirar filmes de sucesso, como Tubarão (1975), que retrata o peixe como um assassino em série.
Os motivos que levam o tubarão-branco a ser tão perigoso não envolvem apenas sua imponência no mar, mas também o comportamento e o modo como os animais interagem no ambiente. Podendo chegar a mais de seis metros de comprimento e pesar até duas toneladas, uma série de características o tornam um dos predadores mais eficientes dos mares.
“Um diferencial importante do tubarão-branco é sua capacidade de termorregulação, que faz com que o animal consiga manter sua temperatura interna acima do calor da água. Isso aumenta sua resistência em águas frias e proporciona mais energia e explosão na hora da caça”, explica o professor Luiz César de Assis, do Colégio Marista Goiânia.
Características dos tubarões-brancos
- Os tubarões-brancos possuem uma dentição poderosa, capaz de rasgar carne e ossos com facilidade.
- Sua capacidade de termorregulação o permite manter sua temperatura corporal acima da temperatura da água, melhorando sua agilidade e resistência, mesmo águas frias.
- Os peixes contam com um sistema sensorial altamente desenvolvido, conseguindo detectar mínimas vibrações e impulsos elétricos através de suas ampolas de Lorenzini – órgãos sensoriais localizados na cabeça do tubarão.
- O animal tem um olfato apurado e consegue detectar gotas de sangue a quilômetros de distância.
- Somados, todos esses fatores tornam os tubarões-brancos um dos predadores mais temidos do planeta.
Tubarões realmente atacam humanos?
Apesar de ter ganhado a fama de ser um predador feroz de humanos, o oceanógrafo Ricardo de Souza Rosa explica que, geralmente, o tubarão-branco não ataca pessoas de forma intencional, já que não fazemos parte da rotina alimentar do animal.
“Uma das teorias mais aceitas é a de que, ao ver um surfista deitado na prancha, o tubarão pode confundir essa silhueta com a de um mamífero marinho — como uma foca, por exemplo. Isso explicaria a ocorrência de ataques a surfistas”, diz o professor do programa de pós-graduação em ciências biológicas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Um outro indício da rejeição a humanos é o fato de que, na maioria dos casos, quando o tubarão ataca as pessoas, ele dá apenas uma mordida, podendo arrancar algum pedaço, mas sem engolir a presa. O especialista classifica esse movimento como uma “mordida exploratória”. No entanto, dependendo do porte e da força, o ataque acidental pode ser fatal para humanos.
Papel ecológico fundamental
Além de caçadores eficientes, os tubarões-brancos têm um papel ecológico importante para os ambientes marinhos. Os animais são reguladores naturais dos oceanos, controlando populações de presas e contribuindo para a seleção natural. A medida mantém o equilíbrio ecológico nos mares, evitando a superlotação de mamíferos marinhos.
Um grande exemplo disso acontece na costa da África do Sul. Em estudo publicado em março na revista científica Frontiers in Marine Science, pesquisadores perceberam que os ataques de baleias orcas a tubarões-brancos estão afetando o ecossistema local de forma agressiva.
Com a redução dos tubarões, populações de focas-do-cabo e tubarões-de-sete-guelras aumentaram, reduzindo a quantidade de suas presas e levando a uma competição intensa por alimentos. Sem medidas eficazes, o sistema ecológico sul-africano pode ser transformado permanentemente.
Como prevenir acidentes
A melhor forma de evitar acidentes com os predadores é respeitar a sinalização e orientação dos mares. Em regiões com histórico de ataques, a entrada na água em algumas praias deve ser evitada. Também é importante educar a população sobre o comportamento dos tubarões, para evitar reações violentas contra os animais e preservar a espécie.
“Quando há ataques, pescadores eliminam tubarões indiscriminadamente, mesmo que a espécie não seja a responsável. Isso é grave, pois o tubarão-branco é protegido por lei e está sob risco de extinção em várias regiões”, finaliza Assis.
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