Fóssil revela tiranossauro gigante que viveu muito antes do T. rex
Osso da tíbia encontrado no Novo México indica que um tiranossauro gigante, parente do T.rex, já existia há cerca de 74 milhões de anos
atualizado
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Um tiranossauro gigante que viveu há cerca de 74 milhões de anos pode ter sido identificado por cientistas após a análise de um fóssil encontrado no estado do Novo México, nos Estados Unidos.
A descoberta indica que dinossauros gigantes da mesma família do Tyrannosaurus rex já existiam milhões de anos antes de o famoso “rei dos dinossauros” aparecer e dominar a América do Norte.
O estudo analisou uma tíbia — osso da perna — encontrada na Formação Kirtland, uma região conhecida por preservar fósseis do fim da era dos dinossauros. De acordo com os pesquisadores, o osso pertenceu a um grande parente do T. rex que viveu em um período anterior ao auge da espécie mais conhecida.
Para comparação, a maioria dos fósseis de Tyrannosaurus rex data de cerca de 66 a 68 milhões de anos atrás, pouco antes da extinção dos dinossauros. Isso sugere que tiranossauros gigantes já existiam pelo menos alguns milhões de anos antes do que se pensava.
A pesquisa foi liderada pelo paleontólogo Nicholas Longrich, da Universidade de Bath, no Reino Unido, e teve os resultados publicados nessa quinta-feira (12/3) na revista científica Scientific Reports.
Tiranossauro gigante
O tamanho do osso encontrado ajuda a ter uma ideia das dimensões do animal. A tíbia do dinossauro gigante tem quase o mesmo tamanho do osso do maior T. rex conhecido, um esqueleto famoso apelidado de Sue.
A comparação indica que o dinossauro poderia pesar cerca de 4,7 toneladas, o equivalente ao peso de um elefante-africano macho grande.
Mesmo não sendo tão grande quanto os maiores tiranossauros já descobertos, ele provavelmente era o maior representante desse grupo que viveu naquela época, o que reforça ainda mais a ideia de que os tiranossauros gigantes surgiram antes do que os cientistas imaginavam.
Origem dos tiranossauros
Além do tamanho exorbitante, o fóssil também pode ajudar a esclarecer onde surgiram os ancestrais do T. rex. Entre os paleontólogos, existem duas hipóteses principais. Uma delas sugere que eles teriam aparecido na Ásia e, depois, migrado para a América do Norte.
Outra teoria indica que eles podem ter surgido no sul de uma região que hoje faz parte da América do Norte. Na época dos dinossauros, o continente era dividido por um mar interno, formando uma faixa de terra chamada Laramidia.
O novo fóssil foi encontrado justamente na área da Laramidia. Por isso, a descoberta pode reforçar a ideia de que os primeiros tiranossauros gigantes evoluíram ali mesmo, na América do Norte, antes de se espalharem por outras regiões.
Parentesco com o T. rex
Mesmo apenas com um único osso da perna, os cientistas conseguem tirar muitas informações sobre o dinossauro: a tíbia encontrada tem um formato grosso, reto e com a parte inferior mais larga, características típicas dos tiranossauros.
Isso é útil porque esses detalhes ajudam os pesquisadores a comparar o fóssil com os ossos de outros dinossauros já conhecidos. Na mesma região onde o osso foi descoberto, por exemplo, também foram encontrados fósseis de outro tiranossaurídeo chamado Bistahieversor.
No entanto, o Bistahieversor era bem menor e apresentava diferenças no formato dos ossos. Por causa dessas características, os cientistas acreditam que o dinossauro do novo fóssil estava mais próximo do Tyrannosaurus rex na árvore evolutiva do que desse parente menor.
Ainda faltam mais evidências
A idade do fóssil foi determinada por meio da análise de isótopos de argônio que ficam nas cinzas vulcânicas na camada geológica onde o osso foi encontrado. O método permitiu datar o material com uma precisão relativa, sem cravar a data com toda a certeza.
Os pesquisadores afirmam que ainda são necessários novos fósseis, como dentes ou outros ossos, para entender melhor o tamanho real do animal e a posição na árvore evolutiva dos tiranossauros.
