Telescópio revela mais 10 mil possíveis planetas fora do Sistema Solar
Estudo analisou dados de mais de 83 milhões de estrelas pelo telescópio TESS, da Nasa, e descobriu sinais que passariam despercebidos
atualizado
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Mais de 10 mil possíveis exoplanetas foram encontrados por cientistas após a análise de sinais que poderiam ser ignorados. A descoberta foi feita a partir de dados do Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), telescópio espacial da Nasa, e pode ampliar de forma significativa a lista de mundos conhecidos além da Terra.
Os exoplanetas são planetas que orbitam estrelas fora do Sistema Solar. Desde que o primeiro deles foi confirmado, em 1995, astrônomos já encontraram mais de 6 mil desses mundos pela galáxia. Com o novo estudo, publicado em 20 de abril na plataforma arXiv, o levantamento passará de 16 mil — o número ainda passará pela revisão de outros cientistas.
O resultado chama atenção pela quantidade: os pesquisadores analisaram informações de mais de 83 milhões de estrelas e identificaram 11.554 possíveis exoplanetas.
Dos 11.554 candidatos encontrados, 10.091 são novos. Outros 1.052 já haviam sido apontados em levantamentos anteriores. Há também 411 sinais de trânsito único, quando o possível planeta foi visto passando apenas uma vez diante da estrela, o que torna mais difícil calcular sua órbita.
Como os planetas foram encontrados
Para procurar esses possíveis planetas, os pesquisadores usaram dados do TESS, telescópio da Nasa lançado em 2018 para observar estrelas e buscar sinais de planetas ao redor delas. A novidade do estudo está no tipo de estrela analisada.
Normalmente, os astrônomos dão prioridade às estrelas mais brilhantes, porque os sinais são mais fáceis de enxergar e confirmar. Desta vez, os pesquisadores foram atrás de estrelas mais fracas, que costumam ficar de fora das buscas tradicionais.
O TESS identifica exoplanetas observando pequenas quedas no brilho das estrelas. Isso acontece quando um planeta passa na frente de sua estrela, do ponto de vista da Terra, bloqueando uma pequena parte da luz. Esse fenômeno é chamado de trânsito.
Essas estrelas já apareciam nas imagens feitas pelo TESS, mas eram difíceis de estudar. Como emitem pouca luz, qualquer queda de brilho provocada por um planeta é muito sutil. Para resolver isso, a equipe usou um algoritmo de aprendizado de máquina, técnica computacional capaz de reconhecer padrões em grandes volumes de dados.
Na prática, o sistema foi usado para procurar pistas quase imperceptíveis de que um planeta poderia ter passado na frente de uma estrela. Esse tipo de análise seria inviável para humanos fazerem manualmente, já que envolveria checar dezenas de milhões de estrelas.
Apesar do entusiasmo, os cientistas ainda precisam confirmar se os demais candidatos são realmente planetas. Isso exige novas observações e análises independentes, um processo que pode levar meses ou anos. Também é pouco provável que esses mundos tenham condições parecidas com as da Terra.
Mesmo assim, a descoberta é importante porque mostra que muitos planetas podem estar escondidos em dados que antes eram ignorados.
