Estudo lista ações para evitar surtos de H5N1 em mamíferos marinhos
De acordo com o novo estudo, os surtos provocados por H5N1 já mataram mais de 50 mil focas e leões-marinhos na América do Sul
atualizado
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Segundo um novo estudo, mais de 50 mil pinípedes, grupo que inclui focas e leões-marinhos, já foram vítimas de surtos de gripe aviária na América do Sul. Além de descobrir os números, a pesquisa teve como objetivo analisar o impacto da doença entre esses animais e recomendar ações para monitorar, conhecer os riscos e ter uma resposta mais efetiva e rápida a uma nova chuva de casos.
Em números totais, os surtos de H5N1 no Peru, Chile, Brasil, Uruguai e Argentina já mataram 36 mil leões-marinhos sul-americanos, 17,4 mil elefantes-marinhos-do-sul e mil lobos-marinhos sul-americanos.
Quando os animais são infectados pela doença, rapidamente o vírus se espalha, causando sintomas graves e, em muitos casos, a morte de muitos exemplares. Surtos de H5N1 são considerados uma grave ameaça à biodiversidade.
“Existe um risco de conservação enorme e sem precedentes. A gripe está em constante mutação, e isso é um grande problema agora que está circulando amplamente em aves e mamíferos marinhos”, afirma uma das autoras do estudo, Christine Johnson, em comunicado.
As descobertas alarmantes e recomendações foram lideradas por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Davis (UC Davis), nos Estados Unidos. Os resultados foram publicados na revista Philosophical Transactions B no início de março.
Ponto de partida e recomendações para evitar os surtos de H5N1
Os primeiros surtos causados pela influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP H5N1) em mamíferos marinhos foram detectados em 2022. O achado demonstrou que o vírus começou a se adaptar e se espalhar por espécies não aviárias.
No ano seguinte, ocorreu outra chuva de casos na América do Sul, especialmente na Argentina. Esse em específico foi acompanhado pela coautora do estudo, Marcela Uhart. Segundo ela, o testemunho e a documentação da situação ajudaram os especialistas a criarem estratégias para responderem o surto mais rapidamente e evitar tantas mortes.
Entre as principais recomendações para evitar novos surtos, estão:
- Financiar e apoiar o monitoramento da vida selvagem a longo prazo, com foco na vigilância ente surtos e durante eles para identificar tendências e respondê-las com rapidez;
- Ter mais redes de comunicação e coordenação entre os pesquisadores;
- Tornar a vigilância da vida selvagem uma tarefa essencial das atividades de pesquisa e gestão de conservação;
- Melhorar as tecnologias de monitoramento não invasivo;
- Criar novas políticas públicas que abordem as principais causas de surtos de gripe aviária;
- Combater outras ameaças, como a perda de habitat e as mudanças climáticas, que podem tornar as populações mais vulneráveis.
Algumas das ações, especialmente as de monitoramento constante, já foram colocadas em prática. No final de 2025 e em fevereiro deste ano, pesquisadores coletaram amostras de mamíferos marinhos e aves infectadas com H5N1 nos Estados Unidos para avaliar o desenvolvimento do vírus.
“Os vírus da gripe aviária H5 representam uma ameaça emergente para as populações de focas e leões-marinhos, que já enfrentam inúmeras pressões de conservação.Compreender como esse vírus se espalha nos ecossistemas costeiros é fundamental para proteger a vida marinha vulnerável”, conclui a primeira autora, Elizabeth Ashley.
