Startup cria ovo artificial e promete ressuscitar ave extinta
Empresa norte-americana anunciou o nascimento de 26 pintinhos criados em “ovo artificial”, prometendo “ressuscitar” aves extintas
atualizado
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Em um anúncio realizado nesta terça-feira (19/5), por meio de um vídeo promocional, a startup norte-americana Colossal Biosciences comunicou o nascimento de 26 pintinhos a partir de uma casca impressa em 3D. A empresa é a mesma que gerou polêmica no passado ao afirmar ter recriado o extinto lobo-terrível.
Segundo a companhia, a nova tecnologia poderia abrir caminhos para a “desextinção” de aves desaparecidas, como os moas gigantes da Nova Zelândia — espécie extinta há 600 anos, que não voava e chegava a medir mais de 3 metros de altura.
Diante do comunicado, no entanto, especialistas alertaram a imprensa internacional sobre o histórico de exageros da empresa e apontaram a falta de comprovação científica para a nova técnica.
Como funciona a casca em impressão 3D?
A tecnologia consiste em uma estrutura feita em formato de treliça 3D, revestida por uma membrana transparente de silicone. O sistema funciona como uma incubadora externa onde os ovos fertilizados são removidos de suas cascas naturais e transferidos para os dispositivos artificiais e continuam o desenvolvimento embrionário.
O grande diferencial prometido pela startup seria a capacidade da membrana de realizar trocas gasosas de forma idêntica à de uma casca real. Isso eliminaria a necessidade de bombardeio intenso de oxigênio artificial na fase final do embrião — um problema crônico em experimentos anteriores do tipo.
Apesar do anúncio, a técnica não é uma novidade absoluta. Experimentos de incubação fora da casca (ex-ovo) já tinham sido realizados por outros grupos de cientistas desde a década de 1990, utilizando materiais como filmes plásticos e copos adaptados.
Críticas da comunidade científica
Mesmo com o tom futurista dos vídeos promocionais, a comunidade científica recebeu o anúncio com extremo ceticismo. O principal motivo é o segredo em torno do experimento, já que a empresa empresa não publicou nenhum artigo revisado por pares ou dados técnicos detalhados.
“Pode ser realmente importante, pode ser fantástico. Mas, sem dados, é impossível avaliar qual será o verdadeiro impacto”, diz Paul Mozdziak, biólogo de células-tronco da Universidade Estadual da Carolina do Norte, em entrevista à revista Nature.
Os cientistas apontam outras para falhas cruciais no anúncio, como eficácia desconhecida, pois a startup não divulgou sua taxa de sucesso e não há informações de quantos embriões morreram para que os 26 pintinhos conseguissem nascer.
Ovo incompleto, a estrutura em 3D substitui apenas a casca externa, porém, o embrião continua totalmente dependente de elementos biológicos naturais e insubstituíveis, como a gema e a clara originais e a falta de provas embasdas.
“A Colossal afirma que sua membrana de silicone é melhor do que os métodos existentes porque permite a passagem de oxigênio na mesma proporção que a casca de um ovo de galinha e não requer oxigênio adicional. No entanto, a empresa não divulgou nenhum resultado experimental para comprovar essa afirmação. Adoraríamos ver os números de eficiência”, cobrou Ben Novak, do grupo de conservação Revive & Restore, à revista New Scientist.
Mesmo que o sistema de incubação artificial funcione perfeitamente no futuro, especialistas reforçam que trazer espécies como o moas de volta ainda é uma realidade distante.
O DNA de animais extintos se fragmenta e se degrada progressivamente ao longo dos séculos, o que impede a reconstrução de um genoma 100% idêntico ao original. Na prática, a tecnologia poderia gerar, no máximo, híbridos modernos modificados geneticamente.