Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Ciência

"Precisamos defender a ciência", diz pesquisador que venceu prêmio nos EUA.

Cientista brasileiro vence prêmio inédito nos EUA por criar conteúdos na internet sobre o funcionamento de vacinas

27/10/2026 17:43, atualizado 27/10/2026 17:44
Arquivo Pessoal
Imagem colorida de homem branco de óculos, cabelo preto e camisa branca - Metrópoles

O engenheiro biomédico brasileiro Daniel Dahis, de 34 anos, venceu o Eric and Wendy Schmidt Awards for Excellence in Science Communication, garantindo pela primeira vez a premiação ao Brasil. A vitória do pesquisador na categoria Research Scientist: Early Career, voltada a cientistas em início de carreira, foi confirmada nesta segunda-feira (26/10).

O prêmio é concedido pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos (NASEM, na sigla em inglês) a cientistas, jornalistas e criadores de conteúdo que levam temas da área científica de forma didática.

A honraria foi concedida devido a seus conteúdos em suas redes sociais sobre como é o funcionamento de vacinas, doenças, tratamento e outras pesquisas. Atualmente, Dahis conta com 777 mil seguidores em sua página no Instagram. Na rede, alguns de seus vídeos já bateram a marca de 2 milhões de visualizações. Pelo prêmio, o brasileiro receberá US$ 40 mil (pouco mais de R$ 210 mil, na conversão em real).

“Esse prêmio é especialmente importante no contexto em que vivemos, em que existe uma abundância de informações, muitas vezes contraditórias e, às vezes, propagadas por pessoas que têm autoridade. Nas redes sociais, por exemplo, um médico pode divulgar uma informação falsa e dizer que as vacinas não funcionam”, exemplifica o cientista em entrevista ao Metrópoles.

O pesquisador já recebeu relatos de que seus vídeos sobre assuntos considerados polêmicos, como o funcionamento de vacinas e seus efeitos, tiveram impactos positivos.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

“Tenho uma amiga, por exemplo, cujo pai não queria tomar a vacina contra herpes-zóster. Ela encaminhou um dos meus conteúdos para ele, que gostou do que viu e decidiu se vacinar. Já pensou no impacto que isso pode ter em escala? Também recebo mensagens de jovens que decidiram seguir carreira científica ou fazer pesquisa a partir do meu conteúdo. É um impacto imensurável”, destaca Dahis.

A importância da ciência ser didática

Em tempos em que a desinformação pode se propagar facilmente pela internet, conteúdos científicos mais fáceis de serem compreendidos pelos internautas podem, segundo Dahis, criar uma barreira contra as fake news.

“Vivemos um período em que a desinformação cobra vidas. Imagine, por exemplo, um conteúdo divulgado por um médico dizendo que a ivermectina trata o câncer. Se você é uma paciente oncológica e confia muito naquele médico, existe uma probabilidade considerável de abandonar o tratamento para seguir o que ele está dizendo”, ressalta o pesquisador.

O engenheiro conta que quando publica vídeos defendendo e explicando os reais efeitos das vacinas é o momento em que mais recebe críticas e ataques nas redes sociais. “Sabemos que, desde 1998, o tema das vacinas se tornou, infelizmente, polêmico, e essa controvérsia foi acentuada pela politização da ciência durante a pandemia de Covid-19. Mas as vacinas estão entre as tecnologias mais eficazes para aumentar a longevidade”, defende.

Boletim informativo para traduzir artigos científicos

Além dos conteúdos publicados na internet, o especialista é o líder do “Eureka!”, uma newsletter gratuita de divulgação científica que traduz diariamente artigos científicos para que possam ser lidos em três a cinco minutos.

“Precisamos de mais gente defendendo o conhecimento científico em uma época marcada pela desinformação e pela negação da ciência. Como gosto de dizer, uma das piores maneiras de viver é ignorar a ciência. Espero que o prêmio ajude a chamar outros cientistas brasileiros para as redes sociais”, diz Dahis.