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Ciência

Inédito: cientistas conseguem "reviver" rins de porco congelados há 1 ano

Caso o estudo seja comprovado, a ação pode se tornar uma alternativa promissora para que órgãos humanos possam ficar mais tempo guardados

20/10/2026 12:59, atualizado 20/10/2026 13:02
Unsplash
Imagem colorida mostra porcos - Metrópoles

Cientistas norte-americanos reviveram rins de porcos que estavam congelados por até um ano em temperaturas de -150 ºC. A comprovação veio após os órgãos serem reaquecidos e transplantados. No corpo dos animais, eles recuperaram a cor rosada e ainda conseguiram produzir urina, evidenciando que tinham um funcionamento adequado.

A descoberta, liderada por pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, teve os resultados publicados em versão pré-print no bioRxiv na quinta-feira passada (14/10). Ou seja, o trabalho ainda precisa ser avaliado por outros cientistas independentes.

Caso o estudo seja, de fato, comprovado, a ação pode se tornar uma alternativa promissora para que, no futuro, órgãos humanos possam passar mais tempo armazenados até o encontro de uma pessoa para doar. Atualmente, o prazo para levá-los ao receptor correto antes que a preservação fique prejudicada é de 24 a 36 horas, um limite bastante apertado.

Além disso, tornar os órgãos mais resistentes à ação do tempo pode ajudar a impedir a rejeição deles no corpo e diminuir a necessidade de ingestão de medicamentos que suprimem o sistema imunológico entre os transplantados.

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Como foi feito o processo de descongelamento dos rins?

Para o processo, os cientistas utilizaram uma técnica chamada vitrificação, na qual eles resfriam células a temperaturas muito baixas, transformando-as em algo semelhante a vidro. Ela é bastante usada para guardar óvulos, espermatozoides e embriões.

Como os órgãos são muito maiores, eles tiveram que utilizar crioprotetores também, que são substâncias químicas que impedem a formação de cristais de gelo prejudiciais. No entanto, elas são tóxicas.

A solução para o problema seguinte foi infundir os órgãos carregados com crioprotetores em nanopartículas de óxido de ferro para evitar danos às células.

Assim que são reaquecidos, as nanopartículas são ativadas por um campo eletromagnético que libera calor por todo o órgão. Os cientistas conseguem controlar a taxa de aquecimento até ela se acelerar quando o órgão atinge -120 ºC.

Quando foram transplantados reaquecidos em porcos, os rins ficaram rosados imediatamente. Por outro lado, apesar de terem produzido urina, o volume ficou dois terços abaixo da quantidade esperada. A maioria dos órgãos ficou guardada por dias ou semanas, mas um foi armazenado por mais de um ano e chamou a atenção dos cientistas por ter produzido urina imediatamente.

“Na verdade, ele parecia melhor do que muitos dos [outros] rins. Agora podemos afirmar com segurança que podemos armazená-los por um ano e reaquecê-los com excelente funcionamento”, afirma um dos líderes do estudo, Erik Finger, em comunicado.

Apesar dos resultados promissores, o trabalho ainda precisa ser aprovado por cientistas independentes. Além disso, os pesquisadores precisam resolver o fato de os rins reaquecidos produzirem menos urina e terem apresentado sinais de lesão.