Planta comum no Brasil ajuda a retirar microplásticos da água
Estudo brasileiro mostra que extrato feito a partir de sementes tem eficácia parecida com agente químico usado para tratar a água
atualizado
Compartilhar notícia

Os microplásticos se tornaram uma ameaça para o meio ambiente e saúde humana. Eles estão por toda parte, inclusive nos oceanos. Pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (ICT-Unesp), em São José dos Campos, descobriram um aliado natural para a remoção deles da água: as sementes da moringa.
Apesar de ser originária da Índia, a moringa se tornou comum no Brasil devido à alta adaptabilidade a países tropicais. Além de ser utilizada para alimentação — através de folhas e sementes —, a planta, que também é conhecida como acácia-branca (Moringa oleifera), tem sido investigada como uma opção para tratar impurezas na água.
Os resultados do novo estudo foram publicados na revista ACS Omega, da Sociedade Americana de Química, em 19 de janeiro.
No processo tradicional de limpeza, especialistas deixam a água coagulada, um processo importante do tratamento, onde agentes químicos — como o sulfato de alumínio — são adicionados para tornar as pequenas partículas de poluição visíveis, formando um aglomerado entre elas.
No novo estudo, os pesquisadores mostraram que o extrato salino das sementes de moringa tem uma performance parecida ao do sulfato de alumínio. Em águas mais alcalinas, ele teve um desempenho até melhor do que o produto químico.
Tanto os agentes químicos, quanto o extrato da semente atuam de forma semelhante: eles neutralizam a carga elétrica negativa de poluentes como os microplásticos e impedem que eles se espalhem pela água. Os fragmentos se unem, possibilitando que sejam filtrados.
O coordenador do estudo, Adriano Gonçalves dos Reis, aponta que a única desvantagem da semente em relação ao agente químico é que ela elevou a quantidade de matéria orgânica dissolvida na água. A retirada de mais fragmentos pode tornar o processo mais caro.
“No entanto, em pequenas escalas como propriedades rurais e pequenas comunidades, o método poderia ser usado com baixo custo e eficiência”, ressalta o professor do ICT-Unesp.
Testes da eficácia da planta para tratar a água
Os testes com a semente foram feitos com água de torneira contaminada intencionalmente com policloreto de vinila (ou PVC), um termoplástico bastante usado na construção civil. O material foi selecionado por potencial mutagênico e cancerígeno amplamente documentado e por estar presente em nosso dia a dia.
Os pesquisadores envelheceram artificialmente o PVC através de irradiação provocada por raios ultravioleta. O objetivo era simular como ficam os microplásticos após serem impactados por processos naturais durante o tempo em que ficam expostos no ambiente.
Após a água passar pelo processo de coagulação por meio do extrato natural e do agente químico, não foram encontradas diferenças importantes na remoção das partículas. A contagem dos fragmentos foi feita através de microscopia eletrônica de varredura (MEV) e o tamanho dos flocos medido por meio de uma câmera de alta velocidade e feixe de laser.
Com os resultados promissores, o alvo atual dos pesquisadores é testar o método diretamente em água coletada em um rio de São José dos Campos para uma investigação mais aprofundada sobre o potencial do extrato de sementes de acácia-branca.
