Água subterrânea da América do Norte equivale a 13 Grandes Lagos
Por meio de inteligência artificial, cientistas criaram um mapa para mostrar como está distribuída a água subterrânea pela América do Norte
atualizado
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Com base em dados climáticos e de satélite e com a ajuda da inteligência artificial, pesquisadores da Universidade de Princeton descobriram que existem cerca de 306,5 mil km³ de água subterrânea nos Estados Unidos continentais — junção entre todos os países da América do Norte, excluindo apenas os territórios do Alasca e Havaí.
O montante é equivalente a 13 vezes o volume dos Grandes Lagos norte-americanos, um sistema de lagos gigantes localizados na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá.
A descoberta, liderada pelo hidrólogo Reed Maxwell, teve os resultados publicados na revista Communications Earth & Environment em 14 de janeiro.
Inovações ajudam a descobrir quantidade de água subterrânea
Grande parte da água doce na Terra não é visível, com apenas 1% estando na superfície. A maioria está armazenada entre poros das rochas e do solo localizados no subsolo. Diante da dificuldade de encontrá-la, muitas das medições anteriores utilizavam apenas observações em poços, o que as tornou imprecisas.
Para resolver o problema, os cientistas juntaram o método de medição antigo com dados de satélite e informações climáticas, incluindo mapas de precipitação, temperatura, condutividade hidráulica, textura do solo, altitude e distância dos cursos d’água.
Em seguida, todas as informações foram utilizadas para treinar um modelo de aprendizado de máquina, que criou o mapa mostrando existência de 306,5 mil km³ de água subterrânea nos Estados Unidos continentais. A projeção tem resolução de 30 metros, o que é considerado excelente para ver os recursos hídricos.
Quando os cientistas aumentaram de 30 metros para 100 km — a resolução de vários modelos hidrológicos globais — além de muito pixelizado, o mapa subestimou 18% da água total. O resultado mostrou como a baixa qualidade das projeções anteriores as tornaram mais suscetíveis ao erro.
Através do mapa, também descobriu-se que cerca de 40% das terras na América do Norte possuem lençóis freáticos com menos de 10 metros de profundidade, uma faixa essencial para interação entre plantas, solo e água subterrânea. “Isso demonstra o quão interligados esses sistemas estão”, afirma uma das autoras do artigo, Laura Condon, em comunicado.
A expectativa dos pesquisadores é de que o mapa que mostra onde está a água subterrânea no território influencie nas decisões de gestores de recursos hídricos e agricultores, além de aumentar a conscientização para protegê-la.
“Há uma grande variedade de pessoas que precisam entender a quantidade de água subterrânea disponível, sua profundidade e sua acessibilidade. Essas são apenas as necessidades imediatas de gestão que serão atendidas pela mapa”, conclui Maxwell em comunicado.
