Planeta se “sacrificou” para salvar luas de Júpiter e Urano. Entenda

Ao criar mais de 100 simulações, pesquisadores descobriram que planeta ajudou a salvar as luas dos gigante ainda no início da Universo

atualizado

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Ilustração colorida mostra Urano - Metrópoles
1 de 1 Ilustração colorida mostra Urano - Metrópoles - Foto: SCIEPRO/SCIENCE PHOTO LIBRARY/GETTY IMAGES

O início do Universo pode ter sido marcado por um ato que, do ponto de vista de Júpiter e Urano, foi heroico. Segundo um novo estudo, ambos os planetas tiveram suas luas atuais salvas graças à existência de um terceiro astro — um gigante de gelo que não sobreviveu à época em que os corpos planetários do nosso Sistema Solar se movimentavam até as posições atuais.

Dando mais detalhes, os pesquisadores explicam que entre 3 e 4 bilhões de anos atrás, Júpiter, Urano, Saturno e Netuno, considerados os maiores planetas do Sistema Solar, orbitavam o Sol em uma distância muito menor. Gradualmente, as interações gravitacionais os levaram para a região onde permanecem atualmente.

Considerado o processo de movimentação dos planetas, o estudo fez simulações para entender como a disputa por posições poderia ter afetado as luas de Júpiter e Urano. Foi assim que os cientistas descobriram o “sacrifício” do planeta perdido.

A pesquisa liderada por especialistas internacionais -incluindo do renomado centro de pesquisa e engenharia Johns Hopkins APL, nos Estados Unidos-  teve os resultados publicados na revista Icarus no final de março.

Simulações mostram planeta perdido por luas de gigantes

Através de diferentes combinações iniciais de planetas e cenários distintos dos padrões de migração dos planetas, foram realizadas 122 simulações computacionais em busca das que mais tinham probabilidade de ter ocorrido.

Ao analisar as diversas representações, descobriu-se as probabilidades dos cenários. Entre as porcentagens estavam:

  • As luas de Júpiter sobreviveram à migração dos gigantes em menos de 15% das simulações;
  • As luas de Urano em cerca de 9% das simulações;
  • Quando haviam dois gigantes de gelo no cenário, as luas de Júpiter tinham mais chances de sobreviver;
  • Quando havia apenas um gigante de gelo, as luas de Urano tinham mais chances de sobreviver;
  • As chances das luas de ambos terem sobrevivido no mesmo cenário era de menos de 1%.

Apenas dois cenários apontavam que as luas de Júpiter e Urano sobreviviam ao mesmo tempo e nos dois havia apenas um gigante gelado que não resistia posteriormente. 

“O sistema solar é o resultado de uma evolução instável bastante improvável”, afirmam os autores no artigo.

Na simulação mais provável, o planeta perdido deu um impulso gravitacional para Júpiter chegar a sua posição atual. Já para Urano, a existência do gigante gelado alterou as migrações dos planetas e evitou que ele se chocasse com outros mundos e perdesse suas luas.

Apesar dos achados, os cientistas avaliam que a simulação só é capaz de criar uma ideia geral do que aconteceu e dificilmente algum dia se descubriria todos os detalhes que salvaram as luas de Júpiter e Urano, pois algum fator aleatório teve papel primoridal para o processo.

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