Nova técnica pretende substituir combustíveis por pão velho. Entenda
A técnica com pão velho foi feita por cientistas escoceses e é neutra em carbono, sendo considerada uma opção responsável ambientalmente
atualizado
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À primeira vista parece algo totalmente improvável, mas pesquisadores da Universidade de Edimburgo, na Escócia, conseguiram substituir o uso de combustíveis fósseis por pão no processo de hidrogenação. A reação química é uma das mais utilizadas na indústria química e serve para fabricar alimentos, produtos farmacêuticos, plásticos e outros itens rotineiros.
A mágica ocorre em uma das partes essenciais do processo: a utilização do hidrogênio. Atualmente, a reação química utiliza o elemento químico derivado de combustíveis, mas o novo sistema obtém o recurso através de uma fórmula microbiana simples que utiliza pão amanhecido.
A nova abordagem é responsável ambientalmente e neutra em carbono. Para os pesquisadores, a descoberta tem potencial para abrir novos caminhos, visando tornar o processo de fabricação de outros produtos menos prejudicial aos ecossistemas mundiais.
“A hidrogenação é fundamental para grande parte da indústria moderna, mas ainda depende quase que exclusivamente do hidrogênio produzido a partir de combustíveis fósseis. O que demonstramos é que as células vivas podem fornecer esse hidrogênio diretamente, utilizando resíduos como matéria-prima, e fazê-lo de uma forma que pode ser, de fato, negativa em termos de carbono”, aponta um dos autores do artigo, Stephen Wallace, em comunicado.
O trabalho liderado pela universidade escocesa teve os resultados publicados na revista científica Nature Chemistry nessa segunda-feira (23/2).
Como pão velho foi transformado em combustível limpo
Os cientistas escoceses utilizaram uma cepa da bactéria Escherichia coli para provar que o hidrogênio usado na hidrogenação podia vir de uma fonte não poluidora. O microrganismo foi alimentado com açúcares retirados do pão amanhecido, além de ter sido cultivado sem oxigênio.
No recipiente da reação, foi adicionada uma pequena quantidade de catalisador de paládio, um composto químico que utiliza o metal nobre para acelerar reações químicas. Como resultado, o hidrogênio gerado foi capaz de impulsionar a hidrogenação de forma branda e com baixo consumo energético – atualmente, a reação química exige muita energia e necessita de temperatura e pressão bastante elevadas para dar certo.
A reação natural feita pelos cientistas foi realizada em único frasco selado em temperatura semelhante à do ambiente, sem precisar utilizar combustíveis fósseis.
Análises posteriores mostraram que, ao não usar o hidrogênio derivado de combustíveis fósseis e evitar que resíduos alimentares sejam descartados em aterros sanitários ou incinerados, o sistema criado pelos cientistas remove mais gases do efeito estufa do que produz.
O plano atual dos cientistas é expandir a abordagem para tornar a fabricação de itens rotineiros mais responsável ambientalmente.
“Essas técnicas podem ajudar a promover uma revolução verde na indústria manufatureira no Reino Unido e em outros países, e incentivamos as empresas interessadas em trabalhar conosco a entrarem em contato”, conclui Susan Bodie, diretora de desenvolvimento de inovação e licenciamento da Edinburgh Innovations.
