Ciência desvenda causa de pandemia que devastou cidade há 1.500 anos
Examinando vestígios arqueológicos, pesquisadores descobriram bactéria que causou mortes em massa em comunidade localizada na Jordânia
atualizado
Compartilhar notícia

Uma antiga vala comum encontrada na atual Jordânia revelou pistas sobre uma pandemia que atingiu uma comunidade há cerca de 1.500 anos. A pesquisa foi liderada pela Universidade do Sul da Flórida, nos Estados Unidos, e publicada em 13 de janeiro de 2026 no Journal of Archaeological Science.
Os pesquisadores estudaram esqueletos encontrados no sítio arqueológico de Jerash, antiga cidade romana na atual Jordânia. O local chamou atenção porque os corpos foram depositados juntos, sem o padrão funerário mais comum para a época, o que costuma indicar uma situação emergencial. Ali, foram identificados sinais de uma infecção bacteriana que pode ter causado mortes em massa.
Segundo os autores, comunidades daquele período geralmente seguiam rituais específicos para sepultar os mortos. Na vala comum, porém, os indivíduos foram enterrados rapidamente em um mesmo espaço.
Para a equipe, o cenário indica que a população pode ter enfrentado um número elevado de mortes em pouco tempo, dificultando a organização de cerimônias tradicionais.
Ao todo, os pesquisadores analisaram amostras biológicas preservadas em dentes e ossos para investigar se algum microrganismo antigo poderia ser identificado.
Exames detectaram bactéria ligada à peste bubônica
Os testes detectaram material genético de Yersinia pestis, bactéria associada à peste bubônica e outras formas de peste. A infecção costuma ser transmitida por água ou alimentos contaminados e pode provocar febre alta, dor abdominal, fraqueza intensa e desidratação.
Para os autores, a presença do patógeno reforça a hipótese de que um surto infeccioso contribuiu para as mortes registradas no local. Os cientistas destacam que não é possível reconstruir todos os detalhes do episódio, mas a descoberta mostra que epidemias afetavam sociedades antigas de forma severa muitos séculos antes da medicina moderna.
Além de lançar luz sobre a história da saúde pública, o estudo mostra como técnicas atuais de genética conseguem identificar doenças em restos humanos antigos.
A combinação entre arqueologia, biologia molecular e história mostra que crises sanitárias acompanham a humanidade há milênios.
