ONU: guerra no Irã pode levar insegurança alimentar a níveis recordes
Segundo o comunicado das Organização das Nações Unidas (ONU), a insegurança alimentar mundial pode atingir 363 milhões de pessoas
atualizado
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Um novo levantamento feito pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que, se a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã continuar até junho, 363 milhões de pessoas poderão sofrer com a insegurança alimentar no mundo. O comunicado foi divulgado nessa terça-feira (17/3).
Atualmente, o número está em 318 milhões. A adição de mais 45 milhões de pessoas ao montante baterá o recorde anterior estabelecido pelo conflito iniciado na Ucrânia em 2022, quando 349 milhões de indivíduos ficaram sem se alimentar adequadamente.
A expansão da fome tem bastante ligação com a elevação do preço dos barris de petróleo. Com o início da guerra, o Irã endureceu as regras para os países transportarem seus combustíveis líquidos pelo Estreito de Ormuz. O local é considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo e por onde passa cerca de 20% da riqueza fóssil global.
Além disso, outros produtos importantes também têm a passagem prejudicada, como gás natural liquefeito e fertilizantes. Com a baixa no fornecimento do último, países vulneráveis que estão entrando na época do plantio podem ver o desenvolvimento de suas culturas declinarem.
“Se este conflito continuar, terá repercussões em todo o mundo. As famílias que já não têm dinheiro para a próxima refeição serão as mais afetadas”, alerta o diretor de operações do PMA, Carl Skau, em comunicado.
Cálculo da insegurança alimentar
Para chegar aos resultados, foi utilizado o número de pessoas que, antes da guerra, não conseguiam consumir ao menos 2,1 mil kcal por dia – o que é considerado uma dieta adequada para dar energia a uma pessoa. O montante foi colocado em um modelo onde o preço continuaria elevado até junho, o que aumentaria os custos do transporte e, consequentemente, dos alimentos pelo mundo.
Em seguida, os especialistas se basearam quanto cada país depende da importação de energia e alimentos. Dessa forma, eles calcularam quantas pessoas não conseguiriam acompanhar a elevação do preço dos alimentos. Entre as regiões que mais sofrerão, estão:
- Ásia: onde 9,1 milhões poderão ser empurradas para a insegurança alimentar aguda;
- América Latina e Caribe: onde 2,2 milhões de pessoas podem ser empurradas para a insegurança alimentar aguda;
- África Oriental e Austral: onde 17,7 milhões de pessoas podem ser empurradas para a insegurança alimentar aguda;
- África Ocidental e Central: onde 10,4 milhões de pessoas podem ser empurradas para a insegurança alimentar aguda;
- Oriente Médio e Norte da África: onde 5,2 milhões de pessoas podem ser empurradas para a insegurança alimentar aguda.
Como são locais onde há muitos países dependentes da importação de alimentos e combustíveis, o comunicado aponta que a Ásia e a África Subsaariana são as regiões mais vulneráveis.
“Sem uma resposta humanitária adequadamente financiada, isso poderá significar uma catástrofe para milhões de pessoas que já se encontram em situação de extrema vulnerabilidade”, ressalta Skau.












